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Lutador que saiu de Manaus para treinar muay thai na Tailândia agora está indo competir na China

André Luciano Pereira, o Lundlay, saiu de Manaus com pouco mais de 20 anos com destino à Tailândia, onde se tornou lutador profissional de Muay Thai. Ele conta um pouco de sua aventura no oriente e avisa que já está de malas porntas para voltar para a Ásia. Desta vez o destino é Shanghai, para lutar em uma organização de luta em pé

André já conhecia muito bem o boxe, mas teve que aprender o segredo das cotoveladas e das joelhadas do Muay Thai

André já conhecia muito bem o boxe, mas teve que aprender o segredo das cotoveladas e das joelhadas do Muay Thai (Winnetou Almeida)

"Lundlay" em tailandês significa "o que vê tudo de cima". Assim é conhecido André Luciano Pereira, de 22 anos, o lutador que largou tudo em Manaus para se aventurar no mundo do Muay Thai na Tailândia, onde o esporte nasceu. Com exclusividade para o Portal A CRÍTICA, o jovem contou sua aventura na Ásia, o contato com a cultura exótica e como foi forjado em um verdadeiro lutador de Muay Thai.

Da Tailândia, o lutador traz consigo muitas lembranças e saudade. Foi lá que o jovem atleta viveu por um ano e oito meses – em duas oportunidades diferentes - e aprendeu os segredos da terra que vive o Muay Thai dia a dia.

“É um lugar maravilhoso, onde o esporte que eu pratico significa tudo para os tailandeses. Até quem não pratica Muay Thai está de algum forma envolvido com o esporte: seja organizando eventos, filmando, dando aulas e até mesmo apostando dinheiro em lutadores”, revelou.

Há cerca de um mês em Manaus, André Lundlay já recebeu proposta de emprego para voltar ao oriente. Desta vez, o embarque vai ser para a China, mais precisamente Shanghai: ele é o mais novo lutador da organização Wu Ling Feng (WLF), que reúne lutadores da categoria pesado e leve, das mais diferentes modalidades de luta em pé, nos moldes do antigo K-1 japonês.

‘Na cara dura’

Insatisfeito após ter sido oito vezes campeão estadual de boxe amador, ele passou 1 ano e oito meses – em duas oportunidades diferentes - no Sudeste Asiático para aprender a "arte das oito armas", como é chamada a modalidade por seus praticantes.

“Fui procurar lutas pela aventura da jornada. Já havia sido oito vezes campeão amador de boxe aqui no Amazonas e tinha vezes que não tinha luta. Quando marcavam alguma, a capacidade técnica do adversário não era grande, então acabava se tornando uma briga. Aquela situação estava me incomodando bastante”, disse o jovem natural de Marília, interior de São Paulo.

No ano de 2012, com 20 anos, pouco dinheiro, mas muitos sonhos na bagagem, André viajou rumo à Phuket, cidade montanhosa no litoral da Tailândia, onde apareceu sem ser avisado em uma das mais tradicionais e respeitadas academias de Muay Thai do mundo, a Tiger. “Às 4h, lá estava eu na porta da academia. Tive que esperar o treinador chegar e disse que queria lutar e precisava de um quarto. Eles me acolheram e no dia seguinte já comecei a treinar”.

Depois de sua chegada surpresa, os locais submeteram André a um árduo programa de treinamento, dividido em iniciante, intermediário, avançado e lutador. Ele teve de reaprender a tomar a distância correta, caminhar no ringue e, claro, aprender a soltar chutes e cotoveladas.

“Tomei alguns nocautes. Tinha a mentalidade do boxe e não esperava as cotoveladas. Na Tailândia se pratica o muay thai em seu estado puro, você pode golpear em qualquer parte do corpo, menos na genitália”, comentou Lundlay, que contabilizou escoriações nos pés e pontos no supercílio e nuca durante as lutas e treinamentos.

O estranhamento dos tailandeses com André até veio, mas durou pouco. Ele logo foi conquistando a simpatia e respeito de seus companheiros. “Eles sempre perguntavam ‘O que você está fazendo aqui? Não devia estar jogando futebol? Cadê o Kaká?’, mas era só de sacanagem”, lembra, entre risos.

