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Manaus de Copas: França abate o futebol brasileiro em 1998

Pelo menos para os amantes brasileiros de futebol, o ano de 1998 deve ser apagado da memória.  Outras histórias, digamos, importantes marcaram o Brasil na época

Franceses fazem o que parecia impossível: acabam com o Brasil

Franceses fazem o que parecia impossível: acabam com o Brasil (Divulgação)

Uma final de Copa do Mundo para ser esquecida, pelo menos para a Seleção Brasileira. Na política, mais um capítulo da série “criador vs criatura”, desta vez, o embate foi entre Amazonino Mendes e Eduardo Braga. E, no futebol amazonense, o São Raimundo começava a viver o início de sua fase mais gloriosa, que culminaria, no ano seguinte, com a ascensão do time à Série B do futebol brasileiro.

O ano de 1998 começou agitado no cenário político local. Um escândalo abalou a Câmara Municipal de Manaus (CMM). O então vereador, Marcos Lopes foi acusado de estupro. Lopes chegou a ser preso e teve o mandato cassado pela CMM. O vereador alegou que tudo não passava de “fato política”.

Eleições

As eleições para o Governo do Estado merecem um capítulo à parte pelo confronto entre o então governador Amazonino Mendes (PFL) contra o ex-aliado e ex-prefeito de Manaus, Eduardo Braga (PSL). Mendes foi eleito prefeito de Manaus e Braga era o vice. Quando Amazonino saiu para disputar o governo, Braga “herdou” a prefeitura. Depois disso, quando Amazonino se preparava para disputar a reeleição para o governo, teve de enfrentar o “ex-pupilo”.

O grupo de Braga tinha ainda Serafim Correa e Marcus Barros, este último, foi candidato ao senado. Para enfrentar essa “tropa”, o então governador voltou a fazer aliança com o “ex-mentor” e “ex-adversário”, Gilberto Mestrinho, que se candidatou ao senado.

Aquela eleição foi uma das mais inusitadas que o Estado já viu. Braga “dormiu” governador com o resultado da apuração dos votos em Manaus. Barros também foi para o “travesseiro” senador da República pelo Amazonas. No dia seguinte, a grande “surpresa”.

Com a apuração das urnas do interior, Amazonio e Mestrinho viraram o jogo. O governador conseguiu a reeleição em primeiro turno. Gilberto foi para o senado e a festa de comemoração foi em Manacapuru, onde o grupo teve a maior votação.

Na Assembléia Legislativa (ALE-AM) o campeão de votos (51 mil) foi Wallace Souza. Mesmo com a votação expressiva ele já dizia que o “sonho” dele seria substituir Klinger Costa no comando da Secretaria de Segurança do Estado...

Quem também se reelegeu com relativa facilidade foi o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Ele derrotava mais uma vez Lula (PT), agora, no primeiro turno.

Em nível municipal, o prefeito Alfredo Nascimento ainda falava em cumprir a promessa de campanha, o tão propalado “metrô de superfície”, que transportaria 300 mil pessoas das zonas Norte à Leste. O projeto até hoje não saiu do papel.

Esporte

O esporte viva dias de glórias. A implantação do Centro de Alto Rendimento de Atletismo na Vila Olímpica e o intercâmbio com técnicos cubanos começavam a gerar frutos com atletas como Joelinton Freire (400 metros com barreiras) e Jackeline Girmênia dos Santos (salto com vara) conquistando índice para disputar os Jogos Mundiais da Juventude.

Velocidade

Antonio Pizzonia, que começara a despontar para o cenário nacional, quatro anos antes, quando foi tricampeão paulista de kart, agora já andava de fórmula na Europa. E a estrela dele brilhou. Aos 17 anos conquistou o título da Fórmula Vauxhall Jr. com uma prova de antecedência.

Quando voltou para casa, Antonio foi recebido com uma grande festa com direito a desfile no carro do Corpo de Bombeiros pelas principais ruas de Manaus.

