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A Copa do Mundo no Brasil já se transformou também na 'Copa do bom humor'

As piadas em forma de memes compartilhadas nas redes sociais e aplicativos móveis chamam tanto a atenção quanto os gols e as seleções neste Mundial - e mostra o que o brasileiro sabe fazer de melhor: não perder nenhuma piada


Brasileiros vêem situações e casos polêmicos da Copa do Mundo com muito humor

Brasileiros vêem situações inesperadas e casos polêmicos da Copa do Mundo com muito humor (Reprodução)

A instantaneidade da Internet transformou a Copa do Mundo de 2014 na mais bem humorada de todos os tempos. Diante dos holofotes no Mundial, não há nada nem ninguém que escape à observação atenta dos internautas torcedores. Ganhar ou perder virou detalhe para as piadas que circulam como vírus, principalmente nas redes sociais e aplicativos móveis de mensagens instantâneas, minutos depois do registro das câmeras em campo.  

Antes mesmo dos jogos começarem, a tradução equivocada das placas de trânsito bilíngues instaladas na cidade por ocasião da Copa já rendia piadas na internet. Logo depois, com a abertura, a performance de Cláudia Leitte e o gol contra do brasileiro Marcelo no primeiro jogo da Copa foi apenas o start para a curtição criativa dos internautas.


O humor expõe uma das formas mais brasileira de crítica: a sátira. A insatisfação com a cerimônia de abertura, ao invés de limitar-se às reclamações, gerou vários comparativos com outras festas populares do País, suntuosas em suas ornamentações, como a festa junina de Campina Greande, o Carnaval do Rio do Janeiro ou até mesmo o Festival Folclórico de Parintins.

Ninguém sai impune: o humor dos brasileiros já encontrou formas de abordar de forma igualmente debochada e irônica as atuações apáticas de Fred, a arbitragem pró-Brasil do juiz na partida inaugural contra a Croácia, a atuação do goleiro mexicano Ochoa no jogo segundo jogo da Seleção e a eliminação da Espanha da Copa do Mundo.


Com a viralização possibilitada principalmente pelos serviços de mensagens instantâneas como o Whatsapp, essas piadas são repassadas a milhões de pessoas em poucas horas, unindo o País não só nos estádios e na frente das televisões, mas também no riso e conversa miúda.

Segundo o professor universitário e especialista em mídias sociais Gilson Monteiro, essas manifestações são normais e naturais. "O raciocínio é o mesmo de quando a Copa foi em outros países. O Brasil sempre foi um lugar que gostou de Copa, não ia ser diferente dessa vez. O que acho é que criou-se uma consciência de que o evento é organizado por uma entidade privada que interfere, inclusive, nas leis do País anfitrião se ele não se impuser", disse ele.


Apesar da revolta, o professor acredita que o brasileiro, de um modo geral, relaxou. "Já houve uma aceitação. A maior parte da população nacional deixou de lado a mentalidade do 'não vai ter Copa', deixou de ir às ruas, e preferiu encarar o fato da seguinte forma: uma vez que está acontecendo, é melhor nos divertirmos", declarou Monteiro.

Isso gera uma necessidade de compensação das frustrações com o Mundial, segundo ele. "Essas manifestações nas redes sociais são, de certa forma, uma busca por catarse. O fato de que a maior parte delas é de cunho humorístico se relaciona muito com isso, devido ao fato do próprio humor ser, em essência, uma busca por catarse", finaliza.

O professor ainda comentou sobre o legado que o Mundial pode deixar, para além dos comediantes de Whatsapp. "Tive o prazer de assistir Camarões e Croácia na Arena da Amazônia e o que vi foram amazonenses dando um show de educação e de bom atendimento. Isso deveria ser regra, não exceção. No final das contas, com ou sem manifestações nas redes sociais, isso pode ser o maior legado da Copa, tanto aqui quanto no Brasil inteiro", disse Gilson.