Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Especial Craque: Confira edição dedicada ao Dia do Esportista celebrado nesta quarta (19)

A edição conta a história de pessoas que tiveram a vida transformada pelo esporte, esta invenção do homem que oferece saúde, prazer, qualidade física e mental

O esportista é aquele que pratica qualquer esporte por prazer, pelo resultado que ele proporciona ao corpo, à mente, à vida

O esportista é aquele que pratica qualquer esporte por prazer, pelo resultado que ele proporciona ao corpo, à mente, à vida (Arte: Romahs sobre fotos de Bruno Kelly, Euzivaldo Queiroz e Lucas Silva)

Nesta quarta-feira (19) é Dia do Esportista e o CRAQUE brinda você, leitor, com uma edição especial que conta a história de pessoas que tiveram a vida transformada pelo esporte, esta invenção do homem que oferece saúde, prazer, qualidade física e mental. Que ajuda a lidar com medos, frustrações; ensina a conviver com regras, respeitar limites, fazer amigos e solucionar problemas.

O esportista é aquele que pratica qualquer esporte por prazer, pelo resultado que ele proporciona ao corpo, à mente, à vida.

Corrida

Ela tem nome de cantora, já experimentou o jornalismo, ficou viúva, trabalha atualmente como corretora de imóveis, mas se encontrou realmente como corredora de ultramaratona (provas de longa distância). Maria Rita de Cássia Fernandes, 46 anos, já foi sedentária um dia, mas hoje é o que se pode chamar de super-atleta, seja pela carga exaustiva diária de treinos que começam na madrugada, seja pelas longas distâncias que percorre mundo afora na busca pela superação das próprias marcas.

Rita já está nos preparativos para o Desafio Vitória/Anchieta, programado para o dia 29 de março, na capital de Santa Catarina, Florianópolis. “Faço duas horas e meia de treinos por dia. Nos fins de semana, a carga aumenta”.

Ainda sem patrocinador, a corredora tira do próprio bolso dinheiro para custear tênis, roupas adequadas, passagens aéreas, hospedagem e alimentação nos eventos que participa, mas todo gasto e esforço, segundo ela, valem à pena em troca da satisfação e da alegria que a corrida lhe oferece. “Sou viciada em corrida. Eu assumo: é um vício. Saudável! Não consigo ficar sem correr um dia. Senão, fico estressada. Meu dia não fica legal”, assume a atleta.

Em setembro do ano passado, Rita gastou R$ 6 mil para disputar os 273 quilômetros da ultramaratona Grand to Grand, no Grand Canyon, região de desfiladeiro nos EUA que está entre as Sete Maravilhas do Mundo. A amazonense terminou os seis dias de prova em 61 horas, ficando entre as 77 mais bem classificadas. “Foi uma experiência e tanto para mim. Eu trabalhei muito para conseguir disputar essa prova. Meus clientes (ela trabalha como corretora) são meus parceiros, pois são eles que me patrocinam”, reconhece.

Evangélica, Rita considera que a corrida, além de prática esportiva saudável, é uma válvula de escape à carga horária pesada diária da função do trabalho como corretora de imóveis, ao caos no trânsito, aos problemas pessoais e familiares. “Eu começo meu treino 4h da manhã. Chego em casa 6h30 e tomo meu café para 8h começar a trabalhar como autônoma até 17h. Meu escritório é meu carro (Gol). Nele, tem trena (fita para medir terreno), notebook, documento de venda e locação, tênis, roupas de treino (risos)”.

Eterna campeã de volta pra água

A saúde intocável, a recuperação rápida da rigidez muscular, a facilidade em readquirir resistência física foram alguns “legados” que ajudaram a nadadora Louise Haddad Maciel, 29, no retorno dela às piscinas após seis anos parada.

A prioridade dada à faculdade de biologia, a gravidez inesperada e o acidente automobilístico com o antigo técnico (Naldo) a fizeram encerrar por tempo indeterminado as braçadas. A natação então passou a ser uma paixão guardada na lembrança. Nesse ínterim, Louise passou no concurso para escrivã de Policia Civil, cuidou da filha, Raiza, hoje com cinco anos, enfim, viveu o ônus e o bônus da independência feminina, mas faltava algo. Foi então que ela mergulhou de cabeça novamente na modalidade que escolheu aos oito anos por influência de familiares para acalmar uma inquietude comum na idade e fazê-la um pouco mais concentrada.

“Voltei a nadar para readquirir a antiga forma física. Quando parei de nadar e engravidei, cheguei a engordar 14 quilos na época”, disse a policial-atleta (ou vice-versa), que ajudou a enxugar o corpo com a musculação.

A volta de Louise à natação, é claro, foi uma sábia decisão pessoal, mas foi facilitada também pelo horário de trabalho como policial civil, pois cumpre plantão de 24 horas por 72 horas de folga. Assim, sobra tempo para se cuidar e ainda acompanhar a pequena Raiza, que, “para variar” também pratica natação, ambas na Atlética Atenas (antigo Olímpico Clube).

