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‘Minha sensação é de missão cumprida’, diz Fabi, bicampeã olímpica de vôlei

A vitoriosa líbero da seleção brasileira feminina de vôlei deu adeus à equipe, mas não abandonou a modalidade. Fabiana Alvim de Oliveira concedeu entrevista ao Craque do Jornal A Crítca com uma pitada de nostalgia, orgulho e novos desejos

Fabi, campeã olímpica de vôlei pela seleção brasileira, fala sobre carreira ao A CRÍTICA

Fabiana Alvim possui 315 atuações pela seleção brasileira feminina de vôlei (Bruno Kelly)

“Minha ideia é continuar contribuindo para crescimento do esporte nacional”. Este é o objetivo da bicampeã olímpica Fabiana Alvim de Oliveira, a Fabi, que no mês passado oficializou a sua aposentadoria da seleção brasileira de vôlei. Mas é importante dizer que ela não abandonou as quadras, e, por enquanto, continua atuando pelo Unilever (RJ), atual campeão da Superliga.

Considerada uma das melhores líberos do mundo, a atleta esteve em Manaus neste fim de semana para ministrar uma palestra sobre a sua trajetória no esporte. O evento aconteceu ontem, na Escola de Vôlei Bernardinho, que funciona na capital amazonense em parceria com o Centro Literatus (CEL), na Zona Centro-Sul.

Mas, antes, a jogadora bateu um papo exclusivo com a reportagem do CRAQUE e revelou alguns dos seus planos e desejos para o futuro e, claro, também falou sobre os Jogos Olímpicos do Rio 2016.

Você acredita que a seleção brasileira de vôlei, que passa por uma renovação, vai sentir muita pressão jogando em casa, em 2016?

A gente sabe o quanto é difícil jogar no Brasil pela responsabilidade de representar bem o país. Mas eu desejo que o apoio, que a gente espera receber, se torne algo a nosso favor. Espero que a gente possa transformar isso em pressão para os adversários, a responsabilidade já é de vestir a camisa da seleção, de representar um país como o Brasil, mas que a gente faça desse apoio do torcedor algo que incomode os outros. Que a gente sinta prazer em defender a seleção brasileira, diante da nossa torcida, que pode ser um diferencial nos jogos, porque ela é muito especial.

Como foi deixar a seleção brasileira faltando pouco mais de dois anos para as Olimpíadas no Brasil?

Não foi uma decisão fácil, o fim é inevitável a todos, uma hora a gente vai ter que deixar de viver daquilo que a gente mais ama e procurar uma nova profissão. Parece que foi uma decisão repentina, mas não foi. Assim que acabaram os jogos de Londres eu já estava pensando em encerrar o meu ciclo, acho que eu já tinha a sensação de dever cumprido, duas Olimpíadas, duas medalhas de ouro, algo assim inimaginável, representei com muito orgulho durante 13 anos o meu País, conheci pessoas e lugares incríveis, me tornei uma pessoa melhor através do esporte, através do voleibol. O Zé (José Roberto Guimarães) me convenceu a continuar em 2013. Mas este ano vi que não poderia mais continuar. Foi uma decisão tranquila, a seleção está em boas mãos, deixei um legado legal. A Camila, que é a minha sucessora, é uma das responsáveis por eu tomar a minha decisão tranquila. Em 2016 certamente vai bater aquela tristeza de não estar na quadra, mas rapidamente vai passar porque a sensação de missão cumprida será maior. Vou-me, mas como torcedora.


Quais são seus planos para o futuro. Você pretende atuar como treinadora de vôlei? Quais são seus projetos?

Acho que vai ser fora das quadras. Hoje estou aqui na Escolinha do Bernardo, tentando passar um pouco da minha experiência de tudo o que eu aprendi no dia a dia com ele, que é uma pessoa bacana, líder e vitorioso. A seleção consome muito tempo, eu espero que agora eu tenha um pouquinho de tempo pra entrar de cabeça na vida acadêmica com mais afinco. Voltei para o curso de inglês que é uma coisa que eu quero concluir também. Minha próxima medalha acho que vai ser um diploma universitário, vai ser bacana, e vou colocar ele junto com as minhas medalhas olímpicas. Porque a gente sabe que é muito difícil conciliar os estudos com o esporte. A gente tem uma inversão de valores enorme comparado ao EUA, Canadá, Rússia. Primeiro pratica o esporte pra depois estudar. Acho que seria muito vitorioso eu ter tido sucesso na minha carreira profissional e quem sabe conseguir me formar na parte acadêmica e aí me profissionalizar. Acho difícil eu sair do meio esportivo, eu sinto uma necessidade de retribuir aquilo que eu tive, eu tenho uma gratidão enorme pelo esporte e eu quero ajudar no que for preciso. Espero ser tão bem sucedida fora das quadras como eu fui dentro. Minha ideia é continuar contribuindo para o crescimento do esporte nacional.

Você acha que nos últimos tempos o voleibol ganhou mais investimentos, patrocínios?

Eu acho que a gente melhorou, de dez anos pra cá houve uma melhora, mas ainda estamos longe daquilo que a gente gostaria. Acho que o esporte nacional, não só o vôlei, merece um pouco mais de carinho. A gente está as vésperas de disputar um evento grandioso como os jogos olímpicos e eu gostaria muito de ver não aqueles investimentos que chegam por temporada, mas aqueles que perdurassem. Algo que a gente pensasse nas nossas crianças e pudesse usar o esporte como uma ferramenta de educação, de dar oportunidade para as crianças não estarem na rua. Tomara que nos próximos anos a gente veja um movimento olímpico bacana, a minha expectativa não é apenas sediar os jogos de uma maneira bacana, com hospitalidade e organização. Mas que usem o esporte como ferramenta de educação, com continuidade, com construção de quadras, melhoria nas escolas. Muita gente fala de incentivo em times profissionais. Eu nem diria isso, eu acho que a gente vai colher frutos se a gente investir na base, acho que a gente tem o futebol como grande exemplo, pouquíssimos jogadores são aproveitados da base. A gente precisa investir nas escolas, no professor de educação física, que é uma classe que precisa ser valorizada e que precisa ter atenção dos nossos governantes. Acho que se a gente formar novos Neymares, novas Sheilas, novas Fabis, novos Oscares, vai ser bacana! Mas se a gente formar pessoas melhores, a gente vai colher realmente o fruto de um País melhor.