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'Temos torcida e qualidade técnica', diz Zito

Ex-volante da Seleção, campeão do Mundo nas Copas de 1958 e 1962 fala ao CRAQUE com exclusividade

Memória Zito com Gilmar, na Copa de 1958. O ex-volante da Seleção Brasileira diz que está foi a conquista mais difícil de sua carreira com a camisa canarinho.

Memória Zito com Gilmar, na Copa de 1958. O ex-volante da Seleção Brasileira diz que está foi a conquista mais difícil de sua carreira com a camisa canarinho. (Reprodução/Marcio Fernandes)

José Ely Miranda é hoje um distinto senhor de 81 anos, que muito fez pelo futebol nacional e agora aproveita os louros da aposentadoria da bola. Zito, como é mais conhecido, vive hoje reservadamente com a família na praia do Gonzaga, em Santos (SP), quando não se intoca em seu sítio localizado em Roseira, onde nasceu, cidadezinha do Vale do Paraíba, onde cultiva café e mantém gado leiteiro.

Zito quase não fala mais à imprensa, até porque quase nunca é solicitado, diz que anda alheio ao futebol da atualidade, mas atendeu com simpatia e solicitude ao CRAQUE em entrevista exclusiva para falar, dentre outros assuntos, sobre Copa do Mundo.

O reconhecimento pelo conjunto da obra de Zito ficou um tanto no passado. Mas vale relembrar aos menos avisados sobre os feitos deste autêntico volante: ele conquistou duas Copas do Mundo (1958/1962) e ainda tinha moral para esculachar ninguém menos que Pelé, que viria a se tornar o maior jogador de todos os tempos.

“Eu chamava a atenção do time todo, não só do Pelé, mas era uma coisa positiva, para o time não cair de produção e os jogadores não se acomodaram com a vantagem. O treinador me delegava essa missão”, explica. Graças a postura de comando era chamado pelos companheiros de time de “Gerente”.

O Santos foi o clube que o projetou e a quem ele deu seu coração, até porque é sócio remido, mas nem para jogos o velho ídolo vai mais com frequência. Às reuniões de interesse do Santos com a atual diretoria, então, ele não quer nem saber. “Eles (os atuais diretores) não são da minha religião (risos)".

O que o senhor pensa sobre a Copa do Mundo no Brasil? O que a torcida pode esperar desse evento em casa?

Acho que a gente (Brasil) vai ter uma vantagem boa com a torcida e a Seleção tem qualidade técnica para a conquista desse título em casa. É o que posso dizer.

Faça uma avaliação sobre os escolhidos por Felipão, sobre o método de trabalho dele à frente da comissão técnica.

Acho meio difícil eu fazer uma avaliação. O Felipão pegou o melhor que tinha que é esse grupo que está aí com ele. Não é tão fácil você montar uma equipe com qualidade técnica e colocar tudo isso a serviço da Seleção. Deve haver jogadores bons que ficaram fora da lista, mas o Brasil é muito grande. O treinador só pode chamar 22 jogadores.

Mas esse grupo que o Felipão sempre tem chamado, lhe agrada de alguma forma?

Ele (Felipão) pegou o que tinha de melhor, creio eu.

Temos um elenco jovem na Seleção de Felipão. O senhor defende a convocação de um ou outro jogador mais experiente, como Kaká e Ronaldinho Gaúcho?

Kaká e Ronaldinho Gaúcho passaram um pouco do tempo. Eles não contribuiriam com muita coisa na Seleção atual. Mas eu não tenho acompanhado muito eles.

A realização da Copa do Mundo muito provavelmente será acompanhada de uma onda de protestos, a exemplo do que houve na Copa das Confederações. Qual sua opinião sobre isso?

Acho errado esses protestos. Quem faz a Copa do Mundo é a Fifa, a CBF, que têm recursos próprios. Então é um dinheiro que vem do futebol. O governo entrou nessa com dinheiro público para tira proveito. Acho que o futebol por si só se mantém bem estruturado. Nós vemos pelos grandes clubes brasileiros, que funcionam bem, pagam salários altíssimos. O investimento público a gente até vê na Copa, mas é o governo que quer isso para aproveitar a popularidade do futebol.

Mas houve grande investimento público nas Arenas, por exemplo, e também na reforma de aeroportos, de transporte de massa...

Não tem sentido esse protesto todo a essa altura. Atrapalha o andamento da Copa do Mundo. O governo do Brasil investe em coisas que já deveriam ter para a população. Às vezes vejo uma ou outra discussão a respeito disso, mas se esse dinheiro não existisse, o Mundial aconteceria com dinheiro do próprio futebol. Tudo funciona como um negócio.

Manaus será uma das cidades-sede do Mundial, terá uma bela Arena, mas nosso futebol profissional não sai da Série D. Qual sua opinião sobre isso?

Acho que é maravilhoso um estádio bonito para Manaus, que deve ter jogadores de qualidade e times fortes. É que o mercado do Sul paga bem mais que os clubes daí pagariam. Por isso, os grandes jogadores saem daí cedo. Não há como o esporte do Norte investir bem alto. Mas acho que essa Arena, que deve ser linda, deverá alavancar o futebol em Manaus. Muita gente vai a esse estádio que por si só já será uma grande atração.

O senhor tem lembrança de já ter jogado em Manaus? Conhece algum clube local?

Não tenho lembrança de ter jogado em Manaus. Também não conheço nenhum clube daí. Não sou mais fanático por futebol.

Mas o senhor não se interessa nem mais pelo seu time, o Santos?

Eu até me interesso, sim, mas não como antes. Mudou tudo na sede do clube e eu não ando mais por lá (Vila Belmiro). Eu sou sócio remido do Santos, mas raramente sou convidado para eventos no clube. Alguns jogos eu até vou. Mas os que estão lá hoje (diretores) não são da minha religião (risos).

O senhor ficou conhecido pelos puxões de orelhas no Pelé tanto no Santos quanto na Seleção Brasileira...

(risos) Era para incentivar, porque precisava mesmo porque se não se acomodam dentro do campo. Se você se acomodar fica ruim. Deu muito certo. Era chato a cobrança. Mas o treinador me dava carta branca. Mas não era só com o Pelé. Eu cobrava o time todo. Por isso que o time era bom todo, era sério. Se não era, teria que ser sério.

Qual foi a conquista mais difícil para o senhor, a de 1958 ou a de 1962?

A mais complicada é sempre a primeira, porque não está nas mãos. A de 1958 foi complicada, jogos mais difíceis. Os pequenos corriam para ganhar da Seleção Brasileira, que era um conglomerado de craques.