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Ser um atleta de alto rendimento requer investimento pesado

Reportagem do CRAQUE mostra quanto custa ser um esportista de alto nível no Amazonas

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Treinos, equipamentos e acompanhamento técnico estão entre gastos (J. Renato Queiroz)

Talento, horas e mais horas de treino, disputas locais, nacionais e internacionais. Medalhas, troféus e um lugar no topo do pódio. Um atleta de alto rendimento é capaz de alcançar tudo isso com determinação, força de vontade e perseverança. Mas o que poucas pessoas sabem é que para ser o número um, para estar entre os melhores, requer muito mais. Em uma reportagem especial, o CRAQUE mostra quanto custa ser um atleta de alto nível. Necessidades, gastos, ilusões, vitórias e superações.

Além de bons equipamentos e técnico especifico para cada modalidade, para estar bem preparado e evitar problemas, como uma lesão grave, um atleta precisa contar com uma equipe multidisciplinar. E isso inclui médico, preparador físico, fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo. A grande questão é que isso não é uma tarefa tão simples, afinal de contas tudo tem um preço.

Eliana Lima, fisioterapeuta formada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) faz, há pelo menos seis anos, um trabalho totalmente direcionado a atletas de vários esportes. Ela explica que a fisioterapia é tão importante quanto o treinamento para as competições.

“Na verdade, nós fazemos um trabalho de prevenção. O ideal é que todos os atletas sejam acompanhados por um fisioterapeuta, afinal isso evita lesões e incômodos durante os treinamentos. E não adianta nos procurar só quando está sentindo alguma dor, porque ela vai passar, mas depois de algum tempo voltará”, comentou Eliane.

“O nadador Nicolas Verly, de 15 anos, é um bom exemplo. Ele só me procurava quando estava machucado e vivia se queixando de dores. Mas tudo mudou depois que ele começou a fazer as sessões necessárias mensalmente. Hoje o acompanho de perto, ele faz duas ou três sessões de fisioterapia por semana, tem um rendimento melhor e já não sente incômodos durante os treinos”, completou.

Uma sessão de fisioterapia custa em média R$ 100. Na clínica da doutora Eliane, a primeira consulta custa R$ 200, que dá direito a um retorno. “O ideal é que o atleta faça três sessões por semana, mas como são muitas horas de treino e algumas viagens, por conta de competições fora de Manaus, nem todos conseguem manter esse ritmo e maioria acaba fazendo duas sessões. O valor de duas sessões é de R$ 270 e de três R$ 350”, pontuou.

Nutrição

Para aguentar uma, duas horas de treino por dia, mais as sessões de fisioterapia e as competições, que geralmente acontecem nos fins de semana, o atleta precisa ter uma boa alimentação. E é aí, entra o trabalho do nutricionista.

“Se o atleta não tiver uma boa alimentação aliada ao treinamento ele não conseguirá evoluir. É como se fosse um carro, se não tiver combustível ele não anda. E isso vai além de um acompanhamento, inclui alimentação diferenciada mais a suplementação”, comentou Raphaela Cabral – nutricionista especialista na área esportiva.

“São muitas horas de treino, depois vem às disputas e tudo isso gera um gasto muito grande de energia. Então, os atletas precisarão de suplementos que os ajudarão a suprir esse gasto energético. Mas, vale lembrar que isso não vale para praticamente de exercícios físicos – pessoas que praticam esporte apenas para ter uma vida mais saudável – a suplementação é apenas indicada para atletas profissionais e existe um tipo adequado para cada pessoa, isso depende muito da rotina de treinos de cada um”, explicou Raphaela.

Ainda de acordo com a nutricionista, em média um atleta chega a gastar R$ 500 mensais com suplementação alimentar e R$ 250 com consultas.

Psicológico

Tão importante quanto ter o acompanhamento de um fisioterapeuta e de um nutricionista, é contar também com a ajuda de um psicólogo. Afinal, os atletas precisam aprender a lidar com as vitórias, derrotas e com as muitas horas de preparação, além é claro da disciplina e dedicação que cada esporte exige.

“É claro que a ausência de um psicólogo não vai impedir um atleta de alcançar bons resultados, mas é preciso dizer que a ciência pode contribuir e muito para uma carreira bem sucedida. A vida do atleta tem uma linha tênue, uma hora ele está bem e outra não. O esporte é cheio de altos e baixos, às vezes a preparação pode ter sido excelente, mas não podemos esquecer que a do adversário pode ter sido superior e por isso ele levou a melhor e teremos que entender isso de alguma forma”, comentou Ítalo Nonato – psicólogo especialista em esporte.

“Também precisamos dizer que em alguns esportes, como no caso da ginástica, os atletas começam a levar uma vida “militar”, cheia de regras, muito cedo, aos 4, 5 anos. E isso também tem que ser trabalhado. Tem ainda o desconforto psíquico, que no esporte chamamos de pressão. E essa pressão é diferente do esporte individual para o coletivo. Quando uma pessoa pratica vôlei, futsal ou futebol, por exemplo, ela tem com quem dividir a responsabilidade e em modalidades individuais estará sozinha e terá que saber enfrentar a situação”, completou Nonato.

A primeira consulta com o psicólogo custa em média R$ 200, com direito a um retorno. O número de sessões varia de acordo com cada pessoa, segundo Ítalo Nonato. “O custo inicial, com duas sessões por mês sai em torno de R$ 1500. Mas claro que isso vai depender muito da complexidade da pessoa”, completou.

Mas os gastos não param por aí. Não podemos esquecer das consultas médicas,  que são feitas geralmente de seis em seis, dos exames, das taxas de inscrições para as competições, equipamentos, roupas adequadas, passagens e hospedagens. Realmente, ser atleta de alto nível é muito caro.