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Croatas invadem Largo de São Sebastião na véspera do jogo contra Camarões desta quarta

Vários turistas oriundos do país da Europa Oriental chegaram a Manaus cheios de curiosidade e expectativa e tiveram opiniões distintas sobre a cidade

Assim como turistas que estavam em Manaus na semana anterior, croatas foram recebidos com alegria e carinho pelos amazonenses

Assim como turistas que estavam em Manaus na semana anterior, croatas foram recebidos com alegria e carinho pelos amazonenses (Evandro Seixas)

Na véspera do jogo entre Camarões e Croácia na Arena da Amazônia, vários turistas oriundos do país da Europa Oriental chegaram a Manaus cheios de curiosidade e expectativa. Uma porção deles se concentrou na área do Largo de São Sebastião, no Centro Histórico da Capital, para curtir um evento musical promovido pela Secretaria de Estado de Cultura.

Lotando mesas não só do já badalado Bar do Armando, os croatas se espalharam também pelos tradicionais Bar do Pensador e African House, onde bebericavam cerveja e ouviam um bom samba: coisa mais brasileira não há.

Lea Kapun e Marin Zvonarevic, ambos de 25 anos e funcionários de um banco em Zagreb, capital da Croácia, chegaram a terras tupiniquins no último domingo (15) e passaram os últimos dois dias em um passeio na selva. "A Amazônia é incrível, foi ótimo termos a oportunidade de conhecer", disse Lea.

Com relação a Manaus, no entanto, o casal apontou um cenário diferente: "Serei honesta com você. Achei que a cidade teria mais coisas para se fazer. Tem pouquíssimos restaurantes, quase nenhuma wi-fi à vista. Gostamos bem mais de conhecer a selva, é diferente para nós", disse a croata.

Como o dia em que tinham para conhecer a cidade coincidiu com um jogo do Brasil, eles encontraram tudo fechado, o que os decepcionou muito. "Tentamos ir ao Mercado Municipal hoje, mas não estava mais aberto quando chegamos. Depois, até os restaurantes fecharam! Achamos uma pizzaria perto daqui que ficou aberta e é tudo o que comemos desde então", explicou Lea.

"Eu creio que a cidade poderia ganhar tanto dinheiro com turismo, com vendas e serviços para as pessoas que estão visitando, mas o que vejo são oportunidades perdidas. Achei Manaus, como um todo, pouco preparada para a Copa", confessou ela.

Marin ainda comentou a desonestidade de certas pessoas da cidade para com os turistas "Pessoas tentando nos vender água a R$ 2 e vendendo para outras pessoas a R$ 1, essas coisas. Isso, especificamente, aconteceu aqui nesta rua", disse, apontando para a rua Barroso. Lea completou: "Entendo português, então é uma situação bem chata".

Marin elaborou um pouco mais sobre a sua impressão. "O que ouvimos dizer é que esta foi uma cidade muito rica, devido ao auge da borracha. Vemos que a arquitetura desse tempo ficou, mas não está não tão bonita quanto antes. Ainda assim, essa parte da cidade é legal. O resto não nos impressionou muito", falou ele.

Quando comentei que Manaus é uma das cidades mais ricas do país, mas sofre com o problema de concentração de renda que atinge todo o Brasil, Lea disparou, perspicaz: "A culpa é dos políticos, não é?". Certas coisas, pelo visto, são iguais em qualquer lugar do mundo.


Tour pelo Brasil

Já Jakov Monic, 37, e Michael Perica, 36, têm uma opinião totalmente diferente. Assim que fiz minha primeira pergunta, abriram sorrisões e mandaram em alto e bom som: "Estamos adorando Manaus! É o lugar que mais gostamos do Brasil até agora!".

Eles foram a São Paulo ver o jogo de abertura e depois foram para o Rio de Janeiro, "só para experimentar aquele lugar, que é inacreditável", segundo Jakov, que é médico e filho de croatas. "Nasci em Toronto, no Canadá, mas minha ligação com a Croácia é muito forte", diz ele.

Depois de passarem três dias no Rio, desembarcaram nesta terça-feira (17) na capital amazonense e estão se divertindo como nunca. "Eu digo uma coisa a você: essa festa, esse clima, essa atmosfera, você não encontra em nenhum lugar do mundo, nem no Rio de Janeiro. As pessoas aqui são muito calorosas, muito receptivas. Não passamos três minutos sem que alguém nos aborde, fale conosco, pergunte se somos da Croácia. Parece que nunca viram a nossa bandeira e ficam maravilhados", explicou o médico.

Michael, que é gerente de vendas e, como Jakov, mora em Toronto, está triste por ter de voltar na madrugada de quinta-feira (19), poucas horas depois do jogo. "Tenho que voltar para o trabalho, mas é uma pena, realmente. Aqui é um lugar fantástico e puxa, considerando que já vim para cá, queria aproveitar mais", refletiu ele.

Jakov ainda está esperançoso que uma troca de passagens dê a ele e sua mulher mais dois dias na "terrinha". "Estou falando com a companhia aérea e torcendo para que o hotel onde estamos tenha vagas para esses dias. Raios, não sei se um dia voltarei à Amazônia, quero conhecer tudo o que puder", afirmou.

Nesse momento, o médico me pergunta o que eu recomendaria que ele visitasse sendo que ele só tem a manhã do dia 18 para fazer isso. Pergunto se o foco dele é história ou biologia, ao que ele responde biologia. Recomendo o Encontro das Águas e que ele visite, no tempo que sobrar, ou o Bosque da Ciência ou o Cigs. "Puxa, muito obrigado, pode deixar que eu vou visitar", disse Jakov, visivelmente animado.

Michael ainda foi mais enfático. "Sinceramente, eu acho que a própria seleção do Brasil deveria vir jogar aqui. Eles estão perdendo um ótimo lugar", disse o croata. Quando expliquei que é verdade que muitos brasileiros não conhecem Manaus, ele reforçou: "Está vendo? É uma pena mesmo. Estou muito feliz que a Croácia tenha vindo para cá. Se isso não tivesse acontecido, eu teria deixado de conhecer essa cidade incrível".

E quando o assunto é futebol...

"Sou uma grande fã de futebol", disse Lea. Quando pergunto sobre as expectativas pro jogo de amanhã, ela não conta conversa. "Bom, eu creio que temos um time melhor. Só por isso, acho que conseguimos ganhar. Considerando ainda o fato de que Eto’o provavelmente não jogue, talvez ainda ganhemos com uma larga margem", explicou ela.

"É, considerando que perdemos do Brasil na estreia, precisamos dessa vitória para termos uma chance de continuar na Copa então, é, esperamos vencer sim. Esperamos passar nossa última noite em Manaus comemorando", concluiu Michael.