Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Jiu-Jítsu no Amazonas sem preconceito

Anne Viriato parece ‘só mais uma’ lutadora entre outras, mas sempre consegue ser o foco das atenções nos eventos. Na verdade ela é Sulivan, ainda compete com homens, mas vai trocar de sexo em breve

Atleta da academia Mc Comb vem quebrando todos os preconceitos no esporte local

Atleta da academia Mc Comb vem quebrando todos os preconceitos no esporte local (Winnetou Almeida)

Vaidosa, apaixonada por música e artes marciais desde criança e com uma rotina dividida entre estudos, treinos, afazeres domésticos e a dança. Esta poderia ser mais uma história “comum” de ser encontrada em jornais ou revistas, sobre a vida de uma lutadora de jiu-jítsu. Mas, o diferencial de Anne Viriato - como gosta de ser chamada - é que ela sempre desperta a curiosidade nos eventos que disputa, pois compete entre os homens. Anne também ajuda a mostrar que o esporte é uma grande oportunidade para quebrar todas as barreiras do preconceito.

Hoje aos 17 anos, Anne nem sempre foi Anne. Quando nasceu, a lutadora chamava-se Sulivan Viriato, nome que ainda consta em todos os seus documentos. Mas, não demorou muito para perceber que seu desejo era outro. Aos 12, Sulivan “deixou de existir” e virou Anne. A paixão pelo jiu-jítsu veio um pouco antes da mudança. Desde os 8 anos de idade, a lutadora já praticava a arte suave.

“Me lembro, que brincava de bonecas ao invés de carrinhos. Quando completei 12 anos de idade cheguei pra minha mãe e falei que era homossexual e desde o início ela sempre me apoiou bastante. Nesta época, eu já estava aqui na academia Mc Comb praticando jiu-jítsu”, recordou a hoje faixa azul.

No início, Anne conta que não sofreu muito preconceito, pelo fato de ainda se vestir como um menino. Mas aos 14 quando começou a usar roupas e acessórios femininos, as pessoas acabaram ficando “espantadas”. Isto, porém, não foi motivo para que ela desistisse de seu maior sonho. “Os adversários sempre ficavam assustados quando me viam. Mas, depois foi ficando normal e as pessoas já passaram a me respeitar e me conhecer no mundo das lutas”, disse Anne. A lutadora perdeu as contas de quantas vezes precisou se justificar de que estava inscrita na categoria certa nos campeonatos. “Já passei por cada situação. Tinha vezes que chamavam o meu nome (Sulivan) e quando ia entrar no tatame me falavam: Ei, ainda não é a luta feminina. E mais uma vez lá ia eu me explicar. Mas, não vejo isso como uma coisa ruim. Meu grande sofrimento no início é que os meninos lutam sem camisa e como eu tenho seios precisava lutar com blusa. Algumas Federações permitem isto, e outras não. Uma vez não queriam me deixar lutar com a blusa e chorei tanto, mas minha mãe foi lá e conversou com a organização do evento explicando toda a situação e eles acabaram permitindo”, relembrou.

Ninguém foi páreo para Anne


No último final de semana aconteceu a 27ª edição da Copa Osvaldo Alves de Jiu-Jítsu. E Anne não decepcionou. Mesmo nervosa, ela ficou no lugar mais alto do pódio, pela categoria puma masculino (até 58kg). “Como eu havia parado por um tempo de treinar, por conta dos exames que precisei fazer, voltei e logo fiquei gripada e estava me cansando muito rápido. Foram três lutas para chegar às finais. Meu primeiro adversário era muito forte, mas quando entrei no tatame percebi que as mãos dele estavam frias. Foi então que me aproveitei e o venci. Daí, foi mais tranquilo para chegar ao título”, explicou.

Lutadora na fila para mudar de sexo


Atualmente morando na academia onde treina, localizada no bairro Cidade Nova, Zona Norte de Manaus, Anne revelou que já está na fila de espera para mudar de sexo, processo que deve acontecer em até dois anos. “Minha família apoiou a decisão. Já fiz a bateria de exames exigidos e agora vou esperar”, contou. Tímida e discreta, Anne é amante da cor rosa. Quando não está no tatame, ela aproveita para dançar bastante swingueira e namorar “Amo me maquiar. Demoro horrores para ficar do jeito que mais gosto (risos)”.