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'O Princesa é um grupo guerreiro', afirma técnico Charles Guerreiro

Ex-volante da Seleção Brasileira e hoje treinador da equipe do município amazonense de Manacapuru fala da expectativa para Série D do Campeonato Brasileiro. Equipe do Princesa do Solimões manteve a base do time que conquistou o vice-campeonato estadual. Agora, a equipe representa do Amazonas na divisão de acesso do futebol brasileiro

Charles Guerreiro, técnico do Princesa

O desafio do Guerreiro: levar o Tubarão à Série C do Campeonato Brasileiro em 2015 (Antônio Lima)

Acostumado a enfrentar desafios desde os tempos das categorias de base do Paysandu, onde começou a carreira de jogador de futebol e brilhou até chegar ao Flamengo e à Seleção Brasileira, o atual técnico do Princesa do Solimões, o paraense Charles Guerreiro, 50 anos, está pronto para vencer mais um desafio: levar o Tubarão à Série C do Campeonato Brasileiro em 2015. E se depender do currículo de Guerreiro no futebol paraense, o treinador acredita que está pronto para tirar o Amazonas do “fundo do poço” no futebol brasileiro.

Amante do futebol ofensivo e do esquema tradicional 4-4-2, o treinador garante que está montando uma equipe competitiva. Ele tem a seu dispôr nomes como o veterano atacante Somália - contratado para ser o matador do ataque - além de figuras conhecidas do futebol do Pará que ele já conhece bem, como os jogadores Flamel, Magno, Lorinho e o goleiro Paulo Wanzeler. Guerreiro manteve a base do time do Princesa que foi vice-campeão amazonense, e tem pela frente a oportunidade de comandar o time da Terra da Ciranda visando dar muitas alegrias aos torcedores amazonenses na Série D do Brasileiro. Confira a íntegra da entrevista que Charles Guerreiro concedeu ao CRAQUE. 

Como o senhor está encarando esse desafio de levar o Princesa do Solimões à Série C do Campeonato Brasileiro?Tivemos dificuldades com a falta de bons campos em Manacapuru no início da preparação, mas agora, graças à diretoria do Princesa estamos treinando num gramado ‘padrão Fifa’ no estádio da Colina, onde devemos mandar os nossos jogos. O grupo é guerreiro e está unido no objetivo de brigar pelo acesso a Série C. Estamos trabalhando nos coletivos pra montar uma equipe forte para estarmos prontos para a estreia no dia 20 contra o Santos do Amapá. Infelizmente, não conseguimos realizar o amistoso contra o Paysandu, que foi cancelado. Mas, ainda devemos fazer um jogo-treino para começar bem na competição e buscar o resultado. 

Qual a avaliação que o senhor faz destes jogadores que estão no grupo do Princesa? 
São jogadores que têm qualidade. A equipe está com um entusiasmo muito grande para disputar o Brasileirão e apagar aquela imagem que ficou na goleada por 5 a 1 para o Nacional na final do Campeonato Amazonense. Mantivemos a base do grupo e trouxemos alguns jogadores escolhidos a dedo, que estão se encaixando bem no esquema tático. Por isso, vai ser importante buscarmos logo um bom resultado nesses dois jogos contra o Santos e Rio Branco. 

Pela sua experiência em acessos no Campeonato Brasileiro, esse time do Princesa tem condições de subir de divisão? 
Claro que dá pra brigar pelo acesso. Temos jogadores experientes que ficaram no grupo que já conquistaram campeonatos estaduais e a vaga para a Série D, trouxemos reforços, fizemos três coletivos e o time está forte e todo o grupo está motivado para começar jogando.

O senhor está há algumas semanas em Manaus. O que está achando da estrutura oferecida pelo clube, e do futebol amazonense? 
O nível técnico dos jogadores é muito bom e com velocidade. Não podemos reclamar dos estádios que tem um gramado ‘padrão Fifa’, e isso é o mais importante para o bom futebol e os jogadores atuarem sem a bola bater na canela. Vamos aproveitar o bom gramado e, jogando em casa, buscar sempre a vitória.  Qual a experiência que podemos aproveitar de um centro que foi palco de jogos da Copa do Mundo?Temos que usar ao máximo possível a estrutura e, como falei, o gramado. Depois que foi definido que a Copa do Mundo seria no Brasil, Manaus foi premiada com quatro jogos do Mundial aqui e temos que aproveitar o gramado, que é “padrão Fifa” e, como estamos treinando aqui, com certeza temos tudo pra sair na frente nessa competição.

