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Em mais um jogo para esquecer, Brasil toma três gols da Holanda e não consegue esboçar reação

Resultado de confronto pelo terceiro lugar na Copa mostra, mais uma vez, que uma mudança profunda precisa ocorrer no futebol nacional

A Seleção Brasileira disputa o terceiro lugar do Mundial com a Copa 2014

A Seleção Brasileira disputou o terceiro lugar do Mundial contra a Holanda (Celio Messias/VIPCOMM)

“Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima”. O “por cima”, logo após um  7 x 1, já não poderia ser tão alto. Mas, desfigurado o sonho, restava a chance de uma despedida digna, com vitória. Não deu. A Holanda venceu a Seleção Brasileira por 3 x 0 neste sábado (12.07), no Estádio Nacional de Brasília, e garantiu o terceiro lugar na Copa do Mundo da FIFA 2014. Restou ao Brasil a quarta colocação.

O primeiro gol holandês saiu com dois minutos de jogo, em pênalti cobrado por Van Persie. O segundo foi marcado por Blind aproveitando um erro de David Luiz, aos 16 do primeiro tempo. Wijnaldum fez o terceiro já nos acréscimos da etapa final.

Durante o primeiro tempo, Robben também levou cartão amarelo por cometer falta em Paulinho.

Torcedores tentaram manter o otimismo

Pouco antes do começo da partida da disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo, no Estádio Nacional de Brasília, torcedores brasileiros tentavam manter o otimismo e alegria para enfrentar a Holanda.  A chegada ao estádio, conhecido como Mané Garrincha, revelava uma imagem que se confirmou na arquibancada: presença majoritariamente brasileira e poucos estrangeiros na plateia do terceiro lugar.

Do lado de fora, a recepção foi em ritmo tipicamente brasileiro. O samba tocado por um grupo de percussão de estudantes medicina em Brasília atraia os passantes, que se surpreendiam ao ver a cor laranja das roupas dos percussionistas. “Foi uma coincidência. Essa é a cor da nossa faculdade”, explicou, bem-humorada, a estudante Luísa Real, 21 anos. Segundo ela, esse foi o segundo jogo que o grupo decidiu animar do lado de fora para quem não tinha ingresso. “Como a faculdade é aqui perto do estádio, a gente passa lá, pega os instrumentos e vem para cá. Hoje vieram 20 integrantes”, contou.

O fato da disputa entre as duas seleções ser pelo terceiro lugar não desanimou quem tinha ingresso. A relações governamentais Haykel Pinheiro Barbosa, grávida de 39 semanas de um menino chamava atenção de quem chegava ao estádio. “Pode nascer a qualquer hora, pode até nascer no estádio. Acho que a Copa está preparada, tem ambulância e corpo médico que pode me levar direto para a maternidade”, disse, otimista.

Segundo Haykel o esforço vale mesmo que seja para torcer pelo terceiro lugar, opinião compartilhada pela bancária e psicóloga Renata Rodrigues. “Não esperava ver o Brasil disputando o terceiro lugar. É muito triste, mas estou confiante que vamos conseguir o terceiro, pelo menos, e amanhã sou Alemanha desde criancinha”, afirmou.

A torcida brasileira ainda recebeu o apoio de torcedores de outras países. O francês Andre Gau fez questão de declarar sua paixão pelo futebol verde-amarelo. Aposentado, Gau chegou de Paris há algumas semanas e disse que já esteve em várias cidades brasileiras, como Salvador e Rio de Janeiro. “Eu adorei o Brasil. É a primeira vez e o que mais gosto daqui é o futebol”, disse, ao admitiu que pretende voltar.

O estudante chineses Yujian Wang e a amiga Gwan Xin, ambos de 20 anos, também pareciam maravilhados com o país e adotaram o discurso da maioria da torcida canarinho. “Estamos adorando e o que mais gostei foram os brasileiros que são muito legais. Hoje somos Brasil e amanhã somos Alemanha”, contou Yujian. A chef de cozinha peruana Joana Rojas mora no país há dois anos, estava com os filhos em frente ao estádio e disse que, sem ingresso, torceriam ali mesmo. Todos com a camiseta verde e amarela, “mas amanhã torcemos para Argentina”, disse.

Apesar de outros países aderirem à torcida canarinho, entre brasileiros houve dissidências. Júlia Catarina de Aquino, biomédica de 26 anos, estampava as cores e a blusa da seleção holandesa. “Não vou entrar no estádio, mas vou torcer para Holanda porque estou torcendo para eles desde o início da Copa. O Brasil vai ganhar, mas a Holanda vai dar trabalho. Acho que dá 1 x 0”, arriscou.

Dentro do estádio a previsão não se confirmou no primeiro tempo, que terminou em 2 x 0 para os europeus. Quem se aproximou mais do resultado dos primeiros 45 minutos de jogo foi o analista holandês Ruud Dautzenberg. Minutos antes da partida, Dautzenberg disse que gostou muito do Brasil e quer voltar, mas, segundo ele, o dia hoje é da Holanda. Ele e uma amiga, que estavam totalmente fantasiados, viraram sensação em frente ao Mané Guarrincha e tiveram que parar a cada dez passos para tirar fotos com brasileiros. “Cheguei há seis semanas e volto na próxima semana para meu país. Está tudo muito bom”, afirmou.

Ainda do lado de fora, o estudante de educação física Lucas Mariano quis aproveitar o jogo para divulgar um novo esporte. Ele conseguiu reunir alguns colegas para mostrar, em frente à arena, um jogo criado há dois anos em Brasília. “Chama futemanobol. É novo, mas tem regras muito definidas. A parte do pé é igual ao futebol, mas o jogador que não tem tanta habilidade com os pés pode usar o braço ou as mãos. O tamanho do time depende da área que temos para jogar”, explicou.

*Com informações de Kelly Oliveira e Carolina Gonçalves (Agência Brasil) e do Portal da Copa.