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Sheik detona diretoria do Botafogo: “Ninguém é babaca!”

O atacante que tem seu salário pago pelo Corinthians criticou abertamente os cartolas do clube carioca pelo atraso de salários dos companheiros de timeque joga contra o líder Cruzeiro neste sábado (2)

Emerson Sheik foi duro em suas críticas a diretoria do Botafogo.

Emerson Sheik foi duro em suas críticas a diretoria do Botafogo. (Divulgação/site Botafogo)

“Diretoria incompetente”. É assim que o atacante Emerson Sheik qualifica os mandatários do Botafogo. Conhecido por dar declarações polêmicas pelos clubes por onde atuou, o jogador não poupou críticas aos dirigentes do alvinegro. O artilheiro afirmou que se não tivesse seus rendimentos pagos pelo Corinthians, detentor de seus direitos econômicos, já teria saído do clube há muito tempo.

Em entrevista cedida ao Jornal Extra, Emerson revelou o bom ambiente entre os companheiros de time, apesar dos três meses de salários e cinco parcelas dos direitos de imagem atrasados, juntamente com o não depósito do Fundo de Garantia sobre o Tempo de Serviço (FGTS) dos atletas. Mas se disse muito decepcionado com as promessas não cumpridas pelos cartolas do clube da Estrela Solitária.

“Quando cheguei aqui, fui muito bem recebido. Não tenho nada a dizer. Mas com o passar do tempo, vi situações que não alegram, não trazem benefício, não agregam. Vi promessas não cumpridas. Datas, prazos e nada por salários. No dia acertado, todos ficam esperançosos. Depois, no dia, vem a desilusão. Isso cansa.”, criticou o jogador.

A tristeza no Botafogo

Sheik confessou que só havia vivido alegrias no futebol antes de chegar ao Botafogo. “Minha história é bacana. Com conquistas. Por Flamengo, Fluminense, Corinthians. O Botafogo seria o clube que me daria momento de tristeza. Mas não. Tenho aprendido muito. Só havia vivido a felicidade do futebol. E o Botafogo me levou para uma realidade diferente”, disse.

Aos 35 anos, Emerson atuou em oito partidas pelo Alvinegro e marcou quatro gols, completou: “Estou amadurecendo aos 35 anos. É lógico que eu não desejo isso para a vida de ninguém. Mas o ambiente de trabalho, mesmo sem a diretoria conseguir pagar, sem honrar os acordos, é bom. Mas ninguém quer passar por isso”, lamentou. 

O jogador que desde seu retorno ao futebol brasileiro vem colecionando títulos nos clubes onde atua, como Flamengo, Fluminense e Corinthians. No Timão chegou a conquistar a Libertadores da América e o Mundial de clubes da Fifa. Foi mais duro ainda com a falta de palavra da diretoria do Botafogo.

“Ninguém é babaca. Ninguém é idiota. Sou a favor da verdade. Quem vende sonho é padaria. O atleta quer verdade. O planejamento do Botafogo não pode ser o mesmo do São Paulo. São números diferentes”, desabafou Sheik.


O artilheiro cobrou o presidente do Alvinegro, Maurício Assunção, a quitação dos salários dos companheiros de clube. “Não o conheço pessoalmente. Mas algumas coisas me deixaram triste. Falta de atitude. Em certos momentos, você não pode estender um problema. A minha postura é clara: tem um mês de trabalho, paga. E não se deixa atrasar três meses para pagar um. Mais vale a verdade que doa do que a mentira que iluda”, disparou.

Se não fosse o Timão...

Emerson também comentou sobre a possível debandada dos atletas, caso o clube não quite os salários. “Eu, Emerson, com família, mulher, filhos, sairia. Tenho família, contas a pagar. Mas olha bem: não fico induzindo a ficar ou sair. Isso é muito pessoal. Não posso dar minha opinião. Cada um tem sua própria vida”, disse.

Sheik confirma que permanece no Botafogo até dezembro, quando termina seu empréstimo, porém, explica. “Minha situação é um pouco diferente. Eu recebo do Corinthians. O Corinthians me paga. E, assim, o dia que era para ser de alegria é o de maior tristeza. Eu sei que todo dia cinco o meu salário cai na conta. E aqui? Sei que a maioria aqui não. O Julio Cesar é meu amigo, um irmão. Fico pensando nos filhos dele, na mulher dele, na roupa, como estão se vestindo. E a dos outros? É f... Eu tenho propostas, sim. Mas sou homem. Vou ficar”, disse.

...e se não fosse o Sheik...

O atacante tentou esquivar, mas parece estar emprestando dinheiro aos companheiros. “É chato falar disso, não quero. O futebol é a oportunidade de o moleque sair da favela, do meio do tráfico e sonhar. Você vai do lixo ao luxo. E nem todos são extremamente ricos, como pensam. Nos clubes em que joguei no Brasil, os jogadores, na maioria, tinham conforto. Aqui, estou vendo atletas com dificuldades de botar gasolina.”

O jogador foi além, e cobra seriedade do clube. “Nunca vivi isso. Mas não esqueço de onde eu saí. A molecada está sem receber. E não recebe salários astronômicos. São três, cinco meses. E tão importante quanto o dinheiro é o carinho. O ser humano espera uma palavra de apoio, conforto, carinho, uma esperança. Óbvio que precisa de grana para pagar contas. Supermercado não aceita carinho”, finalizou.

O Botafogo joga neste sábado (2), as 17h30 (hora de Manaus), contra o líder Cruzeiro, pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro. O Fogão está na 13º colocado na tabela, com 12 pontos ganhos em 12 partidas. A campanha do Alviverde é de três vitórias, três empates e seis derrotas.