Roberto Gesta: O cidadão-sede

Entre algumas peças raras de posse de Gesta estão as provas na cor original dos selos relativos à primeira Olimpíada da Era Moderna, disputada em Atenas em 1896

Roberto Gesta é dono de peças de grande valia na história das olimpíadas

Roberto Gesta é dono de peças de grande valia na história das olimpíadas (Foto: Luiz Vasconcelos)

Ainda faltam seis anos para o Rio de Janeiro mostrar ao mundo - e principalmente para o COI - que é capaz de organizar uma Olimpíada, mas no Amazonas, um homem já provou essa capacidade ao transformar sua casa em sede de todas as edições do maior evento esportivo do mundo. “Minha coleção olímpica começou há mais de 40 anos, com a aquisição de livros especializados em filatelia olímpica e peças de história postal”, diz o amazonense Roberto Gesta de Melo, presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), da Confederação Ibero Americana, da Confederação da Sul-Americana e Atletismo (Consudatle) e membro da Federação Internacional de Atletismo (Iaaf).

A galeria de Gesta é reconhecida mundialmente. O dirigente tem peças raras que marcaram a história dos jogos oriundos da Grécia antiga e resgatado pelo Barão de Coubertain. São moedas, diplomas de participação, premiações, tochas, credenciais, livros, filmes, medalhas, caixas originais, esculturas, e muitos outros artigos relacionados aos Jogos Olímpicos e Pan-Americanos. Até objetos de Jogos não realizados, em razão das duas Guerras Mundiais (entre eles materiais vinculados à política nos Jogos, relacionados ao nazismo e comunismo) estão de posse do “homem-sede”.


Valor afetivo
Embora possua inegável valor monetário, para Roberto Gesta ter a posse desses objetos e poder admirá-los sem sair de casa vale mais do que qualquer quantia milionária que possa ser oferecida a ele.

“O valor afetivo é enorme. Muitas peças foram adquiridas por troca ou por doação, não por compra. Para citar alguns exemplos, tenho as peças que me foram dadas por amigos como Sergey Bubka (campeão Olímpico e recordista mundial no salto com vara), Sebastian Coe (campeão Olímpico nos 800 metros); Lamine Diack (presidente da Federação Internacional de Atletismo); Carlos Arthur Nuzman (Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro); Carlos Alberto Cavalheiro (técnico de atletismo); Vicente Lenilson (medalha de prata na Olimpíada de Sydney em 2000); Adhemar Ferreira das Silva (bicampeão Olímpico no salto triplo nos Jogos de Helsinque 1952 e de Melbourne 1956) e muitos outros”, explica.

Raridade
Entre algumas peças raras de posse de Gesta estão as provas na cor original dos selos relativos à primeira Olimpíada da Era Moderna, disputada em Atenas em 1896; duas medalhas de ouro dos Jogos Olímpicos de 1900, em Paris; a medalha única, protótipo dos Jogos Olímpicos de Berlim, de 1916, que não foram realizados em razão da I Guerra Mundial; o retrato de Adolf Hitler, em moldura especial, que era dado como prêmio a vencedores alemães do Partido Nazista nos Jogos Olímpicos de 1936; a tocha de 1952 dos Jogos Olímpicos de Helsinque, e outros artigos.

Cuidados
Para manter a integridade das peças olímpicas, Gesta usa aparelhos de desumidificação e mantém a temperatura ambiente do seu museu em 23º Celsius. O local não é aberto à visitação pública, mas o “Homem-Sede” permite a entrada dos amigos que queiram conferir a coleção, e vez por outra cede algumas relíquias para exposições em outros países.
Para ampliar a coleção, além de contar com mais contribuições dos atletas, o dirigente que entregou a inédita medalha de ouro do atletismo feminino para Mauren Maggi no salto em distância em Pequim-2008, frequenta feiras especializadas de colecionadores olímpicos no mundo.

Cobiça
“No momento corro atrás da tocha dos Jogos Olímpicos de Inverno de Grenoble”, salienta Gesta, para depois apresentar uma relação das peças que cobiça para sua “sede”. “Um dos quatro vasos dados como premiação especial a campeões olímpicos em Paris, em 1924; um badge (espécie de broche, que servia de credencial antigamente), dos Jogos Olímpicos de 1896 em Atenas; e uma moeda dos Jogos Olímpicos de Inverno de Turim de 2006”, complementa.

2016
A Olimpíada do Rio 2016 ainda nem tem seu mascote oficial escolhido, mas Gesta já largou na frente na aquisição de itens relacionados à competição inédita no continente Sul-Americano. “Já tenho os dossiês de candidatura, pins oficiais, cinco banners oficiais que estavam expostos no hotel de Copenhague em que se encontrava a delegação brasileira e que me foram gentilmente presenteados pelos dirigentes do COB, assim como meus trajes de delegado do Brasil (terno e gravata) no COI, os pins prateados e dourados (esses últimos privativos dos 60 delegados); as duas credenciais oficiais e a bandeira do Rio como cidade candidata, uma das poucas distribuídas no local de abertura do envelope que dava ao Rio o privilégio de sediar os Jogos”, vibra o presidente da CBAt.

Como dirigente desportivo, o amazonense alcançou muitas vitórias, mas é nítido que a conquista de Maurren em Pequim tem lugar especial no coração deste abnegado. “Foi uma honra premiá-la”, resume emocionado, na esperança de que daqui a dois anos, Londres proporcione mais emoção e artigos para a sede amazônica dos Jogos Olímpicos.

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