“Nunca tive problemas com doenças. Acredito que a natação me deu uma boa resistência fisica. Então é um esporte muito bom para começar desde criança”, diz.

Além de benefícios físicos, a natação proporcionou à vida de Louise grandes amizades e a fez cruzar o Brasil representando o Amazonas em competições colegiais e de clubes. Embora o esporte ainda viva alguma dificuldade de apoio, a policial diz que na época dela era bem mais difícil.

“Acredito que a falta de incentivo por parte da própria federação (de natação) leva alguns nadadores a abandonarem cedo o esporte. Na minha época, por exemplo, ainda não tinha o bolsa-atleta”, compara Louise, que não fuma, mas se diz adepta de vinhos e, de vez em quando, toma umas skarloffs.

Novos rumos esporte e natureza

Empresária do ramo de viagens radicada em Manaus há nove anos, a paulista Graziela de Vasconcelos, de 31 anos, casada, dois filhos, é hoje uma das adeptas da, digamos, matemática do bem. Nessa conta, você tem que perder para ganhar. Graziela tinha 75 quilos, baixou para 61 quilos, e deseja chegar em breve aos 57 quilos.

A perda dos “quilinhos a mais” não foi fruto de nenhuma dieta mágica, mas, simplesmente, de atitude.

Em 2012, a empresária participou como convidada da Spinning River Session (aulão de Spinner sobre uma balsa em pleno Rio Negro). Foi o start para uma cruzada esportiva pessoal. A partir de então, o Spinning passou a fazer parte do dia a dia de Graziela, mas não ficou por aí. A aula sobre o rio a inspirou também para um outro esporte fluvial que é atual febre entre os bacanas, o Stand Up Paddle (SUP). Essa modalidade surgida na Polinésia que combina prancha, remo e natureza tem mudado a vida da empresária. Para melhor é claro. “Praticamos sempre nos fins de semana e quando temos disponibilidade terças e quintas, normalmente de 6h às 8h, mas a partir de março teremos que fazer treinos de 5 horas três vezes por semana para nos prepararmos para um evento esportivo”, afirma a praticante.

Não contente, Graziela envolveu também a família na prática esportiva sobre o rio, o marido Diogo de Vasconcelos, também empresário, e os filhos Isadora, 5, e Dimitri, 4. “O Diogo é super- parceiro. O SUP foi ele que me apresentou e incentivou. Competição até hoje só participei de uma, mas este ano tenho pretensões nesta area. Sempre estimulamos as crianças. A Isadora por exemplo, tem 5 anos, mas já consegue fazer uma remada de 30 minutos, tenho muito orgulho do estilo de vida que estamos envolvendo eles”, orgulha-se.

Além de Spinner do SUP, Graziela e família se aventuram ocasionalmente no patins, slackline (equilíbrio e piruetas sobre um elástico), skate e bike. A grande novidade na vida de Graziela na seara esportiva é a yoga. “Estou amando fazer”.

Irmãs de sangue e de luta

O esporte é literalmente uma luta diária na vida das irmãs Giuliany e Gilsely Perea, 20 e 23 anos, respectivamente. A primeira é praticante de jiu-jitsu e a outra de luta livre esportiva. Cada uma teve sua motivação pessoal para aderir às lutas, mas ambas cumprem à risca o ritmo de treinos e tiram proveito dos benefícios do esporte para a vida pessoal.

Giuliany fazia a linha sexo frágil, era a típica “patricinha”, mas o jiu-jitsu a fez ficar com a casca, digamos, mais grossa e acordar para a vida. A arte do pano serviu para canalizar toda a energia dedicada antes a shoppings, internet e conversa fiada. Poucos meses depois de aderir ao jiu-jitsu, Giuliany se mostrou uma revelação, com resultados acima da média para pouco tempo de prática.

“Sou atual campeã amazonense peso pena (até 58 quilos) na faixa-branca, mas já ganhei de faixa-azul. Quero chegar até o nível de faixa-preta competindo em alto nível. Aquela patricinha morreu em mim”, afirma Giuliany, pupila do seu mestre e namorado, Rodrigo Silva.

Já a irmã, Gilsely, buscou na luta livre um remédio para curar as dores e o trauma de um acidente de motocicleta no qual se envolveu no município de Benjamin Constant (a 1.116 quilômetros de Manaus), no primeiro dia de 2011. Teve que vir às pressas a Manaus para reconstruir mandíbula e maxilar. Chegou desacordada, foi submetida a cirurgia e ficou um longo tempo de recuperação que a fez subir a 72 quilos.

Se sentindo sedentária e acima do peso, tomou a decisão de treinar luta-livre, mesmo a contragosto dos que cuidavam dela. Mas tudo deu certo: Gilsely não apenas se recuperou bem antes da previsão médica como adotou a modalidade como estilo de vida.

