Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Senhores do tempo nas lentes da história esportiva local

Duas gerações do fotojornalismo amazonense contam a experiência de ver o nascimento de um  estádio. Um em 1970 e o outro em 2014

Corrêa ainda guarda imagens e a máquina que usou na inauguração, em 1970. Na foto, ao lado de Clóvis Miranda, editor de fotografia de A CRÍTICA

Corrêa ainda guarda imagens e a máquina que usou na inauguração, em 1970. Na foto, ao lado de Clóvis Miranda, editor de fotografia de A CRÍTICA (Clóvis Miranda)

Foi um encontro de duas gerações da fotografia, motivado pela expectativa em torno da inauguração da suntuosa e elegante Arena da Amazônia, edificada sobre o jazigo do estádio Vivaldo Lima.

Marcos Corrêa Lima Filho, 82, é considerado o primeiro fotógrafo de jornal local, tendo iniciado a carreira em A CRÍTICA no dia 19 de abril de 1949. O outro é Clóvis Miranda Pereira, 43, editor de fotografia de A CRÍTICA. Admitido pelo jornal em 2006, foi ganhador do Prêmio Esso, o mais importante do jornalismo brasileiro, dois anos depois.

Inovação

Ambos têm histórias de ousadia e inovação na arte de registrar a construção do Vivaldão e da Arena. Cada qual em sua época. Corrêa Lima se multiplicou para dar conta da foto dos pôsteres da Seleção Brasileira, que fez o amistoso inaugural do Vivaldão, em 1970, contra a Seleção Amazonense, e ainda fazer o registro aéreo do estádio, tomado pelo público e ainda cercado por árvores, como os buritizeiros, e por mata virgem.

“Eu era o dono da bola (risos). Fiz a foto dos pôsteres do Brasil e do Amazonas e corri rápido para o aeroclube para embarcar à bordo de um cessna e fazer sobrevoos pelo Vivaldão. O piloto abria a porta e a gente se prendia a um cinto. Foi uma experiência marcante”, relembra com alegria e lucidez o detentor de uma bagagem de 64 anos de fotografia.

Ousadia

Clóvis Miranda, por sua vez, ousou para os padrões fotográficos locais ao registrar a Arena de um ângulo de 360 graus, no qual se pode ter uma visão geral da obra por dentro, enxergando campo, arquibancada, anéis de cobertura conjugados no ambiente interno. “É uma nova concepção de fotojornalismo. No Brasil, já havia alguns registros nessa linha, mas em Manaus ainda não. Olha que eu já fotografei algumas coisas grandiosas, mas ao entrar na Arena da Amazônia não há como não se arrepiar. É inspirador e emocionante para mim”, afirmou o fotógrafo, que foi jornaleiro, foi oficce-boy, laboratorista até começar a fotografar pelo jornal A CRÍTICA.

Passado e presente em questão

Clóvis e Corrêa Lima têm opiniões divergentes   sobre a fim da era Vivaldão e o início dos tempos de Arena. O mais velho não aprovou  a derrubada do antigo estádio. “Foi um crime. Com tanta terra aqui em Manaus, acharam de derrubar logo o Vivaldão, que faz parte da história local. Dava para fazer escolas, centros de saúde e ainda preservar o campo para o futebol e ao redor dele para o atletismo. A manutenção disso é barata. A Arena era para ser construída do outro lado, pois agora temos boa acessibilidade pela Ponte Rio Negro”, indica.

Clóvis, por outro lado, afirma que o Vivaldão já teve seu tempo de utilidade, e que a Arena da Amazônia oferece mais conforto e segurança aos torcedores, além de ser uma edificação do gênero das mais bonitas do País, atendendo aos padrões da Fifa para a Copa.

“Não tem como negar que há um saudosismo e torno do Vivaldão, afinal foi parte da história de futebol local, mas, em se tratando de Copa, a Arena era mais que necessária, pois a cidade deveria oferecer um estádio bom”, concluiu.

Números

64 anos foi o tempo de atuação de Marcos Corrêa de Lima como fotógrafo; começou em A CRÍTICA, passou pelo Diário da Tarde, O Jornal, A Gazeta e se aposentou como fotógrafo do extinto Departamento de Estradas e Rodagens do Amazonas (Deram); hoje vive da aposentadoria e de vendas de imagens do seu acervo pessoal.

Acervo disponível

Corrêa Lima pretende negociar imagens do seu acervo pessoal para o espaço destinado ao museu do futebol na Arena da Amazônia; interessados em fotografias de Corrêa Lima e em patrocinar exposições podem falar com o próprio por meio do telefone convencional 3633-1183.