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Manaus de Copas: Confira as surpresas que marcaram a Copa do Mundo de 2006

A Manaus de 2006 era uma cidade repleta de problemas, além disso, o Mundial daquele ano deixou marcas que até hoje muitos brasileiros, infelizmente, ou não, lembram

Seleção Italiana volta a conquistar um título depois de 24 anos de jejum

Seleção Italiana volta a conquistar um título depois de 24 anos de jejum (Divulgação)

Uma Seleção Brasileira promissora, com um ataque baseado no “quadrado mágico”, que “ressuscitava” o bom e velho futebol arte brasileiro. Um São Raimundo que começaria o ano de forma avassaladora conquistando o Campeonato Amazonense de forma invicta e terminaria rebaixado para a terceira divisão do futebol brasileiro. Uma cidade que assistiu a uma das disputas políticas mais acirradas pelo governo do Estado, além de escândalos de corrupção, como o que foi deflagrado com a Operação Saúva, que culminou com a prisão de 30 pessoas.

A Manaus de 2006 já era uma cidade repleta de problemas. O transporte é um deles. Tanto que é o momento em que os chamados transportes alternativos “explodem” na cidade, o moto-táxi é um deles.

A capital do Amazonas também era a cidade dos contrastes. Riqueza e pobreza. Fome e desperdício de comida. Enquanto 62 toneladas de comida eram jogadas todos os dias no lixo, mais de 100 mil famílias viviam abaixo da linha da pobreza, nas regiões periféricas da cidade.

O Estado também “ostentava” a segunda maior taxa de natalidade do País entre meninas de 10 a 14 anos, a imensa maioria oriunda de famílias humildes. Mas este não foi o único ranking da vergonha divulgado naquele ano. O Amazonas também chegou ao segundo lugar nacional nas estatísticas da violência sexual contra crianças e adolescentes.

É Carnaval

O carnaval de Manaus foi marcante por conta de uma tragédia. Um acidente com um carro alegórico da Vitória Régia acabou matando o brincante José Roberto Matos, de 41 anos. Por conta do acidente o desfile da Grande Família aconteceu às escuras. Como a comissão de frente da escola usava giroflex (lâmpadas giratórias de ambulâncias) muitos foliões achavam que o apagão era proposital. Só depois foi que todos ficaram sabendo do que realmente aconteceu. Por causa do acidente não houve vencedor naquele carnaval.

Maconha

O município de Maués (a 267 quilômetros de Manaus) deixava de ser conhecida como a “terra do Guaraná” para se tornar o paraíso da maconha. Naquele ano a Polícia Militar descobriu uma plantação com nada menos que 90 mil pés de maconha. Trocando em “miúdos”, a polícia apreendeu mais de uma tonelada da erva na cidade. A nova “fama” feriu e muito o orgulho do povo de Maués.

Política

O cenário político “pegou fogo” em 2006. Um dos episódios mais emblemáticos ficou conhecido como “a guerra das tartarugas”. Tudo começou quando o vereador Luiz Fernando (PTN), aliado do ex-governador Amazonino Mendes denunciou que o então secretário de Articulação Política de Manaus, Marcelo Serafim (PFL), criava tartarugas de forma supostamente ilegal na residência dele. Os animais foram apreendidos. Marcelo partiu para o contra-ataque e denunciou o ex-governador Amazonino Mendes por também criar quelônios de forma supostamente irregular. O Ibama teve muito trabalho no episódio.

E por falar em Amazonino, depois de apoiar Eduardo Braga na eleição anterior, a velha raposa da política voltou à cena para disputar o governo contra ex-pupilo. Foi uma das disputas mais quentes dos últimos tempos, com denúncias de todos os lados e um tema central: a falta de água nas zonas Norte e Leste. No final, Braga conquistou a reeleição.

O então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que deixou a pasta para se candidatar ao senado conquistou a vaga. Gilberto Mestrinho, o “boto”, perdeu a disputa e decidiu não mais concorrer a cargos eletivos.

Antes disso, ele e a esposa, Maria Emília, sofreram com a ação de assaltantes na mansão que eles moravam no bairro São Conrado, no Rio de Janeiro. O ex-senador e a esposa chegaram a ser agredidos.

Escândalo

Um escândalo envolvendo o então deputado estadual Francisco Balieiro tomaria o noticiário não só local, mas também nacional. O deputado chegou a ser preso acusado de tentar matar o delegado da Polícia Federal, Domingos Sávio Pinzon Rodrigues, que estava tendo um relacionamento com a ex-mulher do parlamentar, Geize Rocha .

