Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Especial 24 anos depois: Confira o que mudou na Seleção Brasileira de lá pra cá

Recorde dos gênios do futebol, como Garrincha, Pelé, Didi, Gerson, Tostão entre outros e as conquistas da Seleção Brasileira

O atacante artilheiro Romário beija a taça da Copa do Mundo, no dia 17 de julho de 1994

O atacante artilheiro Romário beija a taça da Copa do Mundo, no dia 17 de julho de 1994 (Divulgação)

Nos anos dourados do futebol brasileiro (leia-se 1958, 62 e 1970) o Brasil venceu a Copa do Mundo jogando o melhor do futebol arte. Tínhamos gênios como Garrincha, Pelé, Didi, Gerson, Tostão entre outros. O negócio era jogar pra frente, jogar bonito...

É, mas o tempo passou e o País até conseguiu produzir uma boa safra de craques ao exemplo da Seleção que disputou a Copa do Mundo de 1982 com Zico, Sócrates e Falcão. Mas se o ataque era genial, a defesa, quase sempre, deixava a desejar.

Depois do fracasso de 86 a Seleção começou a se preocupar mais com o sistema defensivo. Em 1990 foi apenas um ensaio. Quatro anos depois o negócio finalmente funcionou.

O torcedor se desesperava com tanto volante na Seleção: Dunga, Mazinho, Mauro Silva... O único camisa 10 de ofício, Raí, atravessava uma fase tão complicada que a torcida “mudou” o nome dele para “Ruim”. O técnico Carlos Alberto Parreira bancou o futebol pragmático e defensivo. A dupla de zaga, formada pelos Ricardos Gomes e Rocha não foi titular. Gomes foi cortado antes da Copa por contusão. Já o Rocha se machucou na primeira fase. Entra em cena uma das melhores duplas de zaga em Copas de todos os tempos: Márcio Santos e Aldair. No meio campo os volantes Dunga e Mauro Silva não deixavam passar nem vento. Mazinho se juntou a eles na vaga de Raí. Zinho (o enceradeira) fechava o meio de campo. Pensem em um jogador contestado?! As laterais eram guardadas por Jorginho e Leonardo. Com uma defesa tão boa Taffarel passou boa parte do Mundial lendo jornal. Enquanto isso, Bebeto e Romário se viravam para “furar” as defesas adversárias.

Com esse time o Brasil venceu a Rússia na estreia por 2 a 0, gols de Romário (27min) e Raí (aos 8 min do 2º tempo de pênalti) no primeiro jogo da primeira fase. No segundo, um “passeio” contra Camarões 3 a 0: gols de Romário (39 min), Márcio Santos (21 min) e Bebeto fechou o placar aos 28 do segundo tempo. O terceiro jogo foi “osso”. A Suécia, nossos velhos conhecidos. O Brasil sofreu seu primeiro gol de Kennet Andersson aos 23 minutos do primeiro tempo. Com um minuto do segundo tempo Romário deixou tudo igual.

Nas oitavas-de-final enfrentamos os donos da casa, os Estados Unidos no dia da independência deles: 4 de julho. Foi uma batalha. Os EUA tinha um time valente, mas formado por jogadores com pouca rodagem. Nesta partida o lateral Leonardo acertou uma cotovelada no uruguaio naturalizado norte-americano Tab Ramos e acabou expulso. O jogador sofreu uma fratura no maxilar e Leonardo acabou banido daquela Copa.

Sem um meia armador de ofício coube a Romário o papel de criar as jogadas e ele fez uma perfeita para Bebeto que, em um toque “cirúrgico”, conseguiu furar a defesa dos Estados Unidos. Brasil 1 a 0.

Na partida seguinte o jogo mais incrível do Brasil naquela Copa foi contra outro velho conhecido: a Holanda. E parecia que ia ser fácil. No segundo tempo, aos 8 minutos, Romário abriu o marcador. Dez minutos depois foi a vez de Bebeto driblar De Goey e fazer uma homenagem ao filho Matheus, que tinha acabado de nascer.

Mas a Laranja nunca deu vida fácil ao Brasil. Um minuto depois a Holanda diminuiu com Bergkamp e aos 31 deixou tudo igual com Winter. Tensão. A Seleção Brasileira teve o jogo na mão e agora tinha que correr atrás. O papel de salvador da pátria ficou para o lateral-esquerdo Branco.

Quase cortado no início por problemas físicos, ele foi “bancado” pelo médico Lídio Toledo. Depois da suspensão de Leonardo ganhou a vaga para entrar para a história do futebol mundial. Na hora do gol - em uma cobrança de falta -, batizado de “cala a boca”, Branco chorou e homenageou o médico.

Na semifinal, a Suécia novamente pelo caminho. E na terra dos gigantes suecos brilhou a estrela de um baixinho. Depois de um cruzamento perfeito de Jorginho, Romário fez um gol de cabeça aos 36 minutos do segundo tempo. Brasil na final!

A decisão não poderia ter sido mais emblemática. Assim como aconteceu em 1970, novamente a Copa seria decidida entre Brasil e Itália. Naquela ocasião as duas seleções decidiram quem seria o primeiro tri da história. Em 1994 os times disputaram o primeiro tetra. E como demorou para que pudéssemos conhecer o campeão. Não teve gol no tempo normal. Também nada na prorrogação. A decisão foi para os pênaltis.

O primeiro a bater foi Franco Baresi, que isolou. Márcio Santos foi para a cobrança, mas ela terminou nas mãos de Gianluca Pagliuca. Albertini cobrou e fez. Em “paradinha” Romário deixou tudo igual. Evani bateu no meio do gol. Branco novamente igualou o marcador. Estava na hora de brilhar a estrela de Taffarel. Daniele Massaro bateu e o goleiro brasileiro defendeu. Dunga colocou o Brasil na frente. Estava nos pés do craque Roberto Baggio a sobrevivência da Itália na série. Ele mandou a bola nas nuvens. Festa no Brasil, que voltava a ser campeão do mundo 24 anos depois da última conquista. Foi a primeira vez que uma Copa do Mundo foi decidida nos pênaltis.

E foi assim que Manaus viu aquela Copa do Mundo, com um título para aplacar a tristeza pela morte de Ayrton Senna e com a esperança de dias melhores com o nascimento de um novo plano econômico que, finalmente, deu certo.