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Novos tempos para ‘turbinar’ o handebol

Título mundial da seleção feminina deve melhorar as condições de quem luta pela modalidade


Clara Pantoja (de vermelho) e Dorivânia relembram os bons tempos

Clara Pantoja (de vermelho) e Dorivânia relembram os bons tempos (Lucas Silva)

O inédito título mundial de handebol conquistado pela Seleção Brasileira em Belgrado, na Sérvia, sugere novos tempos para a modalidade em nível nacional e refaz um saudoso exercício de memória para alguns amazonenses: no final de década de 1970 e início da de 1980, o handebol feminino baré esteve no topo do Brasil. No ano de 1976, a seleção amazonense sagrava-se campeã dos Jogos Escolares Brasileiros (Jebs), com direito a artilharia absoluta da competição da atacante Magali Barroso, que marcou 86 gols.

Dois anos mas tarde, o Amazonas voltava a subir no lugar mais alto do pódio dessa vez como campeão brasileiro adulto feminino, em Belo Horizonte, numa vitória inesquecível diante das donas da casa. “As mineiras eram as melhores naquela época e estavam preparadas para ser tricampeãs, mas nós estragamos a festa delas”, relembra a capitã e armadora central Clara Pantoja, hoje com 55 anos, que, na época, tinha apenas 18. “Ganhamos na raça, na garra. Foi marcante na vida de todas as jogadoras da equipe na época. É até hoje”.

Clara afirma que a conquista mundial do Brasil vai dar maior visibilidade ao handebol em nível nacional, além de atrair mais patrocinadores para as equipes que já estão em nível profissional. “Com certeza esse título mundial vai popularizar o handebol ainda mais no Brasil. Era a hora disso, pois o esporte sempre esteve escondido, sem investimentos, sem incentivo”, analisa a ex-atleta.

No âmbito estadual, porém, Clara faz um prognóstico não muito positivo da prática do handebol. “Essa juventude de hoje não quer saber de esporte. As meninas só querem ser ‘patricinhas’, viver penduradas no celular. É uma geração de mulheres um pouco alheia ao quanto é saudável em todos os aspectos a prática de esportes”, critica.

A ex-atleta chama a atenção para a necessidade de um trabalho de base forte nas escolas, hoje o único terreno que ainda abriga alguns curiosos e novos adeptos da modalidade.

Walmir na seleção

 Não se pode pensar no auge do handebol amazonense sem citar o nome de Walmir Alencar, 72, técnico das conquistas de 1976 e 1978 e protagonista do trabalho de base intenso levado a cabo na época. Walmir não fez somente bons atletas como ajudou a estruturar uma cultura pró-handebol nos clubes locais. A notoriedade do trabalho feito por Alencar o levou ao cargo de auxiliar técnico da seleção brasileira em 1983, quando o País conquistou o primeiro título internacional no handebol. “Fomos campeões sul-americanos em Buenos Aires, na Argentina. Esse título foi um marco para o handebol brasileiro”, diz Alencar.

A memória e o futuro

Atual presidente da Liga de Handebol do Amazonas, Jeferson Oliveira diz que o título mundial trará novos ventos para a modalidade. “Com certeza termos mais patrocínios e maior atenção da imprensa. Isso é histórico e muito positivo para o esporte, que passará a ficar mais conhecido”, considera.

O dirigente afirma que está em curso um razoável trabalho de base nas escolas, uma vez que os clubes não mais têm estrutura e recursos para investir no esporte amador. “Há uma visão de romantismo de que antes o handebol tinha mais resultado. Mas naquela época as atletas viviam para treinar. Hoje é diferente: os estudantes têm seus compromissos acadêmicos e com o vestibular e acabam treinando menos. Mas isso não quer dizer que não haja base. Hoje o Amazonas domina o handebol adulto feminino. Mas nas categorias infantil, juvenil já não é assim”, explica.

Material humano

Oliveira pondera, no entanto, que a falta de material humano e o amadorismo da modalidade no Estado ainda é uma realidade a ser superada, considerando o nível de profissionalismo nas regiões Sul e Sudeste. “Não tem atrativo porque o handebol aqui ainda é amador. Não há salário, não há clubes com boas estruturas. O último a ter handebol foi o Rio Negro. E isso faz tempo. Os atletas estudam, trabalham, fazem faculdade. O handebol acaba sendo uma espécie de hobby. Antigamente as atletas treinavam o dia inteiro. Mas isso não quer dizer que não haja novos talentos”, complementa. O maior evento local de handebol é a Taça Amazônia, que reúne atletas da Região Norte.Em geral Jefferson Oliveira acredita que conquista trará novos ventos para o esporte