Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Manaus de Copas: Confira detalhes do primeiro Mundial no continente africano em 2010

A capital amazonense chegou ao ano de 2010 para assistir a primeira Copa do Mundo realizada na África do Sul. No entanto, já começava a se preparar para receber o maior torneio do futebol mundial em 2014

A Espanha não jogou tudo o que sabia, mas fez o suficiente para ser campeã

A Espanha não jogou tudo o que sabia, mas fez o suficiente para ser campeã (Divulgação)

Manaus já foi a “Paris dos Trópicos” nos tempos áureos da Borracha. Uma cidade rica, moderna e cosmopolita. Também viveu o outro lado com a decadência do látex. Pobreza, isolamento, sofrimento. Em 80 anos de Copas do Mundo a capital do Amazonas passou por várias transformações. Com o advento da Zona Franca, deixou de ser uma cidade pequena encravada no coração da floresta amazônica para se tornar a metrópole do Norte.

Assim, Manaus chegou ao ano de 2010 para assistir à primeira Copa do Mundo realizada no continente africano. Manaus viu o torneio com um olho na televisão e com outro para dentro de casa, afinal de contas, a capital do Amazonas já começava a se preparar para receber o maior torneio do futebol mundial em 2014.

No dia 19 de março daquele ano foi lançada a pedra fundamental da Arena da Amazônia. Começava ali a demolição do Colosso do Norte, o Estádio Vivaldo Lima, que em 1970 recebeu a Seleção Brasileira que se tornaria tricampeã na Copa do México. O Vivaldão que viu os anos mais gloriosos do futebol local. Tudo aquilo começava a ruir sob os olhos de dois personagens que tanto lutaram pela sua construção, o ex-presidente e fundador da Federação Amazonense de Futebol (FAF), Flaviano Limongi e o jornalista e historiador Carlos Zamith.

Preparação

Em 2010, Manaus já “corria” contra o tempo para “arrumar a casa”. Tanto que, apesar do lançamento da pedra fundamental e início da demolição do Vivaldão em março, os trabalhos só “pegaram vento” a partir do dia 14 de julho daquele ano.

Uma das pautas do dia era qual deveria ser o “legado” da Copa em termos de mobilidade urbana. O governo do Estado queria o monotrilho. Já o então prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, se posicionou em favor do BRT (Bus Rapid Transit). No final do ano, a Caixa Econômica recusou financiar o projeto alegando que ele prejudicaria a preservação do Centro histórico de Manaus.

Política

No cenário político, Eduardo Braga deixava o governo para se candidatar ao senado. Omar Aziz assumiu e partiu para a reeleição. O adversário? Alfredo Nascimento, que ainda carregava a bandeira do “asfaltamento da BR-319”. Omar venceu a eleição no primeiro turno e a dobradinha Vanessa Graziotin/ Eduardo Braga acabou deixando o então senador Artur Virgílio Neto sem cadeira no senado. Em nível nacional, Lula conseguiu mostrar sua força ajudando a eleger a atual presidente, Dilma Rousseff.

‘Caso Wallace’

Mas nada movimentou tanto a cena política de Manaus como o rumoroso “Caso Wallace”. O ex-campeão absoluto de votos, com fama de “justiceiro” que fez história ao criar bordões como “bandido bom é bandido morto” e “direitos humanos só funciona para bandido”, o ex-deputado, Wallace Souza, 51, agonizava. Preso, cassado, humilhado, Wallace cumpria prisão preventiva por suposta associação ao tráfico de drogas e homicídio. Souza sofria de uma doença conhecida como ascite refratária (acúmulo de líquido no interior do abdômen) decorrente da síndrome de Budd Chiari, uma doença no fígado.

O ex-deputado morreu no dia 27 de julho no Hospital Bandeirantes em São Paulo. O corpo foi velado no ginásio Zezão, na Zona Leste, reduto eleitoral do político e o caixão foi coberto com a bandeira do clube de coração: o Fluminense. Um dos momentos mais marcantes do funeral foi a chegada do filho do ex-deputado, Raphael Souza, que já cumpria pena em regime fechado por associação ao tráfico. O ginásio ficou lotado.

