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Rio Negro: amor incondicional da torcida no centenário

Apesar de tudo, torcedores do Galo não viram as costas e dão o máximo para o clube alvinegro

Rio Negro #1

Enédio (de boné) e Eurico Carvalho (à dir.): tempos de Vivaldão lotado (Luiz Vasconcelos, Evandro Seixas, Érica Melo e Reprodução)

Já pensou se todos os jogos de futebol fossem feitos sem torcedores? Sem nenhum “chato” gritando com o técnico, sem falar mal da mãe do juiz, sem o barulho ensurdecedor ecoando dentro do estádio na hora do gol. Isso tudo também acontece aqui no Amazonas, mas bem menos para os torcedores do Rio Negro, que há alguns anos não usufruem de momentos felizes com o clube barriga-preta. O último título de expressão conquistado pelo clube foi há 12 anos, quando levantou a taça do Estadual.

O CRAQUE foi atrás de algumas das mais belas histórias de torcedores, como Eurico Carvalho, torcedor símbolo do Rio Negro e fundador da Galo Gay, falecido no início do ano, e reuniu no 10º e último capítulo da série “100 anos de Barriga Preta” os momentos felizes como o “amor de arquibancada”, que saiu da extremidade dos estádios e virou casamento, a história da primeira viagem de uma torcida para fora do Amazonas e até mesmo a doação de alimentos por parte dos torcedores aos atletas que não recebiam os salários em dia.

Amor sem limites
Mesmo em meio ao título de “Clube Líder da Cidade”, na década de 70, o Rio Negro acabou se distanciando do Estadual muitas vezes por causa de crises financeiras, e quando retornava aos gramados a história das grandes conquistas davam lugar a inexpressíveis campanhas.

Com boas marcas na memória, o torcedor do clube, Enédio Negreiros, 65, fundador da Charangalo, viveu os dois momentos e não esquece as lembranças vividas no passado de glórias do clube Barriga-Preta.

Um dos momentos inesquecíveis do torcedor foi uma viagem ao Pará em um jogo da Copa Norte contra o Remo. “Em 1972 fizemos a viagem com um avião cedido pelo prefeito da época, Jorge Teixeira, com a ajuda do ex-presidente da FAF (Federação Amazonense de Futebol), Flaviano Limongi. Fomos a 1ª torcida do Estado a sair do Amazonas e acompanhar o clube. Perdemos de 1 a 0, mas mostramos a força que tinha a torcida do Rio Negro”, afirmou o torcedor que não possui expectativa de ver o Rio Negro forte. “De 1969 pra cá comandei a torcida. Houve muitos resultados negativos e tudo isso fez diminuir o número de torcedores. Quando estávamos no auge tínhamos torcedores em vários cantos da cidade. Hoje as coisas mudaram e não tenho expectativa que tudo volte”, declarou.

Da arquibancada ao casório
O amor pelo clube que ainda é despertado nos torcedores foi o suficiente para acender um relacionamento amoroso nas arquibancadas. Unido pelo laço preto e branco, Ricardo Xina, 43, e Seleide Costa, 48, frequentavam os estádios amazonenses mesmo sem se conhecerem ou até mesmo serem notados um pelo outro.

Em uma viagem ao Município de Itacoatiara (a 177 quilômetros de Manaus) para acompanhar o jogo contra o Fast, em 2007, as coisas mudaram. “No tempo nossa torcida era muito grande e nos nem nos conhecíamos. Teve uma caravana com dois ônibus para Itacoatiara. Aí sempre nos olhávamos”, disse Ricardo.

Torcedora do Rio Negro desde os 17 anos, Seleide lembra que nas arquibancadas do estádio Floro Mendonça foi procurada por Ricardo.

“Era intervalo do jogo entre Fast, que representava Itacoatiara, e o Rio Negro. Eu estava olhando a cidade da arquibancada e ele veio e perguntou meu nome e onde eu morava. Numa quarta-feira teve outro jogo e começamos a namorar”, detalha Seleide.

Em 2009, depois de dois anos de namoro, o torcedores subiram ao altar.

Amor e apoio na crise
Nada comum é a história de amor de Joaquim Bento, 29 anos. Preto e branco desde menino, o torcedor do Rio Negro não era um exímio apaixonado que deixava seus afazeres para se dedicar ao clube e muito menos ia ao estádio. Depois que passou a estudar em um colégio no Centro de Manaus no ano de 1995, o torcedor passava todos os dias em frente à sede rionegrina para apanhar o ônibus. Daí o amor pelo clube começou a nascer ainda mais. “Meu irmão me levou para o estádio e gostei. Passei a estudar no Centro e sempre passava em frente da sede para pegar o ônibus. As festas chamavam atenção. Depois disso me aproximei mais do clube”, disse.

E foi na dificuldade que o amor aflorou ainda mais. Na temporada de 2011, os jogadores não receberam os salários e ficaram sem alimentação adequada. Sem o apoio do clube, os torcedores fizeram doações para os atletas. “Os jogadores não estavam se alimentando e não tinham dinheiro. A Rosário Almeida (torcedora) colaborou bastante. Cada um era responsável por levar algum mantimento. No ônibus passava uma sacolinha pedindo a ajuda. Conseguimos arrecadar de R$ 500 a R$ 600”, recorda ele.