“Desde quando pisei a primeira vez no tatame não saí mais de lá. A luta livre é maravilhosa. Me deu ânimo, me deu vida, me fez perder peso. Logo eu me destaquei e comecei a competir. Hoje sou faixa-azul e campeã amazonense na categoria galo (até 58 quilos)”, explica Gilsely, que estuda educação física na Unip.

Roda viva em trajetória consciente

Sobrepeso, comida sem limite, caos no trânsito, acomodação e sedentarismo. O dia a dia de Ronisson Alves Wilkens, 26, era tão banal quanto entediante, além, é claro, de perigoso para a saúde. Até ele descobrir que algumas pedaladas poderiam dar mais qualidade à sua vida. E deram.

Dos antigos 90 quilos, Ronisson perdeu 22 e agora curte a vibe de um atleta ecologicamente correto como membro do Jungle Bike. Esse grupo de pedaladas reúne homens e mulheres de todas as idades que buscam combinar a prática de exercícios físicos, apelo pró-ecologia e o contato com a natureza. Ronisson foi convidado a fazer parte do grupo em 2011, deu as primeiras pedaladas e nunca mais parou. “Foi a melhor coisa que pude fazer na minha vida. Hoje sou um cara bem mais disposto, bem humorado, de bem com a vida. O esporte me transformou como pessoa”.

Além de usar a sua bike como instrumento esportivo, ele a utiliza como transporte. Professor de “Mecânica e metal” no Serviço Nacional de Aprendizagem da Indústria (Senai), da Cachoeirinha, Zona Centro-Sul, Ronisson vai e volta do trabalho de bicicleta todos os dias, exceto quando a cidade está sob ameaça de “dilúvio”. Ele mora no bairro da Redenção, Zona Centro-Oeste, localização oposta ao Senai. “Quando o trânsito está ruim, eu tiro de bike no máximo 35 minutos da Redenção à Cachoeirinha. Quando está bom, faço a viagem em 25 minutos. Mas quando eu vou de ônibus, gasto, no mínimo, uma hora e meia. Olha o tempo que eu ganho, enquanto me exercito”, compara.

roteiroNos fins de semana, não há roteiro mais interessante para Ronisson que as trilhas pré-estabelecidas pelo Jungle Bike. Em geral, as pedaladas são próximas às estradas, como a AM-010, BR-174 e Estrada de Manacapuru. “Há ocasiões que a gente descobre trilhas novas. Há também um sentido de desbravamento da mata. Isso é compensador para quem pratica bike”.

Além das pedaladas, Ronisson mudou hábitos alimentares e passou a ter uma vida mais diurna, justamente pelos compromissos do Jungle Bike. O resultado disso refletiu na aparência mais jovem, mais saudável e numa melhor disposição para a vida, sobretudo, para o trabalho. “Essa mudança se deu por 70% de pedaladas e 30% de novos hábitos alimentares e de vida”, explica o biker.

Combustível adrenalina nas alturas

Educador físico, Giulliano ganha a vida como personal trainer em residências e academias locais, dividindo o tempo de “folga” com a prática de uma variedade de esportes a perder de conta, alguns tão perigosos quanto atraentes: paraquedismo, base jump (saltos de penhascos, montanhas, prédios) paramotor, swoop (saltos com delimitação de pouso), dentre outros.

Dos esportes convencionais, Giulliano já experimentou o basquete, o judô, jogou pelada na rua, andou de skate e é faixa marrom de jiu-jitsu. Mas é o desafio contra a gravidade é que o realiza pessoalmente e traz os melhores resultados.

O personal trainer descendente de italianos é o atual campeão brasileiro de paraquedismo na categoria free-fly (estilo livre), na qual contam as manobras artisticas e piruetas no ar a uma velocidade que chega a 150 milhas. “Eu sou o atual campeão brasileiro. É um feito inédito para a Região Norte, que nunca teve um campeão. Sou orgulhoso por essa conquista, mas eu quero mais. Não pretendo parar por aí”.

Tudo que ganha dando aulas de musculação, Giulliano gasta com equipamento, viagens para competições, cursos de treinamentos para as suas modalidades aéreas. A paixão pelo ar, aliás, vem de berço, pois ele é filho de um piloto de avião aposentado, Randolf Scotti.

Começou a gostar de paraquedismo aos 18 anos por influência do primo, Arnaldo Falabella, e hoje já tem na bagagem 1,2 mil saltos. É um paraquedista profissional. “Eu gosto de tudo que é esporte, mas prefiro os individuais e não convencionais, porque exige maior concentração, destreza, equipamento necessário, e treinamento. Muito treinamento. Gosto da emoção, da adrenalina que o esporte proporciona. Mas isso sugere um bom investimento. Tudo que eu ganho com meu trabalho eu gasto com esporte. Vale muito a pena”, garante o esportista, que é personal trainer do prefeito Artur Virgílio Neto (PSDB).