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Exploração sexual nas categorias de base quase não é denunciado

Casos de estupros de vulneráveis e exploração sexual crescem em Manaus, mas registro de ocorrências relacionadas ao futebol não passa de cinco em três anos; comprovação é mais difícil

Exploração sexual nas categorias de base não é denunciado

Exploração sexual nas categorias de base não é denunciado (Winnetou Almeida)

De acordo com a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), de 2010 a 2013 foram registrados em Manaus cinco casos de abuso sexual a menores envolvendo professores de escolinhas de futebol. E os dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública apontam que de janeiro a outubro do ano passado, 876 crianças foram estupradas ou sofreram exploração sexual.

No Código Penal Brasileiro, é considerado estupro de vulnerável a conjunção carnal ou a prática de outro ato libidinoso com menor de 14 anos. A pena é de 8 a 15 anos de reclusão. Já para quem explora sexualmente crianças e adolescentes a pena é de 4 a 10 anos, segundo informações da Depca.

“Uma pessoa que abusa de uma criança ou de um adolescente menor de 14 anos e oferece algo em troca do ato será acusada de estupro de vulnerável e também de exploração sexual, podendo cumprir até 25 anos de reclusão”, explicou a delegada Linda Glaucia.

A delegada revelou que dos cinco casos citados pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, um aconteceu em 2010, no bairro Santo Antonio, Zona Oeste de Manaus, quando um técnico de futebol violentou uma criança de apenas nove anos.

“Eles (criança e o técnico) moravam no mesmo condomínio, os pais do menino conheciam o treinador, que depois de estabelecer uma relação de amizade com a família começou a convidar a criança para jogar videogame na casa dele. Um dia a mãe foi chamar o filho e achou estranho porque o então professor de futebol demorou muito para abrir a porta e por isso ela resolveu procurar a delegacia”, contou Linda Glaucia.

“E nós descobrimos que o treinador aliciava a criança, fazia carinho no órgão genital, no ânus e também beijava a boca da criança. Depois da comprovação do ato nós conseguimos prender o técnico”, completou a delegada.

Linda Glaucia também explicou que quando o abuso acontece com meninos, se não houver flagrante, fica mais difícil de conseguir provas para prender o acusado, principalmente se o ato tiver ocorrido há algum tempo.

“Na verdade, quando uma menina sofre um abuso nós conseguimos provar isso através de um exame de corpo de delito, caso o ato tenha sido consumado. Mas em casos com meninos é mais complicado: o ânus volta ao normal facilmente e por isso nem sempre conseguimos descobrir o que aconteceu através de um exame. Aí temos que fazer um trabalho delicado com o menor, para que ele se sinta protegido e à vontade para revelar o que de fato aconteceu. É a palavra da criança contra a do acusado”, pontuou.

Aliciadores são gentis e inspiram confiança

A delegada Linda Glaucia faz um alerta aos pais quanto ao perfil do abusador. Segundo ela, eles são muito gentis, dizem que adoram crianças e sempre arrumam um jeito de ficarem sozinhos com elas.

“É claro que nem todo mundo que gosta de criança tem segundas intenções. Mas os pais devem sempre ficar com um pé atrás e não confiarem em qualquer um”, disse.

Ainda segundo a delegada, é considerado pedófilo qualquer pessoa que manifeste interesse sexual por crianças.

“Não há justificativa, a pessoa que abusa sexualmente de uma criança, para mim, é um pedófilo sim e deve pagar pelo crime judicialmente”, pontuou.

Linda também revelou que agora a polícia não precisa mais da autorização dos responsáveis para iniciar uma investigação sobre assédio a menores.

“Antigamente a polícia só podia começar uma investigação com uma autorização dos pais. Mas hoje as coisas são diferentes e nós podemos investigar um caso de imediato”, afirmou.

Para abrir inquérito

O inquérito só pode ser aberto quando o Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) entrega o laudo que identifica que a criança ou o adolescente sofreu o abuso sexual.

12,5% foi o aumento de casos de crianças estupradas e exploradas sexualmente, no comparativo de 2012 a 2013 (até outubro). Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), em 2012, 754 menores foram abusados e 24 explorados. De janeiro a outubro de 2013, o número saltou e foram registrados 833 casos de estupros e 43 de corrupção de menores em Manaus.