Falando em Copa, o que achou da participação do Brasil na competição? 
Achei ruim como todo brasileiro. Eu tive oportunidade de jogar na Seleção Brasileira ao lado de grandes craques como Careca, Bebeto, Dunga e Branco, que eram jogadores diferenciados. Mas nessa Copa a convocação do Felipão deixou a desejar. Por unanimidade vimos um meio-de-campo sem criatividade. Poderíamos ter chamado o Kaká e Robinho que, apesar da idade, poderiam ajudar, fazer a diferença, e iriam se encaixar bem. A convocação de cinco volantes  também foi exagerada. Tínhamos que ter um meia de qualidade como Ganso , além da experiência do Kaká e do Robinho em Copas do Mundo e ficamos saindo da competição envergonhados. Apesar da Alemanha estar sobrando nesse Mundial, levar uma goleada de sete gols foi demais. Isso foi um vexame que deixou todo o País triste. 

Amazonas e Pará já estiveram na Série A, elite do futebol brasileiro; você acredita que a má administração é a resposta para o insucesso do futebol paraense e amazonense?
Do futebol paraense eu posso falar que é mal administração. Não posso avaliar ainda o futebol amazonense porque é a primeira vez que estou trabalhando aqui. Já vim jogar aqui em Manaus no começo da minha carreira, nos anos 80, e vários craques saíram daqui para jogar no Remo e Paysandu. Atualmente o futebol paraense está deixando muito a desejar. Os empresários tomaram conta do futebol no Pará. Eles estão contratando jogadores sem qualidade e pagando altos salários de R$ 50 até R$ 70 mil, que às vezes nem time grande paga o que o futebol paraense paga; depois os clubes não tem como pagar e o jogador vai para a justiça e isso vira uma bola de neve. Por isso, hoje vemos o Paysandu que chegou à Série B e caiu para a C, e o Remo, que nem tinha uma série para disputar. Esse ano que conseguiu a vaga dentro de campo. Esperamos que o futebol paraense e o amazonense possam melhorar. Antes saíam muitos craques daqui e, hoje, dificilmente vemos um jogador diferenciado. 

O senhor tinha vontade de trabalhar no futebol amazonense? O que ouvia do futebol daqui lá no Pará? 
Eu sempre ouvi falar bem. O futebol amazonense sempre pagou bem.  Tinha jogadores de qualidade e, agora, um estádio maravilhoso. Agora a gente fica triste porque do futebol amazonense não se houve mais nem falar. O Felipão não tinha um esquema tático, jogava mais na improvisação.

Qual o esquema tático que o senhor deve utilizar no Princesa do Solimões?
Sou fã do futebol ofensivo e do esquema tático 4-4-2.  Todos os anos eu participo no Rio de Janeiro de fóruns internacionais para técnicos de futebol. E o Carlos Alberto Parreira falou que o único esquema que não sai de moda é o 4-4-2. Você pode até variar durante a partida para o 3-5-2 ou 4-3-3, mas sempre voltando para o 4-4-2. Por isso não entendi o Brasil  jogar com a Alemanha da maneira como jogou porque o Parreira é fã desse esquema tático.  Perdemos porque a Alemanha congestionou colocando cinco jogadores no meio-campo e nós apenas dois e perdemos a disputa nesse setor. 

O que foi mais marcante na sua passagem pelo Flamengo?
Com certeza marcou a minha vida porque saí do Paysandu para brilhar num clube como é o Flamengo. O sonho de um atleta é chegar a jogar num time grande. Passei pela Ponte Preta, Guarani e me surpreendi quando, em 1991, o técnico Wanderley Luxemburgo, que era o técnico do Mengão, me indicou. E depois  recebi o aviso que havia sido contratado pelo clube. Era um sonho. Pelo meu estilo de jogo guerreiro, entrei, fui ovacionado e conquistei a torcida do Flamengo. Conquistei o título de campeão Brasileiro em 1992 e o Carioca de 93 e foi no Flamengo que cheguei à Seleção Brasileira, onde tive sete convocações. Também fui convocado em 1995 quando estava no Vasco. Joguei pela seleção em Wembley no último jogo antes da demolição desse estádio centenário. Também atuei no Fluminense, Inter de Limeira, Bragantino e Cabofriense.  

Para quem torceu na final Alemanha ou Argentina?
Acreditava que a Argentina conquistaria o título.  É uma equipe acostumada a decidir e cresceu na competição. Eles começaram com dificuldades no setor defensivo, mas depois conseguiram o equilíbrio. Além disso, eles têm um jogador diferenciado que é o Messi, que estava com muita vontade de ganhar uma Copa. A Alemanha é uma equipe diferenciada. Há quatro anos assisti no Rio de Janeiro a uma palestra do técnico dos Estados Unidos, Jurgen Klinsmann: ele disse que a Alemanha estava pronta e viria ao Brasil com um time jovem e competitivo.

PERFIL

Nome: Charles Natal Mendonça Ayres
Idade: 50
Naturalidade: Belém
Altura: 1m78
Peso: 78 quilos
Modalidade: Técnico de futebol do Princesa do Solimões para o Campeonato Brasileiro da Série D.
Formação acadêmica: Segundo grau completo
Metas: levar o Princesa do Solimões a Série C do Campeonato Brasileiro no ano que vem.