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Formar atletas campeões de MMA exige ‘exército’ de profissionais

Custos para manter vida de esportistas em Artes Marciais Mistas são ainda maiores. Série do CRAQUE mostra que ser atleta de alto nível requer também muito investimento

Leandro Paiva (à esquerda) cuida da preparação de Mario Israel

Leandro Paiva (à esquerda) cuida da preparação de Mario Israel (Euzivaldo Queiroz)

As Artes Marciais Mistas são uma febre nos quatro cantos do planeta. A cada hora surgem novos talentos sonhando com o estrelato proporcionado pelas lutas. Porém, assim como em qualquer outra modalidade, os gastos no MMA também são muito altos.

Para ser um lutador de alto nível, um atleta precisa contar com uma super equipe. Isso inclui quatro técnicos, preparador físico, fisioterapia, nutricionista, psicólogo e um médico especialista. Segundo Leandro Paiva, personal e autor do livro “Pronto pra Guerra”, sem patrocinador ou parcerias, um atleta de MMA gasta por mês em torno de R$ 3 mil.

“Esse valor (R$ 3 mil) é para atletas que ainda não tem lutas marcadas. Com um confronto agendado, o valor é bem mais alto, os gastos com as despesas chegam a U$ 10 mil”, disse Paiva – que há três meses é preparador físico do lutador Mario Israel.

“Precisamos entender, que a equipe de um lutador pode mudar de acordo com o adversário dele. Às vezes o atleta precisa contratar um técnico especifico que vem de outro Estado ou ate mesmo de outro País, e nesse caso tem que bancar passagem, hospedagem e alimentação”, comentou.

Mario Israel entrou para o mundo as artes marciais há três anos e assim como a maioria dos atletas, não teve um início fácil. Mas os bons resultados os ajudaram e hoje ele conta com uma boa equipe, tem muitas parcerias, mas ainda sim tem um gasto alto, principalmente com a suplementação alimentar.

O atleta de MMA conta com o apoio do médico Gilberto de Paula, bioquímico João Avelino, o professor de Educação Física Silas Nery, Cássio Silva e Pastor Aldrin (técnicos de boxe), Rodrigo Saavedra (técnico de Muay Thai) e Dagoberto Arbolaez  eValdecir Silva (técnicos de Luta Olímpica), além claro do preparador físico, Leandro Paiva.

“O início foi complicado, eu fazia o que dava, o que era possível. Ainda hoje tenho um gasto alto, mensalmente chego a gastar uns R$ 3 mil, R$ 1200 só com suplementação. Não é fácil ser atleta de alto nível, mas é um bom investimento e por isso tudo vale muito a pena”, disse Mario Israel – que com uma equipe multidisciplinar a disposição e não tem histórico de grandes lesões.

Sem apoio

Mas, infelizmente, nem todos os atletas conseguem sobreviver à falta de apoio. Mesmo os grandes destaques, promissores e talentosos, às vezes, são obrigados a desistir do esporte. Esse é o caso de Igor Cazal, que nos anos 2000 roubou a cena no cenário local e nacional do atletismo e que trabalha como segurança há quase 10 anos.

Atleta do arremesso de disco, ele atingiu o auge aos 15 anos. Participou de muitos campeonatos brasileiros e torneios regionais da modalidade. E chegou inclusive a derrotar, algumas vezes, o paulistaRonald Julião – que este ano alcançou a melhor marca no lançamento do disco masculino, com 65,55 metros.

Cazal não teve a mesma sorte do seu adversário paulista. Aos 17 anos, sem saber lidar com as pressões, o rendimento caiu, e para completar a fase conturbada, ele sofreu uma lesão grave no cotovelo e foi praticamente obrigado a abandonar o atletismo. No auge, sem apoio e condições para fazer um tratamento, o talentoso atleta teve que desistir do esporte.

“Eu participei de pelo menos seis Brasileiros, torneios locais e regionais eu perdi a conta. Depois de um ótimo resultado nos Jogos da Juventude de 2002 fui considerado o segundo melhor atleta do Brasil no arremesso de disco. Mas por conta da lesão no meu cotovelo não tive como continuar”, contou Igor Cazal.

“Entre os anos 2000 e 2002, quando Roberto Gesta era presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, nós contávamos com um apoio do centro de alto rendimento, foi uma época muito boa para o atletismo local. Mas, depois disso tudo mudou. Eu não fui o único atleta que desisti, vários amigos seguiram o mesmo caminho, infelizmente”, acrescentou.

Assim que parou de competir, Igor Cazal arrumou um emprego como segurança, profissão que ele segue até hoje.