Judô

Nos tatames a judoca amazonense Paula Borges fazia história aos 15 anos, conquistando a medalha de prata no Mundialito de Judô realizado no Egito. Era mais uma jóia do judô amazonense ganhando o mundo. E por falar em ganhar o mundo, a mesatenista Lígia Silva partia em definitivo para São Paulo, em busca de dias melhores, já que não conseguia patrocínio em Manaus. Ela se tornaria a recordista amazonense em participações em Olimpíadas, num futuro não muito distante.

Tragédias

É, mas nem tudo foram flores em 1998. Manaus também viveu dias de luto e dor. No dia 21 de fevereiro cinco pessoas morreram e 24 ficaram feridas em uma explosão causada pelo vazamento de gás de cozinha em um caminhão que abastecia uma panificadora no bairro São Jorge, Zona Oeste.

Outra tragédia marcante foi a queda da aeronave da empresa Selva Táxi Aéreo, prefixo PT-LGN que caiu em Manacapuru com 23 passageiros. Sete pessoas morreram.

Na música

A música também ficou de luto em Manaus, no Brasil e no mundo. Em 1998 morreu Frank Sinatra. O Brasil perdeu Leandro da dupla Leandro e Leonardo vitima de um câncer de pulmão e, em Manaus, a toada deu adeus a Casagrande.

De origem humilde, o cantor começava a despontar para o sucesso quando foi submetido a uma cirurgia para retirar calos das cordas vocais. Casagrande morreu vitima de um choque anafilático. A morte do cantor comoveu a cidade.

História de amor

Uma das histórias mais curiosas daquele ano aconteceu com a holandesa Monkia Van Der Linde, à época com 28 anos. Ela havia sido presa, quatro anos antes, por tráfico internacional de drogas. Ela trazia seis quilos de cocaína de Tabatinga quando foi detida no Aeroporto Eduardo Gomes.

A holandesa foi condenada a cinco anos de prisão e cumpriu parte da pena na cadeia pública Raimundo Vidal Pessoal. Conseguiu reduzir 255 dias na pena já que trabalhou como faxineira na cadeia.

Monika contou que resolveu traficar para comprar uma casa para viver com o namorado, com quem iria se casar. Ela inocentou o “amado”, de qualquer participação no crime e, depois de expulsa do país, afirmou que se casaria e seria “feliz para sempre”. Ela era loira, bonita e saiu do presídio carregando um ursinho de pelúcia.

Final com gol polêmico

No futebol amazonense, o final da década de 90 ficou marcado pela ascensão do São Raimundo. Em 1997 o time conquistou o título do Campeonato Amazonense depois 31 anos de jejum. Sob o comando do lendário técnico Aderbal Lana, o Tufão da Colina repetiu o feito no ano da Copa do Mundo de 1998.

“A final foi bastante tumultuada entre Rio Negro e São Raimundo. O Tufão venceu por 2 a 1. O Rio Negro jogava por um empate e, aos 45 minutos do segundo tempo, o Bugrão fez um gol de mão para o São Raimundo”, conta o historiador Francisco Carlos Bittencourt, 66.

Os gols da partida foram marcados por Delmo, que nesta época vestia a camisa do Galo. Guára marcou para o São Raimundo e o último tentou foi assinalado por Bugrão. A polêmica foi ainda maior porque o auxiliar Antonio Vaz Cerquinho marcou a mão de Bugrão, mas o árbitro Washington José Alves validou o gol. A polêmica foi grande porque o empate dava o título ao Rio Negro. “Para mim foi um roubo”, detona Francisco.

Para o volante do São Raimundo, à época, Alberto, a história não foi bem assim. “O gol não foi do Bugrão. Foi um gol contra do Boca (zagueiro do Rio Negro)”, opina.

Alberto, aliás, foi um dos jogadores símbolos da fase mais gloriosa do São Raimundo, que conquistaria ainda o tricampeonato Estadual em 1999 e o tricampeonato da Copa Norte (1999, 2000 e 2001) e o vice-campeonato no Campeonato Brasileiro da Série C.