Tragédia

Uma tragédia abalou Manaus no dia 13 de maio. Um avião bimotor modelo Sêneca II, prefixo PTEUJ caiu em um terreno no bairro Zumbi 3, Zona Leste, matando todos os ocupantes da aeronave. O avião viajava para o município de Maués com uma comitiva da então secretária de educação do Estado, Cinthia Régia. Além dela estavam na aeronave o repórter fotográfico Marivaldo Oliveira, a funcionária pública Eliane Pacheco, a técnica da Seduc Maria Suely Silva e a assessora Karla Azevedo. O avião era pilotado por Miguel Vaspeano Lepeco. Todos morreram na queda.

O piloto, aliás, tinha uma relação intensa com a aviação. Ele literalmente nasceu e morreu em um avião. É que ele veio ao mundo dentro de uma aeronave da extinta Viação Aérea São Paulo (Vasp), quando a mãe dele viajava para a cidade Maringá, no Paraná.

Por ter nascido em um avião da companhia aérea, Miguel recebeu o sobrenome Vaspeano, em homenagem à Vasp. Ele tinha 56 anos.

Acidente

Uma tragédia também abalou o jornalismo amazonense em 2010. Na madrugada do dia 12 de setembro, um acidente automobilístico tirou a vida do jornalista esportivo Tiago Menezes, 30. Ele era editor assistente do caderno de esportes do jornal A CRÍTICA, o CRAQUE. Tiago tinha 30 anos.

Seca

O ano também ficou marcado pela maior seca da história do Amazonas. Exatamente no dia 24 de outubro, data que marca o aniversário de Manaus, o rio Negro atingiu o recorde de 13,63 metros. Um centímetro a mais da marca histórica da seca de 1963.

A estiagem levou muito sofrimento, principalmente ao interior do Estado. No município de Benjamin Constant, mais de quatro mil pessoas ficaram sem água potável.

Mas em meio à vazante extrema “surgiu” uma raridade arqueológica às margens do rio Negro: gravuras rupestres feitas nas rochas localizadas nas proximidades do encontro das águas.

Veio lá da Velha Serpa

Parecia que o futebol amazonense viveria um grande ano em 2010. Isso porque o América do lendário ex-treinador Amadeu Teixeira conseguiu em campo um feito inédito para o clube: subiu da Série D para a C. Até então, o único acesso em campo do futebol amazonense havia sido o do São Raimundo no distante ano de 1999.

O América chegou a ser vice-campeão perdendo o título para o Guarany de Sobral. É mas, a alegria dos pobres diabos acabou durando pouco. O Joinville Esporte Clube (JEC), adversário do América no jogo que decidiu o acesso, descobriu que o Mequinha usou um jogador irregular na partida. O time acabou punido, perdeu os pontos e ficou na quinta posição, fora da zona de classificação para a Série C. Este foi sem dúvida o maior golpe já sofrido pelo clube, que acabou abandonando o futebol profissional. Mas nem tudo foi tristeza em 2010.

Antes da disputa da Série D quem brilhou foi o Penarol de Itacoatiara. O Leão da Velha Serpa conquistou, depois de 63 anos de fundação, o primeiro título de sua história em cima do Fast Clube.

A boa fase do Leão Azul do interior se manteve no ano seguinte, quando o clube conquistou o bicampeonato. “O Penarol vinha com uma equipe bem estruturada e contou com a força de sua torcida na campanha. Aliás, isso sempre foi um ponto positivo em favor do time de Itacoatiara. O fator casa”, atesta o historiador Francisco Carlos Bittencourt, 66.

Quem fez o gol do título do Penarol em cima do Fast Clube foi o meia-atacante Fininho, de pênalti. O técnico da equipe, à época, era outra lenda: Adinamar Abib.

Brasil, Fúria é campeã

Inúmeras teorias foram criadas para tentar justificar o fracasso da Seleção Brasileira na Copa do Mundo na Alemanha em 2006. O lateral Roberto Carlos, que ajeitava o meião na hora do gol do francês Thierry Henry foi o primeiro “culpado”. Ronaldo Fenômeno e Adriano, que chegaram visivelmente fora de forma no Mundial também receberam a merecida “crucificação”. Mas, no fim das contas, a “culpa” mesmo foi o excesso de “oba-oba” ainda na fase de preparação que foi realizada na Suíça.

