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Santarém, ídolo do São Raimundo, será homenageado na reabertura do Estádio do Colina

Um dos maiores jogadores da história do São Raimundo, o ex-jogador dará o ponta pé inicial no clássico Galo Preto. Partida marca a volta de um dos mais tradicionais estádios do Amazonas

Maior ídolo da história do São Raimundo, Santarém será homenageado na reabertura da Colina

Maior ídolo da história do São Raimundo, Santarém será homenageado na reabertura da Colina (Denir Simplício)

Nilo Pereira Maranhão é conhecido pelos vizinhos da rua do Rosário, no bairro de São Raimundo, Zona Oeste de Manaus, apenas como seu Nilo. Porém, para os torcedores mais antigos do “Tufão da Colina”, o "Santarém", alcunha que lhe tornou famoso, é tido como o maior ídolo da história do clube - que terá seu estádio reinaugurado na noite desta quinta-feira (3). O ex-jogador será um dos homenageados no clássico mais mítico do futebol local.

Santarém, hoje com 75 anos, marcou 110 gols com a camisa do São Raimundo, time que defendeu durante 12 anos. No final da carreira ainda atuou com destaque pelo Rio Negro, sendo um dos artilheiros do campeonato amazonense de 1972. Teve ainda curta passagem pelo América de Amadeu Teixeira, mas já não tinha o mesmo ímpeto dos anos anteriores.

Em entrevista ao Portal A Crítica, o ex-jogador, que chegou a ser conselheiro do clube, falou do passado como atleta, da homenagem que receberá, do rumo futebol local e até da participação do Brasil na Copa do Mundo.

Como foi a estreia com a camisa do Tufão?

“Vim pra Manaus, trazido por um tio, que também foi jogador. Na minha chegada ao São Raimundo, em 1957, arrumaram um amistoso contra o Nacional para fazer a minha apresentação e a do Parintins, outro jogador que estrearia no time junto comigo. Ganhamos de 5 a 0. Foi muito fácil, eu fiz três gols.”

Quais as lembranças dos clássicos Galo Preto? 

“Passado uns 20 dias do jogo contra o Nacional. Nós tomamos de 8 a 0 do Sulamérica. Foi a última vez que eu perdi pro Sulão. Passei nove anos sem perder um jogo pra eles. Eles até ganharam algumas vezes, mas não comigo em campo.”

”Lembro de um jogo que nós estávamos ganhando de 6 a 0, deles. Eu sofria falta próximo da área e o Vadinho, ponta-esquerda, ia lá e cobrava. O cara tinha uma bomba no pé esquerdo, e o goleiro deles sempre soltava a bola. Aí eu só fazia empurrar pro gol. Quando não era eu, era o Airton”.

Quem parava Santarém? 

“O Sula! Zagueiro que começou no Sulamérica e depois foi pro Nacional. Ele me deu muito trabalho, mas eu fazia meus gols assim mesmo. Quando perguntam pra ele quem foi o atacante que mais deu trabalho pra ele, o Sula sempre responde: o Santarém”

Qual o goleiro que mais sofreu com seus gols?

“O melhor goleiro, foi o que mais me deu alegria. Eu nunca joguei contra o Clóvis que não fizesse gol. Lembro de um jogo na Colina que eu estava no banco. O técnico era o João Bosco. Eu já estava ficando velho e ele me colocava na reserva pra entrar no segundo. Pois bem, o jogo estava 0 a 0, aí eu entrei e meti uma bola de cobertura no Clóvis.”

Como foi a saída do São Raimundo para jogar no Galo?

“Eu joguei um ano no Rio Negro, os caras de lá me trataram muito bem. Me chamavam pra tudo que era evento, eu pensei que eu fosse sair de lá rionegrino. Mas quando o contrato acabou, não deu. Não tinha como eu mudar, sou São Raimundo, não tem como mudar”

O senhor acha que os ídolos do passado são esquecidos?

“Gosto muito dos irmãos Piola, mas todas as vezes que falam de futebol, que existe algum evento, a inauguração de algum estádio, chamam apenas os Piola. Tem o Sula, o Sabá Burro Preto, o Dermilson, que foi um dos melhores meia-esquerdas do futebol amazonense. Muita gente que fica esquecida.”

Qual a principal diferença entre o futebol atual e o da sua época?

