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Craque entrevista Hulk: "Tenho a confiança de todo mundo"

Em entrevista exclusiva ao CRAQUE, o atacante da Seleção Brasileira falou, entre outros assuntos, como superou a desconfiança da torcida para se tornar um dos craques da Copa do Mundo

Atacante vem se constituindo em um dos principais nomes da Seleção Brasileira

Atacante vem se constituindo em um dos principais nomes da Seleção Brasileira (Clovis Miranda)

No cinema e nos quadrinhos, o personagem criado pela Marvel, o cientista Bruce Banner, tem o seu DNA modificado depois de ser contaminado por raios gama. Graças a isso, toda vez que ele fica irritado, se transforma em Hulk, um monstro verde de proporções e força descomunais. É, mas um brasileiro nascido em Campina Grande, interior da Paraíba, nunca precisou de energia radioativa para ficar grande e forte. O Hulk brasileiro é “gigante” pela própria natureza.  E, diferente do personagem que inspirou a apelido, ele é calminho, calminho.

Quando estrou com a camisa canarinho, Hulk era contestado pela torcida. As vaias eram constantes. A preferência de boa parte dos torcedores era pelo meia do PSG, Lucas. Também pudera. Lucas conseguiu ser ídolo de um grande clube brasileiro como o São Paulo. Hulk, não.

Depois de ser revelado pelo Vitória, ele deixou o Brasil cedo. Rodou por clubes do futebol japonês até ser contratado pelo Porto. Lá ele explodiu para o futebol e até chegou a receber convites para defender a seleção de Cristiano Ronaldo. Ele não quis, achou melhor esperar a chance de vestir a camisa da Seleção mais vitoriosa do mundo.

A oportunidade veio na gestão de Mano Menezes. Na época, ninguém entendia a “insistência” do treinador com aquele atacante brutamontes. Hulk seguiu sendo convocado e foi até medalha de prata nos  Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Mano se foi. Felipão voltou e quem pensava que jogador perderia espaço, caiu do cavalo.

Givanildo seguiu absoluto. Venceu a desconfiança da torcida, conquistou o título da Copa das Confederações e agora é titular absoluto e também é um dos queridinhos da torcida, principalmente feminina.

O CRAQUE teve uma conversa exclusiva com o meia-atacante da Seleção Brasileira depois do jogo contra Camarões, ainda em Brasília. Nesta conversa, ele falou sobre como superou a desconfiança geral, o papel dele no time de Felipão, revelou um detalhe interessante sobre o esquema tático do time e ainda deu a receita do que o time precisa fazer para vencer hoje o Chile no Mineirão.

O ataque da Seleção Brasileira nitidamente caiu de produção contra o México, partida em que você não atuou. No jogo contra Camarões você voltou ao time e a vitória veio de forma mais fácil. Isso mostra o quanto você é importante na equipe, não é mesmo?

Fico feliz de ter voltado e de estar aqui, na Seleção Brasileira. Quando se faz gols as pessoas sempre veem de outra maneira, mas o jogo contra o México foi bom. Infelizmente não ganhamos. Hoje fica a diferença que a equipe entrou mais motivada e os gols fazem a diferença.

No jogo contra Camarões você teve algumas oportunidades de fazer gols, mas ainda não conseguiu. É a ansiedade de marcar o primeiro gol na Copa?

Não fico com isso (ansiedade). A gente fica com vontade de fazer gol, mas tudo no momento certo. O mais importante é a vitória. É ficar tranquilo. Quando ganhar, ganhar bem como foi contra Camarões, representando bem o nosso futebol. É isso que é importante.

E fisicamente o Hulk já está 100% bem?

Eu me sinto bem, graças a Deus. Corri para frente e para trás tentando ajudar os outros. Tenho a confiança de todo mundo. A minha saída no jogo contra o México foi opção do treinador e a gente tem que respeitar. Contra Camarões ele optou por mim e consegui entrar e ajudar a Seleção.


Historicamente o Chile é freguês do Brasil, mas a sua geração teve uma certa dificuldade quando cruzou com o time...

O Chile é uma grande seleção, merece respeito e merece concentração máxima quando se joga contra eles. Vamos trabalhar nisso sabendo que nós estamos enfrentando uma grande seleção. 


Na Copa das Confederações você era muito criticado. Muita gente chegou a te vaiar, pediam o Lucas e agora a situação mudou. A Seleção e a torcida sentiram a sua falta no jogo contra o México e hoje você é um dos jogadores mais aplaudidos pela torcida. Como você analisa essa mudança?

Fico feliz. Sabia que poderia fazer com que acontecesse isso. O Felipão me deu total confiança, não só ele, mas como toda a comissão técnica. Eles sabiam do meu potencial, do meu trabalho. A torcida passou a me conhecer depois da Copa das Confederações. Hoje já conhece, já sabe como joga o Hulk e graças a Deus tenho o carinho de todos eles (torcedores) e procuro retribuir da melhor maneira possível.

Das seleções que você viu jogar qual foi a que mais te chamou atenção?

Todas as seleções que passaram (de fase) fizeram por merecer. É difícil apontar uma seleção...

A Costa Rica te surpreendeu?

Costa Rica surpreendeu merecidamente, fez grandes jogos e mereceu passar de fase e merece respeito pelo que fez.


No jogo contra Camarões, a Seleção voltou a fazer aquele estilo de jogo que se tornou marca registrada do time durante a Copa das Confederações, que é jogar pressionando o adversário em seu campo de defesa. Na Copa do Mundo, a Seleção não estava fazendo isso. O que aconteceu? Foi o Felipão que trabalhou isso com vocês, para que o time voltasse a jogar desta forma?

Não. Isso é conversa dos jogadores mesmo. Fazendo isso a gente sabe que fica difícil para o adversário jogar. Fizemos isso contra Camarões e vamos continuar fazendo.

Qual é o segredo para bater o Chile nas oitavas de final desta Copa do Mundo?

Entrar concentrado, procurar não errar e saber que estamos enfrentando um grande adversário.