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Idealizador da Copa Gay fala sobre os preconceitos que já enfrentou no mundo do futebol

Pedro Leocádio, o ‘Pedrita’, revelou que o amor pelo futebol o fez dá a volta por cima e enfrentar com cabeça erguida o preconceito

Segundo os organizadores, pelo menos 12 equipes já se inscreveram para a 1ª Copa de Futebol Gay

“Pedrita” (no centro da foto) é o idealizador do torneio (Evandro Seixas)

Idealizador da Copa Gay, Pedro Leocádio, o “Pedrita” tem uma história de amor com o futebol desde que era criança. “Sempre joguei no meio dos homens e sempre gostei de homem também. Nunca escondi”, revela.

Ele conta que sofreu preconceito no mundo do futebol ao assumir ser homossexual. “Quando tinha 17 anos fui jogar num time do bairro, mas o dono da equipe me expulsou dizendo que não queria veado no time dele. Foi horrível. Foi o maior preconceito que sofri em toda a minha vida”, revela.

A grande virada aconteceu por conta de um conhecido chamado Raul, que convocou o atacante Pedro para o time dele. E o craque das peladas não decepcionou. “Fui artilheiro do campeonato e ainda tirei o time daquele cara que me expulsou, na semifinal”, conta.

Foi justamente neste torneio que ele ganhou o apelido que carrega até hoje, “Pedrita”.

“Naquele campeonato ganhei um troféu lindo. Então olhei para o dono do time e disse: ‘Agora você vai para arquibancada torcer por mim, seu veadinho”, contou

Pedro, ou melhor, “Pedrita”, cresceu, disputou vários torneios de futebol amador e se tornou um dos jogadores mais requisitados do bairro. E ele leva a carreira com muito profissionalismo. “Nunca fiquei com um colega de time. E todos me respeitam. Às vezes nem de Pedrita eles me chamam”.

É nas comemorações dos gols que “Pedrita” mais chama atenção. “Eu rebolo, danço, faço espaguete, caminhada de gato...”. Fora das peladas, ele ganha a vida como bancário e instrutor de legislação em uma auto-escola. “Sou 2014 utilidades”, brinca.

‘Divas’ em ação

O time “Damas de Ferro” contou com uma participação especialíssima “Kyara Glembova”, a musa da Liga Gay de Vôlei, uma das mais tradicionais da cidade. Foi a primeira vez que a musa entrou em campo.

“Esse foi o meu primeiro jogo. É muito bom estar jogando com as minhas amigas, com as conhecidas. Eu jogo vôlei, mas não participo da Liga Gay de Vôlei. Meu negócio é participar dos concursos de beleza”, afirma “Kyara”, que aos 28 anos, também já foi Miss Gay Cidade Nova.

Júnior Souza, mais conhecido como “Cléo Pires”, também estava debutando no futebol assim como “Kyara”. Este “zagueirão” ainda explicou para a reportagem a origem do apelido. “Basta olhara para mim que você vai ver que eu sou idêntica a Cléo Pires. A Globo me chamou para ser dublê dela. A Cléo Pires cobra muito caro para aparecer nua na novela e eu cobro mais barato”, brinca.

“Cléo” torce pelo Corinthians, gosta de assistir futebol e agora começou a praticar a modalidade. “Primeiro estamos fazendo a parte de socialização e vendo como vai ser para atrair o público. A maioria dos gays joga vôlei ou queimada e a gente quer mostrar que tem muito gay que gosta de outras coisas, principalmente de futebol”, opina.

Mais do que a socialização ou a oportunidade de fazer novas amizades, a Copa Gay acaba jogando o preconceito para escanteio. Neste quesito, já se pode dizer que esses atletas merecem, definitivamente, a camisa 10.