“O nosso grupo sempre foi um grupo unido. Nossos treinos coletivos pareciam jogo. Ninguém queria perder”, ressalta Alberto.

O técnico do Rio Negro à época, Adinamar Abib, 67, ainda se chateia com o resultado daquela partida, mas, apesar de tudo, aquele Rio Negro forneceria o último grande ídolo do futebol amazonense.

“Era a melhor equipe que o Rio Negro teve nos últimos 20 anos. Perdemos com um gol de mão do Bugrão e isso doeu muito. Você montar um grande time e perder o campeonato por um gol de mão... Isso ficou marcado... Mas foi neste time que nasceu o Delmo. Descobri o Delmo quando ele estava jogando a Copa dos Rios por Parintins. Quando eu vi ele batendo na bola pela primeira vez e a velocidade que ele tinha levei para o Nacional. Lá ele ficou pouco tempo e quase não jogou. Quando fui para o Rio Negro levei ele pra lá e o Delmo deslanchou. Depois do Campeonato de 1998 o São Raimundo o contratou”, lembra Abib.

Com a camisa do Tufão, o parintinense se tornou o artilheiro do Norte e o maior ídolo recente do futebol baré.

Uma revolução francesa

A Seleção Brasileira chegou à França como uma das favoritas ao título, mesmo depois de perder Romário por contusão. Na ocasião, Ronaldo Nazário estava “voando” em campo.

No primeiro jogo, contra a Escócia, o Brasil venceu com gols de César Sampaio (4min). John Collins empatou de pênalti (38min do 1º tempo). No segundo tempo Thomas Boyd fez contra aos 28min do 2º tempo garantindo a vitória da Seleção.

A segunda partida foi uma goleada diante de Marrocos, gols de Ronaldo (9min) e Rivaldo (45min do 1º tempo) e Bebeto (5min do 2º).

No terceiro e último jogo da primeira fase uma derrota sintomática diante da Noruega. Bebeto abriu o marcador (33min); Tore Andre Flo deixou tudo igual aos 38 minutos do primeiro tempo e Rekdal fechou o placar aos 43 minutos do segundo tempo de pênalti.

Nas oitavas de final o Brasil enfrentou o Chile 4 a 1. César Sampaio (11min e 27min), Ronaldo (45min de pênalti do 1º tempo). Na etapa complementar Salas diminuiu (23min) e Ronaldo deu números finais a partida aos 24min do 2º tempo.

Nas quartas de final a Seleção enfrentou Dinamarca e foi um 3 a 2 sofrido. Jorgensen marcou o primeiro (3min). Bebeto empatou aos 11min e Rivaldo colocou o Brasil na frente aos 27min do 1º tempo. Laudrup empatou de novo aos 5min do segundo tempo e Rivaldo garantiu a classificação do Brasil aos 15 minutos do segundo tempo.

Na semifinal o time canarinho fez a sua melhor partida na Copa do Mundo diante da Holanda. Depois de um empate em 1 a 1 (gols de Ronaldo aos 2min do primeiro tempo e Kluivert aos 40min do 2º tempo) e na prorrogação, decisão por pênaltis. Ronaldo, Rivaldo, Émerson e Dunga Marcaram. Frank de Boer e Bergkamp marcaram para a Holanda. Naquela noite Taffarel fez a sua melhor performance com a camisa da Seleção e defendeu duas cobranças de pênaltis de Cocu e Ronald de Boer.

É só que depois da classificação épica o Brasil sucumbiu diante dos donos da casa. No dia antes da final, o craque francês Zinedine disse que sonhava fazer o gol do título. E ele não só fez um como fez dois (aos 27 e 45 minutos do primeiro tempo). Petit fechou o caixão da Seleção Brasileira aos 45 minutos do segundo tempo. Tristeza no Brasil. Festa na França. Aquela final ficará marcada para sempre pela misteriosa convulsão do atacante Ronaldo...

Apesar de tudo, a Seleção Brasileira foi recebida de forma honrosa. E foi assim que Manaus viu a Copa de 1998.