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Parceria e força de vontade: pai dedica vida a incentivar a carreira do filho paratleta

O aeroviário Edivaldo Martins nunca desistiu do filho, Rivander Santos da Silva, e o jovem se tornou o único amazonense a disputar o Parapan de 2013

Edivaldo (à esq.) fala com orgulho sobre as conquistas do filho Rivander

Edivaldo (à esq.) fala com orgulho sobre as conquistas do filho Rivander (Evandro Seixas)

Neste Dia dos Pais, o CRAQUE vai contar uma história de amor, dedicação, parceria e muita força de vontade. O personagem principal é o funcionário aeroviário Edivaldo Martins, de 46 anos, pai do paratleta amazonense Rivander Santos da Silva, de 19 anos – que ano passado foi o único representante do Amazonas no Parapan-Americano de Jovens, disputado na Argentina.

Rivander tem paralisia cerebral, pratica atletismo – arremesso de peso – desde 2011 e coleciona muitas medalhas conquistadas em torneios locais, nacionais e internacionais. O pai, Edivaldo, é sem dúvida o seu maior incentivador. Para ajudar o filho e o acompanhá-lo em todas as atividades durante o dia, ele decidiu trabalhar no turno noturno.

Desde que o filho nasceu, Edivaldo se dedica inteiramente a ele. São 19 anos de muita luta e também de muita fé. Quando Rivander nasceu, os médicos disseram que por conta da paralisia cerebral, ele não andaria e nem falaria. Mas isso não desanimou o pai, pelo contrário, o fez acreditar que um dia o filho não só andaria, mas também correria e jogaria futebol como a maioria das crianças.

“Nós recebemos o diagnóstico ainda no hospital, mas não ficamos tristes. Saímos de lá com a certeza de que ele teria uma vida normal, que ao contrário do que os médicos falaram, ele conseguiria ter equilíbrio suficiente para ficar em pé, andar e até correr. Nós sempre acreditamos nisso”, relembrou Edivaldo.

“Mas dois dias depois que ele foi para casa, teve que voltar para o hospital porque apresentou sinais de icterícia (quando a pele no bebê fica amarelada). A barriga da minha esposa estava muito inchada por causa da cesariana e ela não teve como ir com ele. E por isso, os médicos tiveram que me deixar ficar com ele no hospital. Eu era o único pai em meio a várias mães. Nós ficamos lá durante seis dias e desde então eu nunca mais saí do lado dele”, completou Edivaldo. E esse foi apenas o começo. Aos dois anos, Rivander tinha muita dificuldade para ficar em pé e por isso não conseguia andar. Edivaldo resolveu então procurar um especialista, que recomendou uma medicação controlada.

 
Talento natural: Rivander já praticou natação, mas se descobriu mesmo no atletismo (Divulgação)

“O médico disse que ele teria que tomar um remédio controlado, mas eu não queria que o meu filho ficasse preso a uma medicação. Então, decidi não segui a recomendação e tive uma ideia para ajudá-lo a andar. Calçava o tênis dele e pedia para ele pisar nos meus pés e saía andando com ele pela casa. Foi assim que, aos três anos e oito meses, meu filho começou a andar”, disse Edivaldo – acrescentando que foi também nessa época que Rivander começou a pronunciar as primeiras palavras.

Mudança

Em 2011, Edivaldo foi aconselhado por um fisioterapeuta a colocar Rivander para praticar um esporte, pois isso o ajudaria a melhorar o equilíbrio. Então, pai e filho resolveram ir até a Vila Olímpica em busca de uma atividade física.

“Rivander começou a fazer natação na Vila, mas um dia o professor Joaquim Manuel Pinheiro perguntou se ele não queria fazer um teste no atletismo. Ele apresentou um ótimo resultado, mudou de modalidade e se tornou campeão. Naquele mesmo ano participou de uma competição em São Paulo e voltou para casa com uma medalha de prata e outra de ouro”, disse o pai orgulhoso.

A nova atividade mexeu completamente na agenda de compromissos de pai e filho. “Rivander não fica sem fazer nada. Ele acorda às 5h para se preparar para ir à escola, à tarde vai para Vila onde treina duas horas por dia e à noite faz as tarefas da escola”, disse.

“Há mais ou menos dois anos ele vai à escola sozinho. No começo foi difícil deixá-lo andar por aí, não por ele, mas pelas às outras pessoas. Ficava com medo que alguém pudesse fazer algo de ruim contra ele, mas graças a Deus isso nunca aconteceu”, completou.

Para acompanhar o filho em outras atividades, Edivaldo faz um planejamento especial que começa, segundo ele, ainda na virada do ano.

“Eu vou com ele todos os dias para a Vila Olímpica, acompanhando de perto o treinamento. E também não o deixo viajar sozinho. Apenas uma vez, ano passado, ele foi para São Paulo sozinho, mas no dia seguinte eu fui atrás. Faço questão de estar sempre com ele. Mas isso só é possível porque eu planejo a minha vida de acordo com as competições dele, estou sempre de olho no calendário, assim tenho como me planejar para acompanhá-lo nas viagens”, revelou este pai muito especial.