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Antonio Piola foi o primeiro a levantar a voz contra os abusos

O ex-craque comenta sobre os casos de aliciamento e exploração sexual nas categorias de base do Amazonas

Antonio Piola

Antonio Piola (Érica Melo)

Com um histórico respeitável no futebol amazonense e conhecedor dos bastidores da bola, Antônio Piola, 68, reafirmou o que, segundo ele, todos sabem, mas ninguém tem coragem de denunciar: o aliciamento e exploração sexual nas categorias de base.

De acordo com Piola, as categorias abaixo da profissional estão entregues a pessoas sem formação técnica e preparo psicológico para lidar com crianças e jovens, e que se aproveitam da condição de dirigentes e da preferência sexual para aliciar os garotos que têm no futebol um sonho de realização profissional. Leia-se categoria de base a faixa etária abaixo de 20 anos (sub-20). “Todo mundo sabe que existe, mas ninguém fala nada. Isso é de indignar. O silêncio ou as ‘vistas grossas’ para esse caso não ajudam. Temos que ter coragem para denunciar a atuação condenável e nojenta de homossexuais sobre nossas crianças e jovens do futebol. Há o aliciamento claro sobre menores em troca de vaga no time, ou mesmo da condição de titular. É vergonhoso”, indignou-se Piola, durante conversa sincera e exclusiva com o CRAQUE.

O eterno ídolo do Fast Clube faz, porém, uma ressalva: garante não ter nada contra quem tem preferência por pessoas do mesmo sexo. “Vale frisar bem que eu não sou contra os homossexuais. Não há qualquer preconceito de gênero da minha parte. Cada um que faça o que quiser da sua vida por direito. O que condeno é a atuação sórdida de dirigentes, técnicos ou auxiliares gays sobre a inocência e a boa vontade de crianças e jovens que sonham fazer carreira do futebol. Essas pessoas não têm condição técnica e muito menos moral para atuar na base do futebol”, assevera.

Conforme Piola, há que se fazer nos clubes locais uma varredura a fim de moralizar o futebol, começando pela base, por ser 2014 um ano de Copa do Mundo. “Manaus é a cidade-sede do Norte do País. Não podemos ter essa mácula (pedofilia) nas categorias inferiores”. A seguir, trechos da conversa com Antônio Piola.

O que o levou a trazer à tona essa denúncia tão grave?

Todo mundo sabe, mas ninguém fala nada: 80% a 90% das categorias de base são comandadas por homossexuais. Nada contra o fato da opção sexual deles. Que isso fique bem claro. Mas trata-se de pessoas sem formação técnica e condição moral para estar trabalhando com crianças e jovens. É por essa e outras que o nosso futebol não evolui. As categorias de base são o eixo da cadeia de formação profissional. Se nossos jovens e crianças estão sendo aliciados, que tipo de profissional teremos no futuro? Temos que acabar essa doença na base do nosso futebol. A bem do futuro desses jovens.

O que fazer então para livrar a base do futebol local dessa situação?

Fazer uma varredura nos clubes, que devem ser mais criteriosos e exigentes com quem vai cuidar das categorias inferiores do futebol amazonense. A Federação Amazonense de Futebol (FAF) deve oferecer cursos de formação e atualização para treinadores. O Conselho Regional de Educação Física (Cref) deve fiscalizar e banir quem não tem condição e formação técnica do futebol. Os órgãos competentes devem agir com rigor sobre essa questão. Estamos falando de pedofilia, um crime considerado hediondo. A punição deve ser severa. São crianças inocentes sendo enganadas, seduzidas por gente mal intencionada, descarada. É hora de acabar com isso.

O senhor foi vítima de aliciamento quando iniciou sua carreira no futebol?

Nunca. Naquela época as categorias de base eram entregues para pessoas compromissadas. Eram ex-jogadores dignos de ensinar o que aprenderam aos jovens e crianças. Era outro tempo. O futebol estava limpo, sem gente com segundas intenções em relação às crianças.

Há alguma facilitação por parte dos dirigentes dos clubes?

Não sei se há facilitação proposital. Hoje os clubes locais estão todos de pires na mão. Eles não têm condição de pagar um salário digno a quem tem formação. Então acabam dando a base de mão beijada a esses homossexuais, que já têm uma sistemática de atuação, sabem quem é quem, quem joga bem, onde mora. São pessoas que têm articulação e se usam disso para aliciar. Interessados em arrumar espaço nos clubes, os garotos acabam cedendo, são subjulgados a isso. Na maioria, são crianças e jovens pobres e aí entra também o aliciamento financeiro por parte dos pedófilos. É um esquemão sujo. Acho que a primeira atitude é o próprio presidente de clube ser mais criterioso na escolha de quem vai cuidar das categorias de base.

O senhor aceitaria um convite para dirigir a categoria de base de algum clube?

Tranquilo. Tenho não somente a experiência de mais de 50 anos de futebol, mas, sobretudo, formação acadêmica. Sou graduado em Educação Física, fui professor universitário e fiz uma especialização em futebol na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Convivi com Claudio Coutinho, Carlos Alberto Parreira, Ernesto Santos e outros grande teóricos do futebol. Quando voltei, entrei para o quadro docente da faculdade de Educação Física da Ufam. Eu já tenho um trabalho consolidado de escolinha de futebol há alguns anos. Tenho até projetos sociais, mas estão parados por falta de apoio. Eu acharia difícil era algum clube se dispor a pagar um salário compatível e oferecer condições estruturais mínimas para eu trabalhar. Mas, feito isso, eu toparia sim.

O senhor acha que hoje o Amazonas seria capaz de revelar talentos na base para o futebol profissional?

Do jeito que está, é impossível. Antigamente, nós já jogávamos no profissional ainda com idade de juvenil. Tínhamos identidade com o clube. Só subia de categoria quem tinha a credencial da base. O jogador já chegava no time principal como ídolo, porque a torcida já conhecia, acompanhava o trabalho feito nos clubes.

Como funciona o trabalho na sua escolinha de futebol?

Funciona no campo do clube da Polícia Federal. É um campo de areia. É o que temos hoje. Mas o trabalho de base eu lhe garanto que é bem feito. Eu trabalho todos os fundamentos do futebol, tudo que é possível fazer com criança dentro e fora de campo para que, antes de ser um jogador, seja um cidadão. Mostramos a elas a parte básica, fundamentos, enfim, o que é o futebol. Se não sair um atleta da escolinha, sai um homem. O que é bom.

Que exemplos devemos seguir para termos uma categoria de base decente no futebol amazonense?

Repare você na Alemanha de hoje. É o país onde estão os clubes bem mais estruturados e ricos, os melhores jogadores, tanto que o atual campeão da Champions League é o Bayern de Munique. Antigamente, o time da Alemanha era de jogadores durões. Hoje eles são mais técnicos que os brasileiros. O trabalho foi feito nas escolinhas há dez anos quando contrataram técnicos, psicólogos, nutricionistas, fisiologistas para trabalhar nas categorias de base. São verdadeiros craques hoje. O futebol foi adotado como prioridade inclusive nas escolas. Se fizermos ao menos a metade disso, a coisa já evolui.

Frases

“Que fique claro que eu não tenho nada contra os homossexuais. Sou contra quem usa a opção sexual e a condição de comando nas categorias de base do futebol para usurpar crianças” - Antônio Piola, ex-jogador e ídolo do Fast