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Campeonato Amazonense 2014: Quem pagou para ver?

37.862 torcedores assistiram partidas entre clubes amazonenses ao longo de 58 jogos, tanto no primeiro quanto no segundo turno; média é de 652 pagantes por partida

A torcida fez a festa na Arena da Amazônia durante o primeiro jogo da final do estadual

A torcida do Princesa do Solimõies foi a mais fiel durante o Amazonense 2014, como quando o clube disputou a semifinal na Arena da Amazônia, contra o Fast (foto) (Bruno Kelly)

Com a temporada 2014 do Campeonato Amazonense chegando ao fim - mais especificamente neste sábado (24), com a finalíssima entre Princesa do Solimões e Nacional – números da competição revelam como foi o Estadual deste ano, que parece cada vez mais capaz de se reerguer. A realização da Copa do Mundo da Fifa em Manaus, e consequentemente três novos estádios na capital, colaboram para o despertar do interesse do torcedor local. Exemplo disso é a média de público do “Barezão”, como também é chamado o Estadual, que ganha muito com apenas um jogo realizado na Arena da Amazônia.

Um total de 37.862 torcedores pagaram para assistir partidas entre clubes amazonenses ao longo de 58 partidas, tanto no primeiro quanto no segundo turno. Estes dados apresentam uma média de 652 pagantes por partida. O maior público pagante de todo o “Barezão” ocorreu justamente na Arena da Amazônia, quando 8.073 torcedores pagaram para assistir Fast Club e Princesa do Solimões se enfrentarem pela partida de ida da semifinal do primeiro turno da competição. Já o segundo jogo com maior número de pagantes aconteceu em Manacapuru, quando 2.314 espectadores viram o Princesa do Solimões levantar a Taça Estado do Amazonas (1º turno).

Com o Vivaldão, principal palco do futebol amazonense das últimas quatro décadas, em reconstrução para sediar o maior evento futebolístico do mundo, e o estádio Roberto Simonsen do Sesi, no bairro Coroado, Zona Leste da capital, em reforma, o jeito foi levar os jogos do campeonato para estádios do interior do Amazonas, inclusive os confrontos entre equipes da capital. Lembrando que essa edição do Amazonense teve cinco representantes do interior do Estado: Holanda, Iranduba, Nacional Borbense, Princesa do Solimões e Penarol.

A Federação Amazonense de Futebol (FAF) utilizou ao todo seis estádios na atual temporada: o recém-construído estádio da Ulbra, localizado no campus da Ulbra do bairro Japiim, Zona Sul de Manaus, que serviu de palco de abertura da competição e é casa provisória do Fast Club; o estádio Gilberto Mestrinho, em Manacapuru (a 84 quilômetros da capital); o estádio Floro de Mendonça, em Itacoatiara (distante 176 quilômetros de Manaus); o estádio Gerdilson Bentes, o Jabortão, em Borba (distante 151 quilômetros da capital); o estádio Valdomiro Gusmão, mais conhecido como Valdizão, em Manaquiri (distante 60 quilômetros de Manaus); o estádio Francisco Garcia, o Chicão, localizado no município de Rio Preto da Eva (distante 57 quilômetros de Manaus); e o estádio Roberto Simonsen, o Sesi, , que só foi utilizado no segundo turno do Barezão, e é o palco da grande final da competição, que acontece no próximo sábado (24).

Atual campeão amazonense e finalista desta edição, além de ser o único representante amazonense na Série D Brasileirão deste ano, o Princesa do Solimões sempre leva bom público aos seus jogos e se mantém com a torcida mais fiel dos últimos anos. A média de pagantes por jogo no Gilbertão é de 905 espectadores por partida. O estádio, com capacidade para cerca de 5 mil pessoas, passa atualmente por reformas estruturais e deverá receber os duelos do Tubarão a partir de julho deste ano. “A palavra prejuízo não existe aqui. Todos os nossos jogos no Gilbertão tem casa cheia. O nosso torcedor sempre nos apoiou e continuará apoiando”, disse Rafael Maddy, dirigente do Princesa. 

Já os rebaixados Sul América e Holanda acumulam as piores médias de público do campeonato. O Holanda, que já foi campeão amazonense em 2008, levou em média 64 torcedores ao estádio neste ano, enquanto o Sulão – bicampeão em 1992 e 1993 – arrasta em média 116 fãs aos jogos. 

