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Craques das Copas: Mané Garrincha é o gênio do futebol escolhido desta sexta (09)

O craque irreverente, que fazia do campo de futebol uma arena de circo, é o jogador escolhido da série que conta resumidamente a história dos precursores do futebol

Garrincha é o CRAQUE da vez

Garrincha é o CRAQUE da vez (Arte: Rohmas)

Anjo das pernas tortas, gênio do drible, precursor do futebol-moleque. Quem era Manuel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha? Difícil classificar, reduzir a palavras a grandeza e a genialidade pueril desse menino que não quis crescer. E que nunca o fez. Melhor assim!

Irreverente, fazia do campo de futebol uma arena de circo, onde ele, entre mágico e palhaço, encantava e divertia a plateia, para o desespero dos adversários, a quem apelidava simplesmente de “João” – de que adiantava saber os nomes, se nenhum deles podia detê-lo? “Quando começava a fazer aquelas palhaçadas, até o adversário ria”, conta o parceiro de Mané Garrincha na Seleção na Copa da Suécia, em 1958, Dino Sani, entrevistado pelo CRAQUE. Dino também tenta explicar porque era tão difícil marcar o craque das pernas tortas.

“Com as duas pernas tortas para o mesmo lado, a passada dele era diferente. Quando ia driblar, driblava em ‘L’, e ninguém conseguia marcar”, diz o ex-jogador. “Nunca vi nem nunca vamos ver um jogador igual a ele”, arrisca.

“Imarcável”, Garrincha fez de Nilton Santos, o maior zagueiro brasileiro da história, até hoje um mito do futebol mundial, mais um João. No primeiro encontro dos dois, um treino no Botafogo, o defensor brasileiro, falecido recentemente, já havia jogado a toalha.

“Quando ele chegou ao Botafogo para uma peneira, logo no primeiro toque ele colocou a bola entre as minhas pernas. Muita gente pensou que eu ficaria ofendido, mas eles estavam errados. Eu disse aos diretores que eles tinham que contratá-lo e felizmente, me ouviram”, relatava Nilton Santos.

Melhor do mundo

Nascido no interior do Rio de Janeiro, na cidade de Pau Grande, Garrincha jogou a maior parte da carreira, de 1953 a 1965, pelo alvinegro carioca, onde marcou mais de 240 gols e conquistou oito títulos internacionais.

Ao lado de Pelé na conquista do primeiro título de 1958, na Suécia – a Seleção nunca perdeu com os dois juntos em campo –, não teve a companhia do Rei em grande parte do Mundial seguinte, no Chile, em 1962, já que o camisa 10 se machucou no início da competição. Acabou como o melhor jogador do torneio, conquistando a Bola de Ouro e escrevendo definitivamente seu nome na história das Copas. “Ele foi o dono daquela Copa”, conta Dino Sani, sobre o homem que adicionou molecagem e bom humor ao futebol.

Inspiração

Mais do que isso, transformou o futebol em poesia. Por isso, inspirou tanto poetas e escritores. “Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos”, escreveu Carlos Drummond de Andrade. Outro craque das letras, Nelson Rodrigues, atribuía a Mané poderes sobre-humanos.

“Didi, Zagalo e Nílton Santos pertencem à miserável condição humana. Garrincha, não. Garrincha está acima do bem e do mal. Todos nós dependemos do raciocínio. Garrincha não precisa pensar. Tudo nele se resolve pelo instinto, pelo jato puro e irresistível do instinto”, escreveu o cronista.

O apito final

Mas se dentro de campo ele não encontrava oponente à altura, fora dele viu no alcoolismo o seu maior adversário. Sem conseguir driblar o vício, morreu vítima de cirrose hepática, aos 48 anos de idade. Triste fim para aquele que foi a Alegria do Povo.