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Tratamento ajuda as vítimas do abuso e assedio sexual a superar trauma

Psicólogo alerta sobre sintomas comuns das vítimas e indica postura de pais diante do problema

Psicólogo alerta sobre sintomas comuns das vítimas e indica postura de pais diante do problema

Psicólogo alerta sobre sintomas comuns das vítimas e indica postura de pais diante do problema (Winnetou Almeida)

Geralmente uma criança ou adolescente que busca espaço nas categorias de base do futebol sonha em se tornar um grande jogador, mas, infelizmente, em alguns casos esse sonho pode ser destruído em poucas horas pelo assédio ou abuso sexual, que causarão traumas que afetarão vários campos e de maneiras diferentes a vida desse menor. Mas, apesar de tudo isso, o psicólogo Thiago Brasil garante que com o tratamento certo e o apoio da família, a vítima consegue se recuperar, seguir em frente e até se interessar novamente por uma modalidade esportiva.

O profissional também afirma que é possível evitar esse “ataque” violento, mas para isso os pais ou responsáveis pelo menor devem ter atenção redobrada: acompanhar as atividades de perto, conhecer as pessoas com quem os filhos estão se relacionando, mostrar que eles têm liberdade para conversar sobre qualquer assunto e, principalmente, que serão defendidos de qualquer tipo de ameaça ou agressão.

O psicólogo também aconselha os pais a ficarem atentos quanto ao comportamento dos filhos. Qualquer sinal de tristeza e apatia podem ser sintomas de que algo errado está acontecendo e é preciso ficar em alerta.

“Não há uma regra, mas crianças e adolescentes que são assediados ou sofrem algum tipo de abuso mudam completamente o comportamento em casa. Elas ficam mais caladas e apáticas, esses são os primeiros sinais de que alguma coisa fora do normal está acontecendo”, explica.

Ainda segundo Brasil, esse assédio ou abuso pode ser acompanhado de uma promessa relacionada a algum ganho para aquela criança na prática esportiva, podendo trazer à vítima um sentimento de contribuir para que o abuso aconteça, ocasionando um sentimento de culpa, ou também pode ser mantido através de ameaças diversas pela própria condição de desvantagem que a criança se encontra diante do adulto.

“É necessário observar a reação da criança, pois em ambos os mecanismos citados acima que favorecem o abuso, a criança vê-se acuada, tem medo, vergonha, e muitas vezes não contam o que está acontecendo à sua família, por receio de não serem compreendidas. Em relação às promessas, no caso das escolinhas de futebol, o responsável pode oferecer uma vaga no time titular, ou presentes como chuteiras e uniformes esportivos, tudo para conseguir uma aproximação que facilite o ato abusivo ”, pontuou.

Outro ponto importante para que a criança possa seguir em frente e transformar o abuso em um episódio que teve início e fim, de acordo com Thiago Brasil, é o comportamento dos pais após a confirmação do ato.

“Os pais devem permitir que essa criança supere o que aconteceu. Por isso é importante é que eles não fiquem remoendo tudo. Depois de bem elaborada a situação na cabeça da criança, ela continua a se desenvolver normalmente”, afirmou.

Ainda de acordo com Thiago Brasil, na maioria dos casos, ter a confirmação sobre o assédio ou abuso não é uma tarefa simples, para isso é preciso manter a calma e ao primeiro passo suspeito informar as autoridades responsáveis para que as providências necessárias sejam tomadas o mais rápido possível.

“Ao descobrir que a criança foi violentada, os pais devem imediatamente procurar uma delegacia especializada em investigar casos de abusos sexuais contra menores para que o culpado seja encontrado o mais rápido possível e para que outras crianças não passem por essa situação”, alertou o psicólogo.

Thiago Brasil trabalhou no antigo programa Sentinela, que é conhecido atualmente como Serviço de Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes - e que trabalha na recuperação de vítimas que sofreram assédios ou abusos sexuais.

Para virar o jogo

Thiago Brasil destaca que o primeiro passo para recuperar uma criança ou um adolescente que foi violentado é observar suas atitudes e depois pedir ajuda profissional.

“Estas crianças precisam, sobretudo, ser observadas por seus pais/responsáveis. O abuso em todo e qualquer caso depende um pouco de como cada pessoa o interpretou. Obviamente todo abuso, sendo uma violência, tem uma tendência que causa transtorno e consequências graves para a vítima”, comentou o psicólogo.

Ainda segundo o profissional, a criança precisa se sentir segura para relatar o que aconteceu sem se sentir pressionada por ninguém.

“É necessário um acompanhamento psicológico que dê condições de que a criança se expresse, exponha seus sentimentos, seja acolhida e tenha condições de viver uma vida feliz e saudável”, completou.

O psicólogo garante que o apoio da família é fundamental para que o menor supere o trauma causado por uma violência sexual.

“As famílias são o suporte de toda criança, e, infelizmente, vivemos em nossa sociedade uma crescente fragilização do suporte e proteção familiar. A família deve então prestar assistência à criança, através do acolhimento, da proteção e da segurança”, declarou Brasil.

Duas perguntas

Thiago Brasil – Psicólogo

1. Para a psicologia, o que é considerado abuso sexual?

O abuso sexual é caracterizado por qualquer tipo de ato sexual que não tenha o consentimento da vítima, e, sobretudo, quando este não tem a condição social, psicológica e até cronológica de se defender e de se opor a tal ato. Em todos os casos o abuso sexual é considerado um ato provido de violência caracterizada pela invasão do espaço íntimo de cada pessoa.

2. Toda pessoa que abusa ou assedia uma criança é considerada pedófila?

Não. A pedofilia é uma doença, inclusive catalogada nos manuais de medicina. O que difere a pedofilia de um ato meramente perverso e violento, é que na pedofilia a estrutura psíquica daquele a que comete é comprometida, e, em grande parte das vezes, a concretização de um ato de pedofilia, gera neste, um grande sentimento de culpa, caracterizando uma ausência de controle sobre este ato. A diferenciação clínica entre um pedófilo e uma pessoa que comete um abuso sexual por pura perversidade é bastante complexa e depende uma avaliação bastante aprofundada.