“No tempo que eu jogava, o time não parava. Quando o campeonato acabava, nós fazíamos pequenas excursões para Parintins, Rio Branco no Acre... Agora para tudo. O time acaba e no ano seguinte tem que refazer tudo de novo. Isso é ruim.”

O que aconteceu com o São Raimundo que já foi o melhor time do Amazonas?

“Acho que o dinheiro acabou. Pra manter um time bom aqui no campeonato amazonense já é difícil, agora imagina numa série B, que tá cheio de time bom. Mas o São Raimundo teve seus tempos de glória. Espero que retorne.”

Falta apoio aos clubes locais ou melhor gestão?

“Tem tanto empresário no Distrito (Industrial e no Polo Industrial de Manaus) e ninguém ajuda o futebol. O governo já construiu campos para os times jogarem, agora falta os clubes se organizarem. Não adianta só pedir dinheiro, têm de ter algo em troca”.

E o legado que a Copa deixou pro nosso futebol, a Arena vai resolver?

“Acho que nós temos de começar por esses dois estádios (Colina e Carlos Zamith). Ou até o terceiro, o Sesi. Depois é pensar na Arena da Amazônia. Temos de trazer os torcedores aos poucos de volta aos estádios. Quando o publico for grande o bastante pra levar pra Arena, a própria torcida vai pedir para os jogos serem lá”.

O senhor ainda vai aos jogos do Tufão?

“Até gostaria de ir, mas tenho um problema de hérnia de disco, que atrofiou a minha perna esquerda. Eu acompanho as partidas pela TV. Fica muito difícil pra mim, ter de pegar ônibus e me deslocar até o estádio. Prefiro assistir pela televisão, mas adorava ir pra Colina. Talvez volte a acompanhar depois na reabertura”.

Como o senhor ficou sabendo que seria homenageado?


“Recebi um recado do meu cunhado, dizendo que era pra eu ligar lá pra diretoria do São Raimundo. Eu pensei, se eles querem me fazer essa homenagem, eles é que têm de me procurar. Então dei o número do meu celular e eles me ligaram. Depois me prometeram cinco convites, mas para pegar dois ingressos foi muito difícil. Minha neta é que foi lá brigar para pegar esses dois. Queria levar meus parentes. Não sei o que houve. Ela é que foi lá na sede e fez uma confusão, até que conseguiu sair de lá com dois ingressos”.

Qual será sua reação no momento da homenagem?

“Talvez eu chore. Eu sou uma moleza pra chorar. Eu começo a lembrar das coisas que eu fazia e que não posso mais fazer. Dos amigos com que joguei, dos que já partiram. Mas isso faz parte da vida. É coisa de Deus, temos de aceitar.”

E a torcida atual, lhe reconhece na rua?

“Os novos não me conhecem, se me conhecem, não falam comigo. Mas o mais antigos, os da época que eu jogava, quando me veem, fazem festa. Ontem mesmo, quando souberam que eu iria dar o ponta pé inicial na partida da Colina, vieram me dar os parabéns, me abraçaram, muito bom.”

O que o senhor acha das atuações da Seleção Brasileira na Copa?

“Eu confio. É a seleção do meu País, não está tão boa, mas eu confio. Os times são muito parecidos, as seleções estão equiparadas. São quase iguais. Porém, os brasileiros se destacam por serem mais habilidosos. Nenhuma seleção vem pra cima do Brasil, eles tem medo. Ainda existe o respeito.”

E o que o senhor acha do nosso atacante, o Fred?

“Está todo mundo ‘cortando’ o Fred, mas o homem quase não toca na bola. Quase não se houve falar o nome dele. O Fred fica muito parado no ataque. Quando eu jogava, eu me movimentava muito. Caia pra esquerda, pra direita, pra poder receber a bola. Eu me movimentava mais pra esquerda, assim eu cortava pra dentro e batia com a perna melhor, a direita.”

O evento de reabertura do estádio Ismael Benigno, a Colina, localizada na Zona Oeste de Manaus, ocorrerá às 20h30 desta quinta-feira (3). Com a partida entre São Raimundo e Sulamérica, o tradicional Galo Preto. As equipes serão compostas por ex-jogadores de ambas as equipes, mescladas com atletas que atuaram pelos times no campeonato deste ano.