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Paratleta do AM critica trecho que vitimou cadeirante na São Silvestre

O paratleta Israel Cruz, 40, que participava da prova de cadeirantes descia a ladeira da Rua Major Natanael, quando apenas 10 minutos após a largada perdeu o controle da cadeira e se chocou com o muro do estádio Pacaembu por volta das 6h50 (Manaus)

Problemas no equipamento fizeram Denílson de Oliveira desistir de viajar

Problemas no equipamento fizeram Denílson de Oliveira desistir de viajar (Antonio Lima)

Realizada religiosamente no dia 31 de dezembro, a Corrida Internacional de São Silvestre, que acontece em São Paulo, é sem duvidas a Maratona mais tradicional do País. No último dia do ano de 2012 a 88ª no lugar da alegria costumeira ao final da corrida, o clima foi de luto. O paratleta Israel Cruz, 40, que participava da prova de cadeirantes descia a ladeira da Rua Major Natanael, quando apenas 10 minutos após a largada perdeu o controle da cadeira e se chocou com o muro do estádio Pacaembu por volta das 6h50 (Manaus) O paratleta foi levado a Santa Casa de Misericórdia onde deu entrada as 7h35, mas duas horas depois Israel faleceu devido a um trauma toráxico.

Em virtude do trágico episódio, o CRAQUE foi conversar com um dos grandes nomes do paratletismo na corrida de Rua do Amazonas: Denílson de Oliveira, 38, que já participou da São Silvestre em 2007 e 2009, alem de outras grandes provas como a Corrida do Fogo em 2008 e Archer Pinto em 2010 e 2012. Denilson conta que quando participou da São Silvestre, o trajeto da prova era diferente, mas ainda assim existiam trechos que requeriam atenção dobrada. “Para manusear a cadeira é necessário muito treino, em ladeiras principalmente. O atleta precisa ter noção de tudo que pode acontecer repentinamente e estar pronto para qualquer mudança brusca de direção ou frear”, contou.

Denilson participaria da edição que vitimou Israel, mas desistiu de ir por que sua cadeira precisava de reparos e preferiu não arriscar. Israel também queria desistir da prova, mas acabou participando por causa das passagens que já estavam compradas. O paratleta amazonense acredita que apesar do erro na organização do evento ao submeter cadeirantes a situações de risco, os acidentes geralmente são causados pelos próprios atletas, que precisam ter muito sangue frio para conseguir controlar a cadeira e fazer curvas a tempo.

Acredita-se que a hipótese mais provável do acidente fatal tenha sido fruto de um problema técnico na cadeira, mas não descarta alguma falha do próprio atleta. A descida foi inclusa no trajeto na edição da prova de 2011, e já havia causado acidentes parecidos, mas sem a gravidade do episódio que ocorreu no último dia de 2012. A discussão que existia entre os cadeirantes sobre a inclusão da ladeira já acontecia antes mesmo do acidente.