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Memória esportiva: Rio-Nal, maior clássico do futebol amazonense, completa 100 anos

Os duelos entre os times recém-centenários Nacional e Rio Negro completa um século de história. Se antes a rivalidade levava multidões às partidas, atualmente a história não é tão bonita

A primeira formação do Nacional. Time manteve a base até 1996

A primeira formação do Nacional, de 1913. Time manteve a base até 1996 (Reprodução )

No dia 1º de março de 1914, no campo do Bosque Municipal, na Avenida Constatino Nery (onde funciona atualmente uma churrascaria), os amazonenses acompanharam pela primeira vez uma partida entre Rio Negro e Nacional, que tempos depois, por conta da rivalidade e do empenho de ambas as equipes, se tornou o maior clássico do futebol local – o Rio-Nal – que ontem completou 100 anos. Para comemorar a data, o CRAQUE resolveu relembrar alguns momentos dessa história.

Com um time muito mais experiente que o Rio Negro, o Nacional venceu o primeiro Rio-Nal por 9 a 0. Cícero Costa foi um dos principais destaques da partida, marcou dois e deu assistência para outros. Paulo Melo e Jorge também marcaram duas vezes, Fausto Paiva,  Ferreira e Fernandinho completaram o placar para o Naça.

“O Rio Negro era formado por estudantes, jogadores que tinham pouca prática com o futebol. O Nacional tinha atletas mais experientes e por isso acabou levando a melhor e venceu o primeiro clássico”, recordou o professor e historiador  Francisco Carlos Bittencourt,  62.

Apaixonado pela história do futebol baré, Francisco Bittencourt se lembra com saudade da alegria que o Rio-Nal causava nos torcedores e compara o clássico a um amor da juventude.

“O clássico Rio-Nal é uma paixão recolhida. Como se fosse uma namorada que eu continuo amando, mas que foi embora e agora eu vivo com a expectativa do seu retorno. Vivo pensando no dia em que eu vou reencontrá-la, mas será que ela vai voltar? Eu espero que sim!”, disse o professor – que torce pelo Rio Negro.

Bittencourt recorda os tempos em que Rio-Nal levava multidões aos estádios. Tempos de grande rivalidade e torcedores apaixonados pelo futebol local. Mas hoje em dia a história não é mais tão “bonita” assim. Ano passado, o Galo da Praça da Saudade foi rebaixado pela terceira vez em 100 anos de história, e este ano, não disputa a primeira divisão do Estadual.

“É muito triste ver o Rio Negro fora da Série A. É uma situação complicada, que vejo com um grande pesar. Torço muito para que o clube volte logo a fazer parte da primeira divisão para que a gente, que gosta de futebol, possa acompanhar muitos outros clássicos Rio-Nal”, completou o professor.

Ano passado, o também professor de história e amante do futebol amazonense, Manuel Callado, lançou o documentário “Rio-Nal: 100 anos de paixão”, que conta as histórias dos dois clubes centenários do Amazonas. Ele levou seis meses para produzir 100 cópias, que foram vendidas a R$ 20.

“O documentário traz um pouco da história do Rio Negro e do Nacional, e é claro que o Rio-Nal não poderia ficar de fora. O clássico que durante anos 60 e 70 arrastou multidões para os estádios da Colina e do Vivaldão é uma parte muito importante da história do nosso futebol”, comentou.

“Quem não viveu aquela época precisa de alguma forma saber que o Rio-Nal já fez muitos amazonenses acordarem cedo para garantir um ingresso para assistir o confronto e uniu famílias que seguiam em carreatas pelas ruas de Manaus anunciando o jogo. Era uma verdadeira festa cheia de emoção e rivalidade saudável”, completou Callado.

Clovis Aranha Negra, que foi goleiro do Rio Negro nas décadas de 60 e 70, e que além das belas defesas também ficou conhecido por conta de uma toalha vermelha, que era colocada nas redes do gol que defendia. Depois de ser usada em um Rio-Nal a toalha passou a “dar sorte” ao  goleiro. Ele diz que não esquece do clássico de 1969, quando o Barriga Preta venceu o Naça por 2 a 1. “Sempre me lembro desse Rio-Nal, por conta da vitória do Rio Negro e também porque foi nesse dia que o homem pisou na lua pela primeira vez. Recordo que o último gol a gente nem comemorou, porque todos se apressaram para ver o homem na lua”, contou.

O ex-jogador Delmo, recordista de gols (24) no Campeonato Amazonense na era profissional, pelo São Raimundo,  também tem história para contar sobre o Rio-Nal.

“Em 1998, eu jogava pelo Rio Negro, que venceu o Rio-Nal por 2 a 1 e se classificou para a final do Amazonense, foi um jogo muito bom”, disse Delmo, que ainda sonha em acompanhar um clássico na Arena da Amazônia Vivaldo Lima.

“Uma grande pena que a Arena da Amazônia não seja inaugurada com um Rio-Nal, mas acredito que ainda veremos muitos clássicos no novo estádio de Manaus”, completou.

O Nacional detém também a maior sequência de títulos consecutivos   em cima de seu maior rival: quatro títulos entre 1983 e 1986.