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Preparação física defasada prejudica atletas do AM

Com base nos pré-requisitos apontados pelo professor e doutor em educação física Ozanildo Vilaça, o erro começa bem antes de entrar em campo

Tiago Verçosa mostra cicatrizes dos joelhos após cirurgias de ligamentos

Tiago Verçosa mostra cicatrizes dos joelhos após cirurgias de ligamentos (ANTONIO LIMA)

Iniciar uma temporada com uma equipe bem preparada fisicamente é o mínimo que se pode esperar de um clube profissional de futebol. No Amazonas, isso é um privilégio. Sem recursos para realizar uma pré-temporada adequada, times não conseguem condicionar o elenco de maneira uniforme, carecem de quadro médico necessário e ainda sofrem com as artimanhas de atletas que omitem lesões ou não cuidam da própria saúde. Para profissionais de educação física do Estado, tais falhas justificam o déficit técnico do futebol amazonense.

Com base nos pré-requisitos apontados pelo professor e doutor em educação física Ozanildo Vilaça, o erro começa bem antes de entrar em campo. Segundo ele, o tempo de preparação necessário para o início de uma temporada é de três meses, treinando em dois períodos. “Isso (a desobediência desse prazo) acarreta em lesões como contusões, luxações, fraturas, tendinite, distensões, rupturas de ligamentos entre outras”, informou o especialista.

Extrapolando

Como esse período de pré-temporada extrapola o recesso até dos principais clubes do Brasil, os preparadores físicos recorrem ao improviso e às técnicas em curto prazo. É o que explica Ronaldo Sperry, do São Raimundo. “Se respeita uma pré-temporada, que é uma fase de 21 dias. O músculo, para se regenerar, leva esse tempo. Depois, tem que trabalhar gradativamente a musculatura, para não haver lesões”, disse.

Sperry reconhece que já vivenciou vários casos em que a pressa do clube se sobrepôs aos cuidados físicos dos jogadores. “Várias situações como essa aconteceram com o Delmo e com o Alberto, no São Raimundo, quando precisávamos deles e passamos por isso. O que fazíamos era um trabalho no qual eu levava eles para academia e daí os colocava no gelo e na fisioterapia. O Delmo tinha muitas lesões musculares”, diz.

Um dos raros ídolos do Amazonas e vítima desses descasos, Delmo teve duas lesões que prejudicaram diretamente a sua carreira. “Na primeira lesão que eu tive, passei 15 dias machucado e o professor pedia para eu jogar de novo, e foi agravando porque era no mesmo lugar. A lesão chegou a ficar com 16 centímetros”, lembrou o ex-atacante, que conviveu com o primeiro trauma em 2004, aos 31 anos.