Ela não atua na defesa, mas pode muito bem derrubar quem vem pela frente. Não se trata de um volante, todavia tem marcação implacável. Também não é atacante, mas tem potencial para te deixar numa rede. A virose vem sendo, literalmente, uma das principais dores de cabeça nos departamentos médicos dos clubes que disputam o Campeonato Amazonense deste ano e já acometeu pelo menos 47 jogadores desde o início da pré-temporada.
Para alguns preparadores físicos, não há prevenção para a doença, que às vezes é ignorada pelos times e os atletas concordam em jogar no sacrifício. Normalmente, a doença é contraída por conta da instabilidade no clima da região nesta época do ano, onde o cenário é de frequente revezamento entre o calor e as chuvas fortes, bem como a transmissão via mosquito.
Cidade mais populosa e urbanizada da competição, Manaus contabiliza o maior número de casos recentes, totalizando 31. No interior, o Princesa do Solimões, de Manacapuru (a 60 quilômetros de Manaus), foi o que mais sofreu com o diagnóstico do vírus, tendo oito jogadores afetados. Na capital, o Sul América lidera a lista das vítimas, com 12 infectados.
Com oito casos de virose desde a pré-temporada até agora, o Nacional aposta em procedimentos comuns para tratar a doença. “A gente toma aqueles cuidados que qualquer pai e mãe de família conhecem: tentar evitar trabalho em períodos de chuva e próximo de terrenos com retenção de água. A gente evita expor os atletas em situação de risco”, explica o médico do Nacional, Rafael Beloniel.
Quando o atleta é acometido, o recomendável é a liberação para descanso, conforme observa o preparador físico do Iranduba, José Said.
“A gente recomenda uma semana de descanso, tiramos o atleta do treinamento. Só nas últimas três semanas, tivemos três jogadores com virose e o procedimento foi esse, de indicar para o clínico e evitar que o contato possa contaminar os demais atletas”, disse Said.
Com o elenco reduzido, o Rio Negro segue na “contramão” do que é recomendado. “Aqui, uns quatro tiveram problema, mas eles jogam no sacrifício porque temos poucos atletas”, admitiu o auxiliar técnico Carlos Prata.