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‘Não somos macacos, somos seres humanos’, diz ex-jogador Cafu durante entrevista em Manaus

Capitão do penta brasileiro em 2002 falou sobre racismo, Copa do Mundo, manifestações, Manaus e muito mais durante entrevista em sua passagem pela cidade para o lançamento da exposição ‘Brasil, um País, um Mundo’

Na exposição em Manaus, Cafu ergue réplica do troféu conquistado na Copa de 2002

Na exposição em Manaus, Cafu ergue réplica do troféu conquistado na Copa de 2002 (Clóvis Miranda)

O sorriso maroto de canto de rosto está ali e é uma das suas marcas registradas, bem como o bom humor e a objetividade nas respostas aos jornalistas, sem se melindrar com perguntas, digamos, cabeludas. Know how de craque, de um lateral-direito campeão pela Seleção em 1994 e que ergueu, em 2002, a taça mais importante do mundo. A reportagem do CRAQUE acompanhou o ex-jogador e hoje empreendedor em Manaus para o lançamento da exposição “Brasil, um País, um Mundo”, que está em cartaz no Shopping Ponta Negra, gratuitamente, até o dia 25 deste mês. Detalhe: o ex-jogador revelou que é grande a possibilidade dele estar aqui em Manaus para assistir Inglaterra x Itália dia 14 de junho na Arena da Amazônia Vivaldo Lima, palco da Copa do Mundo que ele elogiou. Nos trechos mais quentes da entrevista que ele concedeu na cidade, Cafu combateu a frase “Somos todos macacos”, ao qual achou pejorativa e disse ser a favor das manifestações objetivas, mas sem badernas.

Você virá a Manaus para assistir a algum jogo da Copa do Mundo?

Ainda não está confirmado, mas possivelmente estarei em Manaus para acompanhar Inglaterra e Itália (jogo marcado para o dia 14 de junho na Arena da Amazônia Vivaldo Lima). Será um jogo fantástico de se ver.

O Cafu “jogador” ainda está com você ou já “deixou seu corpo”?

Ainda está, pois já fui jogador e vai ficar comigo para o resto da vida. Por onde eu for vou torcer bastante e sempre pra ele. Ele vai estar em todas as paradas, eventos, e não vai ser fácil tirar ele de mim.

Recentemente você combateu a frase “Somos Todos Macacos” criada pelo atacante Neymar...

Não somos macacos, somos seres humanos, cidadãos! Não podemos aceitar esse tipo de declaração porque isso estimula ainda mais o preconceito pelo mundo. Somos todos pessoas iguais convivendo em classes diferentes, e não podemos apresentar o Brasil, ao Planeta, como macacos. Se eu aceito isso, com que moral eu vou chegar em outros países e defender o Brasil? É preciso mostrar para o mundo o que é o Brasil. E quem não acreditar no nosso País vai levar goleada.

Qual a sua opinião sobre a polêmica de que Manaus não deveria sediar a Copa?

Eu estive em Manaus após a cidade ser anunciada como sede, ainda na época das fundações do novo estádio, para visita, e lá eu já percebia que Manaus iria ficar uma sede maravilhosa, o que acabou se concretizando. Mas a cidade já é uma realidade, uma sede da Copa do Mundo. É inútil ficarmos falando agora que Manaus teria que ficar de fora. E, depois dos jogos do Brasil, Manaus vai receber os melhores jogos do Mundial. É isso que Manaus tem que pegar para ela: as coisas da Copa e do pós-Copa. O Mundial vai ajudar muito a cidade, a divulgar o turismo, o futebol, etc. Em relação ao futebol de Manaus, cabe depois à Confederação (Brasileira de Futebol (CBF) fazer um trabalho para que os clubes venham jogar aqui para aproveitar essa arena maravilhosa. Eu não vou criticar Manaus por ela ser a sede, ou não. E temos que trabalhar para ela ser uma das melhores sedes. Eu sei que vai ser. E vocês, do Amazonas, têm que dar ênfase nisso e serem fieis à cidade e começar a falar as coisas boas para atrair e trazer as pessoas para cá.