Prejuízos

Foi justamente no interior que aconteceu um fato inusitado este ano. De acordo com o borderô da partida entre Holanda e Iranduba, no dia 12 de abril de 2014, em Rio Preto, válido pela 5ª rodada, não houve um pagante sequer. Aliás, o estádio Chicão foi responsável pelos piores públicos deste ano: no dia 6 de abril a equipe do Holanda recebeu o Sul América e apenas duas “testemunhas” pagaram para ver a partida, que gerou um déficit de R$ 1.547,85 para cada agremiação. No dia 2 de abril, as equipes do Sul América e Nacional Borbense jogaram para apenas sete pagantes, gerando uma renda bruta de R$ 60,00. No final das contas, foi mais um saldo negativo para os clubes, que tiveram que arcar com as despesas do quadro móvel da partida.

Das 58 partidas disputadas no campeonato deste ano, apenas 20 não apresentaram prejuízos aos clubes. O grande destaque positivo foram os números apresentados do único jogo do Estadual na Arena da Amazônia esta temporada. Na época, Fast Clube e Princesa proporcionaram uma renda bruta superior a R$ 244 mil, animando os dirigentes. Porém, a realidade é bastante diferente quando se joga em outros locais.

Nos 38 jogos restantes do “Barezão”, o saldo não saiu do vermelho. Com ingressos a R$ 10 em média a inteira, os clubes locais acumulam prejuízos aos seus cofres. Mesmo com o apoio do Governo Estadual, que esse ano prometeu repassar cerca de R$ 2,5 milhões para as equipes devidamente documentadas junto à Federação, a onda de reclamações por parte dos cartolas é grande.

Os números negativos chegam a mais de R$ 76 mil em partidas classificatórias dos dois turnos do campeonato. Somente as semifinais e finais, ou partidas entre grandes rivais, demonstram saldos positivos - enquanto que na Arena da Amazônia, quando somadas as rendas de cinco eventos-testes, a quantia ultrapassa os R$ 5 milhões.

Mas a Arena será rentável aos clubes locais? De acordo com a maioria dos cartolas amazonenses, mandar jogos do campeonato local para o estádio multiuso construído para receber quatro partidas do mundial deste ano não é boa ideia. Segundo eles, os custos para se jogar na Arena são em torno de R$ 100 mil e o torcedor amazonense não prestigia as equipes locais como deveria, o que inviabiliza estes jogos.

Contraste

O contraste da grandiosidade da Copa do Mundo com o Campeonato Amazonense fica evidente quando comparamos os números de cada partida nos estádios utilizados pela FAF com os seis eventos-teste realizados no palco da Copa em Manaus. O total de pagantes de toda a competição por pouco não bate o público total de apenas um dos jogos na Arena: Nacional e Corinthians, partida válida pela Copa do Brasil, levou pouco mais de 39 mil pessoas ao estádio da Zona Centro-Oeste da capital.

Analisando os borderôs de todas as partidas do Campeonato Amazonense de 2014 e comparandocom os dos jogos realizados na Arena da Amazônia, é possível ver a disparidade entre os dois. Somados, todos os públicos da competição local deste ano não seriam capazes de lotar a Arena da Amazônia, que tem 42.377 lugares. Por outro lado, os cinco eventos-testes na nova Arena (excluindo a partida entre Fast e Princesa) reuniram 102.505 pagantes, média superior a 20 mil por jogo.)

Expectativas para depois da Copa

Com as inaugurações da Arena da Amazônia e do estádio Municipal Calos Zamith, juntamente com a reabertura do estádio Ismael Benigno, a Colina, a Federação Amazonense de Futebol prevê horizontes melhores para o futebol local. Juntamente com o estádio Roberto Simonsen, o Sesi, e o estádio da Ulbra, seriam cinco opções de locais de jogos somente na capital.

“O futebol amazonense vai mudar totalmente de cara, não tenho dúvidas. Vamos poder mandar jogos do meio da semana à noite. Vamos ter vários estádios com iluminação boa. A virada do nosso futebol começa logo após a Copa”, comentou Ivan Guimarães, diretor de futebol da FAF.

O dirigente também confirmou várias competições para o segundo semestre desse ano, como a seletiva para a Copa Verde e campeonato amazonense infantil e jogos do Brasileiro Feminino de Futebol, que terá a equipe do Iranduba como participante. “Teremos várias competições que vão movimentar o nosso futebol. Vamos poder organizar melhor os campeonatos. O Amazonense do ano que vêm terá uma nova fórmula, com todos jogando contra todos em turno único, vai mudar muita coisa para melhor”, completou Ivan.

De acordo com Guimarães, já estão em negociação alguns confrontos do Campeonato Brasileiro da Série A e também da Série B. O jogo entre Vasco e Santa Cruz, marcada para o dia 15 de julho é uma dessas partidas que estão pré-confirmadas para a Arena da Amazônia.