De acordo com o delegado, o deputado e o assessor dele, Izaque Xavier Alencar, invadiram a residência do delegado o agrediram com uma faca e um cabo de computador. O delgado levou uma facada na perna e “chicotadas” com o cabo de computador, segundo o depoimento dele para o jornal A CRÍTICA, na época.

O deputado negou que tivesse agredido o delegado e afirmou que só queria fazer um “flagrante” para provar que a ex-esposa estava mantendo um relacionamento estável com o delegado, para não mais precisar pagar a pensão de R$ 3 mil. A esposa alegou que Balieiro não aceitava o fim do relacionamento.

Operação Saúva

A Polícia Federal do Amazonas desvendou um dos maiores esquemas de corrupção da história do Estado, com a operação “Saúva”, no mês de agosto. Um total de 30 suspeitos de fazer parte da quadrilha foram presos. De acordo com a PF, a quadrilha era formada por empresários atacadistas do ramo de alimentos que fraudava licitações públicas do fornecimento de merenda escolar e cestas básicas para vitimas da seca, com ajuda de servidores públicos do Estado e do Município e do Exército. A quadrilha teria movimentado mais de R$ 350 milhões.

Tragédia

Uma tragédia chocou a cidade na sexta-feira dia 20 de setembro com o desaparecimento do voo 1907, da Gol Linhas Aéreas. A aeronave saiu de Manaus com destino ao Rio de Janeiro. O avião caiu depois de bater na asa de um jato Legacy, no Mato Grosso. 155 pessoas morreram na tragédia.

Sumiço

E em novembro o Amazonas voltou a ser notícia nacional depois que um grupo de executivos desapareceu na selva ao sair para um passeio ecológico no rio Preto. O grupo era formado por Ricardo Levy (gerente do grupo Bemol), Ilko Minev (presidente do Grupo Bemol e cônsul honorário da Holanda), Dênis Minev (gerente financeiro da Bemol), Francenildo Bandeira (gerente de informática) e Raimundo Ferreira (motorista). Eles ficaram cinco dias perdidos na selva e o resgate deles foi comovente. Pouco depois, Dênis Minev seria nomeado secretário de planejamento do Estado.

O último sopro do Tufão

O ano de 2006 começou de forma gloriosa para o São Raimundo. O Tufão da Colina voltava a conquistar o título do Campeonato Amazonense, novamente de forma invicta, o que não acontecia desde 2004.

No elenco, jogadores bem conhecidos da torcida local, como era o caso do goleiro Flávio Mendes, dos laterais André e Pezão, dos meias Luíca e Vidinha, além dos atacantes Garanha e Delmo. O comando da equipe era de Carlos Prata, que conquistou naquele ano o seu primeiro título no futebol profissional.

“Foi uma campanha de muita abnegação. Era uma fase muito difícil e nós tivemos a felicidade de contar com a Colina nesta campanha, mesmo aos pedaços, e isso foi fundamental também”, lembra Carlos Prata.

A grande final do Amazonense, contra o Fast Clube aconteceu em abril de 2006. Um sábado. O São Raimundo já havia conquistado o primeiro turno do campeonato (Taça Estado do Amazonas) e agora disputava o título do segundo turno (Taça Cidade de Manaus), se conquistasse, o time da Colina seria campeão de forma antecipada. Para isso bastava um empate.

Jogando com o regulamento embaixo do braço, o São Raimundo conquistou um empate em 1 a 1. O primeiro gol foi marcado por Delmo, o artilheiro do Norte, aos 35 minutos do primeiro tempo. O Fast deixou tudo igual com Kitó aos quatro minutos do segundo tempo.

Delmo ainda chegou a ser expulso por reclamação. O Fast lutou como nunca, mas perdeu como sempre, perpetuando mais um ano de jejum, já que a última conquista do clube foi um ano depois de o Brasil ter conquistado o tricampeonato mundial no México.

Para Carlos Prata, o jogo mais emblemático daquela campanha histórica nem foi a final. “Foi a partida em que estávamos perdendo de 1 a 0 para o Rio Negro. A gente se superou. Nos reunimos no vestiário e conversamos. Os jogadores disseram que iriam virar o jogo e ganhar o campeonato pra mim. Ai o Vidinha fez o gol do empate e o Garanha fez o gol da vitória”, comenta Prata.

Era só fogo de palha...

