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Ketlen Vieira pode ser a primeira mulher amazonense no UFC

A atleta de 22 anos já integrou as seleções brasileiras de judô e luta olímpica; agora ela se prepara para dar mais um passo importante em sua busca por ser o maior nome da luta feminina no país

Ketlen Vieira exibe um dos inúmeros títulos que já conquistou em seletivas de MMA

Ketlen Vieira exibe um dos inúmeros títulos que já conquistou em seletivas de MMA (Reprodução/Internet)

As expectativas nunca são óbvias quando se trata de Ketlen Vieira. A não ser que elas estejam a favor dela: com 22 anos, a manauara já fez parte das seleções brasileiras de judô e luta olímpica, foi campeã nacional de wrestling (aquela modalidade em que um lutador tem de jogar o oponente no chão), e agora se prepara para a maior conquista da sua carreira: representar o Amazonas no UFC (Ultimate Fighting Championship), o maior campeonato de MMA (artes marciais mistas, do inglês mixed martial arts) do mundo.

Como se isso já não fosse muito, Ketlen ainda estuda Direito. Ela estava prestes a se formar quando a oportunidade de disputar uma seletiva mundial do esporte a fez interromper o curso. “É uma questão de meta. Sempre gostei de MMA, e a entrada da categoria feminina no ano passado reforçou essa vontade de participar. Comecei a treinar duro”, conta a atleta.

Ketlen chega a encarar quase 8 horas de treinamento por dia para participar do mundial de MMA amador que acontece entre os dias 30 de junho e 6 de julho em Las Vegas, nos Estados Unidos. O evento serve de porta de entrada para o UFC. “Pra se ter uma ideia, a (lutadora americana) Ronda Rousey ganhou o mundial amador em 2010 e estreou como profissional no ano seguinte. No ano passado, se tornou a campeã peso-galo do UFC”, explica o treinador de Ketlen, Marcelo Belota. É esse o caminho que a amazonense espera trilhar.

As expectativas sopram a favor de Ketlen desde a infância, quando ela decidiu contrariar o estereótipo feminino e praticar artes marciais. O talento e a disciplina nos treinos logo renderam convites para participar de campeonatos estudantis, e o esporte, de simples atividade física, passou a ocupar um lugar central na vida da garota. O respeito que Ketlen impõe no cenário é tão grande que nenhuma lutadora brasileira quis enfrentá-la na seletiva para o evento em Las Vegas. Mas as coisas nunca foram fáceis para ela. Pelo contrário.

Afinco

Embora seja um celeiro de talentos do octógono, Manaus peca na valorização dos atletas. “A cidade tem um cenário muito bom de artes marciais, com vários grandes atletas, inclusive estrelas do MMA, como o José Aldo, mas a falta de estrutura e incentivo ainda é muito grande. Eu mesma, que já fui parte da seleção brasileira, que ganhei a seletiva nacional pra participar do mundial de MMA, tenho dificuldade em conseguir patrocínio. E esse incentivo falta justamente na hora de formar novos atletas. As empresas só querem saber de investir naqueles que já são famosos”, queixa-se a amazonense, que conta com a ajuda voluntária de nutricionistas e outros profissionais para manter sua rotina de preparação.

Mesmo assim, a expectativa é enorme. “Ela é uma lutadora completa, domina o judô, o jiu-jitsu, e vem treinando o boxe com afinco. A tendência é que ela seja campeã”, avalia o técnico Marcelo. Ketlen se mostra confiante, mas tem consciência do tamanho da empreitada. “A gente vai ter lutadores de 20 países nesse evento. Mas eu tenho certeza de que, quando chegar a hora, eu vou estar preparada”, afirma.

Questionada se a rotina exaustiva atrapalha as coisas que uma garota da sua idade costuma fazer – sair com os amigos, ir a festas, ao cinema – Ketlen novamente desafia as expectativas: “Se a gente gosta do que faz, vale a pena. E eu com certeza quero ser a primeira mulher amazonense e a primeira mulher brasileira no UFC”.