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Série ‘Craques das Copas’ conta a história do tricampeão Zico

Nesta sexta-feira (23), o craque é 'apenas' tricampeão brasileiro, campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes pelo Flamengo, o maior artilheiro da história do Maracanã entres diversas outras conquistas

Zico ganhou muitos títulos pela Seleção Brasileira e também por clubes como o Flamengo

Zico ganhou muitos títulos pela Seleção Brasileira e também por clubes como o Flamengo (Arte: Rohmas)

Estádio do Maracanã, dia 22 de novembro, Campeonato Brasileiro de 1987. Zico se prepara para bater uma falta próximo à área do adversário. Zé do Carmo, zagueiro do Santa Cruz, vira de costas para a falta, de frente para o gol. Repreendido pelo goleiro Birigui, que pede atenção à cobrança, Zé se isenta: “Também quero ver o gol do Zico”. E viu um golaço. Cobrança perfeita, bola no ângulo, aliás, uma especialidade do Galinho de Quintino.

A anedota, uma das pérolas do folclore futebolístico brasileiro, é apenas uma das tantas histórias que remetem à genialidade de Arthur Antunes Coimbra, nome que, enquanto houver futebol, será lembrado e, mais que isso, cultuado por gerações de amantes da bola. Como um herói de verdade, ele travou batalhas épicas, memoráveis. Venceu muitas delas, perdeu outras... quem poderá compreender os deuses que regem o futebol?

Tricampeão brasileiro, campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes pelo Flamengo, o maior artilheiro da história do Maracanã, com 333 gols em 426 jogos, não teve a sorte – porque competência não lhe faltava – de levantar uma taça de Copa do Mundo, ainda que a Seleção liderada por ele na campanha de 1982, na Espanha, seja, até hoje, considerada como uma das melhores equipes nacionais de todos os tempos.

Mas embora nunca tenha tido o gosto de ser campeão do mundo pela Seleção Canarinho, curiosamente Zico só perdeu uma partida no tempo regulamentar em Copas do Mundo. E como foi dolorosa: naquela mesma Copa, o Brasil foi derrotado por 3 a 2 para a Itália de um inspirado Paolo Rossi, nas quartas da competição, num episódio que ficou imortalizado como a Tragédia do Sarriá, nome do tradicional estádio catalão que foi um dos palcos do Mundial.

Tanto em 1978, quando o Brasil foi eliminado após soma de resultados na fase classificatória, quanto em 86, quando perdemos nos pênaltis para a França nas quartas de final (Zico errou a cobrança no tempo regulamentar, acertou a da disputa por pênaltis, mas não foi acompanhado por Sócrates e Júlio César), a Seleção não havia perdido nenhum jogo de Copa do Mundo no tempo normal com o Galinho em campo.

Não era para menos. Referência maior nas quatro linhas, Zico era para seus companheiros o que um farol é para os navegantes: aponta a direção a ser seguida e joga luz sobre o caminho. Extremamente habilidoso e com poder de criação infinito, passavam por ele as principais jogadas ofensivas de todos os times onde jogou: Flamengo, Udinese, da Itália, e, mais tarde, Kashima Antlers, do Japão.

E mesmo quando não parecia haver espaço, era o craque quem os criava, com dribles curtos e passadas rápidas a caminho do gol. Assim marcou muitos dos seus 516 tentos em 829 partidas oficiais na carreira, média incrível para um jogador de meio-campo. Um deles, contra a Iugoslávia, em 1986, fez o recém-falecido Luciano do Valle ter de narrar o inenarrável. “Não há palavras para descrever o gol de Zico! É de placa, é de placa, é de placa!”, bradava, eufórico, o narrador.

Quase ida para o VascoFilho de um português que, ao invés de torcer para o Vasco da Gama, clube da colônia lusitana na cidade, era louco pelo Flamengo, o pequeno Arthur herdou a paixão do pai pelo rubro-negro, alimentando o sonho de jogar no time de coração, que acabou por o revelar para o futebol profissional.

No entanto, o que nem todo mundo sabe é que o Galinho quase foi parar no maior rival do Flamengo, o Vasco da Gama. Seu técnico no Flamengo, Célio de Souza, ao ser transferido para o Vasco, levou três dos jogadores do elenco rubro-negro e também queria contar com Zico. Pouco aproveitado na época pelo Flamengo, o Galinho quase foi para São Januário. No entanto, praticamente obrigado por seu pai, decidiu ficar no rubro-negro.

Nascia, então, um ídolo para o flamengo. E um herói para o País do futebol.