Em 2006 o Brasil chegou à Copa do Mundo na Alemanha como franco favorito. Também pudera. O time era o atual campeão do torneio e parecia ter transformado o que era bom em 2002 em uma Seleção aparentemente “imbatível” quatro anos depois.

Essa “doce ilusão” foi alimentada graças às campanhas da Copa América de 2004 e a avassaladora conquista da Copa das Confederações de 2005. Na época, o técnico Carlos Alberto Parreira – que voltava a comandar a Seleção depois da conquista do Tetra nos Estados Unidos –, instituiu um sistema de jogo que nada tinha com o estilo que o consagrou.

Na Seleção de 2006 o Brasil jogava para frente, um futebol mais ofensivo. Foi assim que o treinador criou o “quadrado mágico”, que tinha Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho e Adriano, o “Imperador”, na melhor fase de sua carreira.

Tudo funcionou muito bem, principalmente enquanto Ronaldo Fenômeno, que à época já começava a brigar com a balança, estava de “férias”. Ele pediu dispensa da Copa América e também da Copa das Confederações e voltou apenas para disputar a Copa do Mundo.

Com o retorno do Fenômeno, Parreira sacou Robinho do time e Ronaldo passou a fazer dupla com Adriano.

No primeiro jogo, contra a Croácia foi aquele sofrimento. O único gol da partida foi marcado por Kaká aos 42 minutos do segundo tempo. A segunda partida, contra a Austrália foi um pouco melhor: 2 a 0. Adriano abriu o marcador aos três minutos do segundo tempo e Fred fechou o placar aos 43 minutos da etapa complementar.

Parreira fez um time misto para o terceiro jogo, contra o Japão e foi aí que o ataque deslanchou. Ronaldo fez dois e igualou o recorde de 14 tentos em Copas que pertencia ao alemão Gerd Müller. Gilberto e Juninho marcaram os outros gols do Brasil. Mas vale lembrar que foram os japas que saíram na frente com o gol de Tamada.

Nas oitavas de final a Seleção enfrentou Gana. Esta partida será lembrada para sempre pelos recordes quebrados. A vitória por 3 a 0 transformou Ronaldo Fenômeno no maior artilheiro da história das Copas ao marcar um gol (15 no total superando Müller). Cafu fez a partida de número 19 em Copas – um recorde brasileiro – e a Seleção chegou à marca de 201 gols em Mundiais da Fifa. Os outros gols da partida foram marcados por Adriano e Zé Roberto.

É, mas o sonho do hexa terminaria na fase seguinte, nas quartas de final. E de novo tendo a seleção francesa e um certo “carequinha” chamado Zidane como carrasco.

Zizou deitou e rolou neste jogo. Deu até lençol no Fenômeno. Destruiu. Aos oito minutos do segundo tempo, em uma cobrança de falta de longa distância ele achou Thierry Henry na grande área, que fuzilou o goleiro Dida, de primeira.

Era o fim do sonho do hexa.

Com Zidane fazendo os últimos jogos de sua carreira a França chegou à final para enfrentar a Itália. A partida foi uma das mais emocionantes da história das Copas.

A França abriu o marcador com Zidane aos sete minutos do primeiro tempo. Valente, a Squadra Azzurra foi em busca do empate e conseguiu aos 19 minutos do primeiro tempo com o zagueiro Materazzi.

Os autores dos gols da partida se envolveriam ainda em uma confusão na prorrogação. O zagueiro italiano catimbou, xingou Zidane que revidou com uma cabeça no peito do italiano. O juiz expulsou o craque francês e deu um fim melancólico à carreira do maestro do título francês de 1998.

A decisão foi para os pênaltis. Um verdadeiro pesadelo para a Seleção Italiana, que jamais vencera uma decisão nas penalidades em uma Copa do Mundo. Mas naquele dia 9 de julho de 2006 a história seria diferente.

Pirlo abriu a sequência de cobranças para a Itália convertendo. Wiltord deixou tudo igual para a França. Materazzi não desperdiçou para os italianos. Trezeguet mandou um balaço e a bola explodiu na trave. De Rossi colocou os italianos na frente. Abidal manteve a França viva. Del Piero não desperdiçou. Sagnol fez o último da França. A decisão ficou nos pés do lateral Fabio Grosso e ele não desperdiçou. Com um chute certeiro ele garantiu o tetra da Itália colocando um ponto final em um jejum que já durava 24 anos. Festa na Itália. O Mundo voltava a ser Azzurra. E foi assim que Manaus viu a Copa do Mundo de 2006.