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Caso da Pedofilia na base de clubes de futebol de Manaus está nas mãos da polícia

Material que deu origem à reportagem especial do CRAQUE foi encaminhada nesta quarta-feira (22), para a Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca)

Denúncias de exploração sexual nos times de base amazonenses

Reportagem causou grande impacto nos fãs do esporte bretão (Winnetou Almeida)

Delegado titular em exercício da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), Rafael Allemand, 31, teve acesso, nesta quarta-feira (22), ao material captado pelo Jornal A CRÍTICA que deu origem à reportagem “Jogo Sujo - Um retrato da Exploração Sexual no Futebol de Base de Manaus”, sobre o aliciamento e exploração de menores nas categorias de base do futebol amazonense.

A publicação causou indignação na sociedade e teve grande repercussão não apenas na opinião pública, mas também nos meios governamental, jurídico e policial.

Allemang recebeu do editor do caderno CRAQUE, Leanderson Lima, 33, as gravações das entrevistas com as vítimas e os diálogos que a reportagem teve acesso nas rede social Facebook e no aplicativo WhatsApp entre aliciadores e aliciados. “Estávamos aguardando o início das investigações para repassar esse material para a Polícia Civil. Estou na torcida para que a polícia possa fazer um grande trabalho neste caso”, declarou o editor.

A investigação partirá dos relatos das vítimas. “Primeiramente, vamos identificar os adolescentes e ouvi-los. A partir daí, é que vamos dar inicio ao procedimento policial. Fazendo as degravações dos depoimentos até identificar os aliciadores e convocá-los a prestar declarações à polícia”, explica.

O delegado afirma que neste primeiro momento de apuração não há como tipificar os crimes (se é exploração sexual, assédio, aliciamento, indução à prostituição), porque tudo começa a partir da análise do conteúdo dos depoimentos dos menores vitimados e do material obtido durante a reportagem.

Dependendo do tipo de crime, segundo delegado, pode haver decretação de prisão preventiva. “Podem ter acontecido crimes menos graves e outros mais graves. O que vai definir essa questão é justamente o conteúdo dos relatos das vítimas”, analisa Allemang, dizendo que o sigilo é fundamental para o andamento da investigação e, sobretudo, para a segurança das vítimas. “ Algumas vítimas podem ser recalcitrantes (resistir a dar depoimento) por medo. Por outro lado, os acusados podem ameaçar de algum modo as vítimas. Trata-se de uma investigação delicada nesse sentido. Por isso, tudo vai transcorrer em sigilo”, complementa Allemag, que substitui a titular da Depca, Linda Glaucia.

Além da Depca, a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Amazonas (OAB-AM), por meio da Comissão dos Direitos Humanos, e o Ministério Publico Estadual (MPE) entraram na cruzada contra o assédio nas categorias inferiores do futebol.

Escândalo no futebol

Reportagem publicada no dia 12 deste mês no caderno de esportes CRAQUE, de autoria dos jornalistas Leanderson Lima, Paulo Ricardo Oliveira e Lorenna Serrão deu publicidade a um verdadeiro escândalo envolvendo treinadores e auxiliares na base dos clubes locais. Conforme os diálogos e as entrevistas, técnicos e auxiliares se aproveitam da função de comando para aliciar crianças e adolescentes menores de idade, oferecendo-lhes material de treino (chuteiras, roupas, tênis) ou mesmo a titularidade no time em troca de favores sexuais.

Atletas de Cristo

Coordenador geral do Projeto Atletas de Cristo, ação social existente há dez anos no Estado com vários núcleos na capital e no interior, Raimundo Lúcio da Silva, vê com bons olhos o início das investigações. “Trabalho com crianças e adolescentes entre sete e 17 anos e luto contra drogas, prostituição e pedofilia. Temos que pôr um fim nisso”