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Aos 67 anos, tricampeão em 70 faz uma análise realista da Copa

Tostão não está otimista em relação à Seleção de Felipão. Ele faz uma avaliação bem realista do Brasil nesta Copa, além de não descartar um novo maracanazo

Tostão não está otimista em relação à Seleção de Felipão

Tostão não está otimista em relação à Seleção de Felipão (Reprodução/Internet)

Como bom e autêntico mineiro, Tostão, 67, tricampeão na mítica Seleção de 1970, prefere hoje a quietude da vida em família no bairro de Lourdes, em Belo Horizonte, e a discrição como ex-astro da bola. Tostão saiu de cena dois anos depois daquela histórica conquista do futebol brasileiro. Mas foi um dos principais protagonistas do tri, sobretudo por ter como uma das marcas em campo, além de ser exímio armador de jogadas, a habilidade de sempre deixar Pelé na cara do gol. “Seria muito presunçoso de minha parte se pensasse isso. Além de Pelé, o maior de todos, havia vários jogadores fenomenais naquela Seleção de 1970”, pondera este distinto senhor, que após deixar a bola de lado, fez faculdade de Medicina e, a partir de 1981, passou a ser chamado de Dr. Eduardo.

Mas a paixão pela bola apenas arrefeceu. Nunca ficou esquecida. Na Copa do 1994 - por coincidência a do tetra - Tostão voltava ao mundo do futebol, mas desta vez como analista e articulista em jornais de Minas Gerais. Hoje, Tostão é um dos mais prestigiados colunistas da Folha de São Paulo. “Escrevo para a Folha de São Paulo e para outros jornais, além de alguns outros textos ocasionais”, enumera.

Tostão não está otimista em relação à Seleção de Felipão. Ele faz uma avaliação bem realista do Brasil nesta Copa, além de não descartar um novo maracanazo. “E pior, pode ser contra a Argentina, para lembrar dos uruguaios. Pela simulação, Argentina e Brasil só devem se encontrar em uma final”, explica Tostão, apelido que recebeu ainda garoto, por ter um corpo franzino, mas um futebol de gigante. Ele falou com o CRAQUE por e-mail.

Onde você mora em Belo Horizonte? Além de ser colunista da Folha de São Paulo, o que mais você faz em Minas?

Moro em Belo Horizonte, no bairro de Lourdes. Escrevo para a Folha de São Paulo e para outros jornais, além de alguns outros textos ocasionais.

Qual a sua expectativa sincera em termos de conquista da Seleção Brasileira, cuja escalação final não deve ser muito diferente daquela que vem sendo feita?

A Seleção tem as mesmas ou um pouco mais de chance que as da Alemanha, da Espanha e da Argentina. Isso porque a Copa será no Brasil. Se fosse na Europa, Alemanha e Espanha seriam, sem dúvida, favoritas.

O que a equipe de Neymar, Jô e Oscar & Cia. deve fazer para ter êxito dentro de campo e conquistar o hexa em casa?

Precisam jogar o máximo que podem, além de ajudar bastante no jogo coletivo. Jô é reserva até onde eu sei. O Jô sempre ajuda, mas é reserva.

Há risco de novo Maracanazo?

Sim. E pior, pode ser contra a Argentina, para lembrar dos uruguaios. Pela simulação, Argentina e Brasil só devem se encontrar em uma final.

Qual a sua avaliação do Brasil como o país-sede da Copa, no que se refere a infraestrutura (aeroportos, transporte público, hotelaria) e de atendimento aos turistas atraídos pelo evento. Estamos preparados?

Haverá um grande número de problemas. Nem por isso a Copa deixará de acontecer. O mesmo ocorreu na África do Sul.

Além de excesso na prorrogação de prazos seja na construção de estádios, CTs, Arenas, tivemos gastos excessivos com campos para os jogos. A Arena da Amazônia, por exemplo, em Manaus, custou R$ 756 milhões e foi inaugurada sem estar 100% de acabamento. Qual a sua opinião sobre isso?

Minha indignação é a de grande parte da população. É contra os absurdos gastos públicos, as obras superfaturadas, o adiamento de soluções para outros problemas graves da sociedade e muitas outras coisas.

Falando em Arena da Amazônia, o futebol amazonense está na Série D (4ª divisão) e a média de público do Estadual não é lá muito boa. Qual a sua análise deste quadro?

A Arena da Amazônia, assim como em Brasília e em Campo Grande, serão enormes elefantes brancos. Mesmo que se consiga, de vez em quando, promover grandes eventos de áreas culturais nestes estádios, eles foram feitos para a prática do futebol.

O que nunca foi revelado de bastidores na conquista de Copa de 1970 e que poderia ser revelado agora? Há algo assim que você saiba?

Não sei de nenhuma grande novidade. Continua o mistério sobre qual foi a gota d’água para a saída de João Saldanha.

Qual a imagem mais marcante daquela conquista de 1970 que lhe vem à cabeça?

A do fim do jogo, contra a Itália. Inesquecível!

Muitos falam que o sucesso de Pelé se deu muito em função da sua habilidade com a bola e da capacidade de armar jogadas para ele...

Seria muito presunçoso de minha parte se pensasse isso. Evidentemente, os grandes craques brilham intensamente quando atuam ao lado de grandes jogadores e em times com ótimo conjunto. Além de Pelé, o maior de todos, havia vários jogadores fenomenais naquela Seleção de 1970.

O senhor aceitaria ser técnico de um time grande no Brasil ou fora daqui? Já recebeu alguma proposta assim?

Não aceitaria, pois não tenho nenhuma pretensão de ser técnico. Tempos atrás, fui sondado pelo Cruzeiro, mas recusei.

Perfil: Eduardo G. de Andrade
Idade: 67 anos
Nascimento: 25. 01.1947
Cidade: Belo Horizonte (MG)
Altura: 1,72m de altura
Peso: 76 quilos
Modalidade: Futebol
Posição: Meia-atacante
 Titulo: Tricampeão mundial em 1970 Apelido: Tostão, em razão de ser franzino quando criança
Vida atual: Colunista esportivo no jornal Folha de São Paulo