Você é um dos maiores críticos da organização, ou má organização, da Copa do Mundo no Brasil. E, mais recentemente, afirmou que o problema não era a Copa, mas quem a organizava. Qual a sua opinião sobre esse assunto?

Confirmo tudo aquilo que eu falei. Não tiro uma vírgula. Seria hipocrisia da minha parte falar que sou contra a Copa e que não queria a Copa no Brasil. Todos nós queríamos. Se você pegar sete anos atrás quando o (Joseph) Blatter (presidente da Fifa anunciou o Brasil como sede), o País inteiro estava em festa. Todo mundo vibrou, pulou. Eu também queria, sou atleta, disputei quatro copas do Mundo e disputar um Mundial no meu País seria fantástico. O que eu sou contra é a maneira como organizaram essa Copa. Estamos às vésperas de estrear em uma Copa e não temos estádios e nossa infra-estruturas 100% prontos. Todos estão vendo isso. O que sou contra é ter gasto o dinheiro público que, na época, falaram que não iriam gastar, para construir essas obras. Nós temos outras prioridades em nosso País. Eu vivo nas comunidades, dentro dos hospitais, de ônibus, das vilas. A Educação é escassa em nosso País, o transporte público idem. A saúde pública, nem se fala. Estamos vendo pessoas ganhando soro dentro de banheiros. A segurança, também nem se fala. Essas são as prioridades do nosso País. Vamos lutar para que essas batalhas e prioridades sejam colocadas na mesa. Mas, já que estamos perto da Copa do Mundo, vamos priorizar a Copa do Mundo. Passar uma boa impressão para todo mundo que virá para o nosso País, para que eles voltem novamente ao Brasil. Os nossos problemas vão continuar.

É a favor das manifestações?

Depois da Copa do Mundo, eu serei o primeiro a levantar a bandeira, ir com todo mundo na rua e fazer manifestação. Democrática. Com objetivos, sem vandalismo, sem destruir o patrimônio público e o bem das pessoas. Quero que as pessoas saiam para a rua e lutem pelo que é de direito nosso. A manifestação é válida, mas sem baderna.

O ex-jogador Ronaldo Fenômeno comentou na semana passada que a polícia deveria “meter” o cacete na parcela de vândalos que participam de manifestações pelo País. Você acha que ele fez certo ou errado?

Não respondo pelo Ronaldo.

Você é considerado um empreendedor do esporte. Algum dia pensa em ser dirigente ou técnico?

Técnico não, mas trabalhar em uma parte administrativa de clube, sim. Como dirigente, administrador, levar um pouco da minha experiência dos gramados do futebol mundial, trazer um pouco para o nosso País, para o nosso futebol, para que possamos profissionalizar, que é o que precisamos hoje.

Qual seleção estrangeira preocupa mais nesta Copa?

Todas as grandes seleções preocupam, e vai ser uma das copas que teremos todas as potências do futebol mundial presentes. Como Alemanha, Inglaterra, Chile, Portugal, Argentina, Uruguai, Itália, Holanda, Espanha, França... Então, acho que todas as seleções preocupam.

Como você avalia o momento do lateral-direito Daniel Alves, já que ele atua na mesma posição que você?

É um baita de um jogador e vive um momento muito bom e ele vem crescendo a cada ano que passa, vem fazendo um futebol fantástico no Barcelona e na própria Seleção Brasileira, que já disputou Copa, é experiente e um jogador que vamos precisar muito dele nessa posição, pelo seu potencial e capacidade dentro de campo.

E sobre o zagueiro e capitão Thiago Silva, que pode levantar a taça de campeão do Mundo assim como você fez em 2002? Nós podemos confiar nele para levantar essa taça?

Ôpa, claro que sim. Um baita de um jogador e que já demonstrou ser o melhor zagueiro do mundo na atualidade.