Para acabar com esse tipo de problema, o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, contratou o “general” da conquista do tetracampeonato, o ex-volante Dunga.

Famoso por botar ordem em qualquer “galinheiro”, restou ao ex-volante a missão de acabar com as farras. Ele assumiu e foi, até certo ponto, muito bem sucedido. Conquistou o título da Copa América (2007) sem as estrelas da Seleção, que acharam melhor entrar de férias... E teve também o título da Copa das Confederações (2009), além do título simbólico das Eliminatórias para a Copa 2010.

Com um rendimento tão bom, o que era para ser provisório se tornou definitivo e Dunga foi para a Copa. Antes disso, é claro, ele sofreu uma tremenda pressão para convocar duas jovens promessas do futebol brasileiro, os meninos da Vila, Paulo Henrique Ganso e Neymar. Ganso ainda ficou na lista dos “sete” reservas que o capitão do tetra poderia chamar. Neymar sequer foi lembrado. Tudo em nome da “coerência”.

O primeiro desafio na África do Sul foi contra a Coreia do Norte, um dos países mais fechados do mundo. A Seleção fez um jogo difícil e venceu por apenas 2 a 1. Maicon e Elano fizeram os gols da vitória no segundo tempo. A Coreia descontou com Ji Yun Nam. Dizem que na terra do então ditador Kim Jong-il a imprensa só passou o gol da Coreia...

O segundo jogo foi contra a forte seleção da Costa do Marfim. Não que os marfinenses tivessem um futebol forte. O forte deles mesmo era a força física. O jogo foi uma carnificina, mas o Brasil venceu por 3 a 1. Luis Fabiano marcou duas vezes, uma delas arrumando a bola com o braço. Elano marcou o último gol do Brasil e Didier Drogba descontou para a Costa do Marfim. O resultado selou a classificação brasileira e também o destino do time dali pra frente. Elano, até então o melhor jogador brasileiro, deixou o torneio depois de uma pancada violenta que recebeu na perna. E isso seria decisivo para a queda de rendimento do time.

Na partida seguinte, novamente um jogo bruto, agora contra Portugal de Cristiano Ronaldo. Os times não saíram do 0 a 0.

Nas oitavas-de-final o Brasil pegou o Chile, velho freguês. 3: a 0, gols de Juan, Luis Fabiano e Robinho.

Nas quartas, outro velho conhecido: a Holanda. O time laranja foi eliminado pelo Brasil nas Copas de 94 e 98. Desta vez a história seria diferente. Após sair na frente com o gol de Robinho, depois de um passe fabuloso de Felipe Melo, o Brasil tomou a virada no segundo tempo, depois de uma falha conjunta do próprio Felipe Melo e do goleiro Julio Cesar num chute de Sneijder. Ele mesmo fechou o caixão brasileiro com um gol de cabeça. E o Felipe Melo? O volante carniceiro ainda foi expulso depois de dar um pisão em Robben. Resultado? Adeus Copa!

Com o caminho livre a Holanda chegou à final contra a Espanha. Em 80 anos de Copas do Mundo nenhum dos dois times havia sido campeão do mundo. O jogo que teve Nelson Mandela em sua última aparição pública foi muito violento. No tempo regulamentar foi 0 a 0. O gol só foi sair aos 11 minutos do segundo tempo da prorrogação. O herói? Andres Iniesta. Foi a glória máxima para a melhor geração da história da Fúria.

Acabou!

O CRAQUE encerra hoje a série “Manaus de Copas”, que contou em 19 capítulos os 80 anos de história das Copas e da cidade de Manaus. Agora, caro leitor, prepare-se para uma nova viagem. Quando a bola rolar no dia 14 de junho no jogo entre Inglaterra e Itália, na Arena da Amazônia, a história estará sendo escrita diante dos olhos de cada amazonense. E é assim que lembraremos de 2014. De Manaus de Copas à Copa de Manaus.