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O que dizem os dirigentes sobre os casos de abuso sexual

Comandantes do futebol amazonense comentam denúncias de exploração sexual na base

Denúncias de exploração sexual nos times de base amazonenses

Denúncias de exploração sexual nos times de base amazonenses (Winnetou Almeida)

O aliciamento sistematizado na base do futebol amazonense envolve direta ou indiretamente os clubes locais, mas nenhum deles admitiu ter havido um só caso.

A Federação Amazonense de Futebol (FAF) se diz contrária à prática e que nunca registrou denúncia do tipo, segundo o presidente Dissica Valério Tomaz. “Isso é nefasto para o futebol. Mas já houve a diminuição de 80% de conversas a respeito desse comportamento. A FAF é duramente contra qualquer tipo de crime contra crianças e jovens. O dia em que houver uma denúncia desse tipo, tenha certeza que vamos apurar e tomar as providências cabíveis”, assegura Dissica.

Atual presidente do Nacional, Mário Cortez, afirmou que em sua gestão jamais houve algum caso do gênero. Cortez, todavia, disse saber que existe o aliciamento de jogadores. “Essa questão da pedofilia nas categorias de base é um fato concreto. Cada clube tem obrigação de observar bem os profissionais que vão cuidar de crianças e jovens. Esses profissionais devem ter formação técnica e estar livre de vícios ou perversões sexuais contra menores”, comentou o comandante do Leão da Vila, anunciando o nome de quem vai cuidar das categorias de base este ano. “Vai ser o Robson Ferreira de Silva, o Garanha, jogador identificado com o clube e que todos sabem do bom caráter. Eu jamais permitiria um profissional com perfil de pedófilo no Nacional”.

O Fast Clube diz não ter notícia de treinador pedófilo ou jogador aliciado. Mas o advogado do clube e vice de futebol, Edson Rosas, admite existir a exploração sexual sobre os garotos da base em outros clubes. “Isso é um fato. Mas aqui no Fast procuramos ser extremamente criteriosos com os profissionais que cuidam da base justamente para afugentar gente com esse perfil”.

Holofernes Leite, presidente do Princesa do Solimões, atual campeão estadual profissional, é incisivo quando se refere a exploração sexual: “Isso é condenável. É caso de caso de polícia. Eu não apoio técnicos com esse perfil em nenhuma categoria no Princesa. Tenho respeito pela base, porque envolve muita criança. Lá (no Princesa) o negócio é sério. Só dirige a base quem tem condição moral e formação”. No São Raimundo, as categorias de base são terceirizadas a ex-ídolos do time: Delmo e Donizeti. “Ambos têm caráter, fazem parte da história do clube e estão cima de qualquer suspeita. Eu estou tranquilo”, afirma o diretor de futebol do São Raimundo, Josildo Oliveira. “Sabemos que criança é levada pelo que se diz. Então temos que ter pessoas boas na base. Temos que banir pedófilos do futebol”.

No Penarol, a presidente Patricia Serudo pretende “revolucionar” o futebol, a começar pela base. Os pais participam do processo assinando, inclusive, um termo de compromisso. “Assim, há mais confiança no trabalho”.

Cref promete fiscalizar

O Conselho Regional de Educação Física (Cref) promete levar a cabo uma fiscalização mais severa sobre quem atua nas categorias de base do futebol local. O vice-presidente da entidade, Joniferson Vieira, diz que já há em curso um planejamento sobre formas de abordagem na fiscalização e a contratação de mais fiscais para apertar o cerco contra o mau profissional. “Já elaboramos uma cartilha com métodos de abordagem e vamos contratar mais fiscais para implementarmos uma fiscalização mais severa. Antes, íamos apenas em campo nos dias de jogos, em tese, o dia de trabalho. Agora, vamos estar mais presente nos treinos para observar melhor quem não se enquadra”, antecipa Vieira. Nos dias 24, 25 e 26 deste mês inclusive, haverá uma reunião formal com fiscais justamente para delinear a forma e o conteúdo da ação de fiscalização.

O dirigente explica que, para o caso de comprovação de exploração sexual por parte dos profissionais registrados, este serão enquadrados pela comissão ética do Cref, sob pena da perda do registro e de responder pela crime na justiça comum. “Há uma comissão disciplinar e ética no Cref que vai analisar o caso minuciosamente”.

De acordo com o Cref-, que engloba seis estados (AM, PA, AP, RR, RO e AC), para atuar em quaisquer categorias do futebol, o profissional deve ser devidamente registrado no Conselho, ter concluído o curso de bacharel em educação física, ou ter experiência comprovada em carteira de trabalho (quem não tem diploma superior).

As regras ficaram asseguradas pela lei 9696/98, que regulamentou a profissão de educador físico. No caso dos que não têm bacharelado, a lei considera a experiência na profissão, o que se chama de profissional provisionado.