A barreira da língua foi outro desafio que André deve de superar. Até hoje ele não domina o idioma, mas sabe o suficiente para se virar. “Até por respeito ao tailandeses, sei pedir pratos de comida em restaurantes, que lá são deliciosos, sei perguntar o preço das coisas e pronunciar 'eu não sei falar tailandês'!”.

Cultura da luta

Logo após o fim do primeiro mês, o lutador realizou seu primeiro combate profissional e não parou mais. No país onde o Muay Thai é mais que uma luta, e sim um estilo de vida e traço cultural inalienável, André subiu ao ringue por oito oportunidades e sagrou-se vencedor em sete delas.

Todos os dias e em todas as cidades existe um evento de lutas, onde os atletas se apresentam para ginásios lotados para mais de duas mil pessoas. Se não conseguem entradas para assistir, elas vêem pela televisão.

“É o esporte numero um de lá. Um organizador chega na academia, fala com o treinador para saber quais meninos já estão prontos, tiram fotos de cada um e dois dias depois você aparece em um pôster junto com seu adversário, informando o dia da sua luta na mesma semana. Simples assim. É algo muito intenso”, comentou.

O batismo de fogo de Lundlay foi em sua segunda peleja, contra "Big-M Hanumanganchang", um tailandês com nada menos que 100 lutas em seu cartel, no ginásio Patong, em Phuket, no ano passado.

“Ele era bem mais experiente que eu. Durante os três rounds levei três knockdowns (quando o adversário cai, mas consegue se levantar sozinho) e nos minutos finais da luta eu consegui derrubá-lo usando um contra golpe de direita, com os punhos. Foi daí que veio meu apelido, por eu soltar muitos golpes por cima do ombro”, relembrou com entusiasmo.

Mas duas coisas chamaram a atenção de André mais do que tudo no que diz respeito à luta em si na Tailândia, a falta de precisão nas categoerias de peso e a inexistência de graduação, como é comum no Brasil. "Lá, eles escolhem quem vai lutar com você pela altura, sem subir na balança, pois eles creem que os dois devem ter mais ou menos o mesmo peso. O olho engana, eu com 69 quilos já lutei com caras mais pesados”, comentou.

“Lá o seu conhecimento é medido pelo quanto você sabe em cima do ringue, não pelo kruang (a faixa de graduação do muay thai, que é amarrada no braço). Já vi muito faixa preta lá se dar mal, pois os locais viam e colocavam uma faixa de plástico no braço para 'tirar onda’", explicou.

Longe de casa

A ousadia de viajar sem informar quando voltaria lhe custou seis meses de silêncio do pai, o treinador de boxe Carlos Fiola, do Centro de Treinamento de Alto Rendimento da Vila Olímpica de Manaus.

“Ele me via online na internet, mas não trocava nenhuma palavra comigo, somente a minha mãe é quem me dirigia a palavra para saber como eu estava. Mas o tempo passou e ele viu o quanto eu estava feliz e passou a me ajudar como podia. Hoje ele é meu maior incentivador para que eu continue”, lembrou o lutador.

Nova viagem ao oriente

Mal chegou a Manaus e André, que pretendia conseguir dar aulas para conseguir dinheiro e retornar à Tailândia, recebeu uma proposta irrecusável de emprego para fazer o que ele mais gosta: lutar.

“Além das lutas de Muay Thai, fiz algumas lutas profissionais de boxe em Shanghai, enquanto morava na Tailândia. Um promotor que tinha me visto lutar uma vez na China soube que eu tinha voltado para o Brasil e entrou em contato comigo para, me chamando para lutar na Wu Ling Feng. Aceitei na hora!”, disse, sem conseguir esconder a animação.

Na WLF, existem lutadores de Muay Thai, Kung Fu, Boxe e Karatê. "Tem até um monge Shaolin que luta lá", revela o lutador. A organização existe desde 2008 e atualmente é a mais popular entre "strikers" na Ásia. André assinou um contrato de seis meses. 

Para seguir com seu sonho, ele afirma que precisa de ajuda financeira e está em busca de patrocínio para levar o nome do Amazonas aos ringues da Ásia. “O que eu mais quero é lutar. Não procuro patrocínio para ficar rico, apenas para me manter por lá e não depender tanto da bolsa de cada luta”, explicou André.

Interessados em ajudar André Pereira podem entrar em contato com ele pelo telefone (92) 8224-0321 ou por meio de sua página do Facebook: "André Tiger Muay Thai".