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‘Ser campeão da Série A seria ótimo’, diz técnico do Manaus F.C em entrevista

O técnico Paulo Morgado, atual campeão da série B do Campeonato Amazonense à frente do Manaus Futebol Clube, falou sobre as expectativas para o Estadual

Técnico Paulo Morgado está com boas expectativas para o Estadual de 2014

Técnico Paulo Morgado está com boas expectativas para o Estadual de 2014 (Antonio Lima)

A promessa feita pela antiga direção do Rio Nego de resgatar as tradições do clube e colocá-lo na Série B do Campeonato Brasileiro, em 2013 (ano do centenário), não passou de um verdadeiro fiasco. Em um projeto mirabolante, o Galo apresentou o atacante Jardel (ex-Grêmio, Sporting e Porto) para a temporada de 2011 como carro-chefe de seu projeto. Jardel sequer vestiu a camisa do Barriga-Preta mas, na apresentação “ídolo-fiasco” quase passou despercebido a presença de um gringo que faria do Amazonas a sua segunda casa. Quem é esse personagem? O português Paulo Morgado.

Ele “descobriu” Manaus e, pelo, visto comeu jaraqui, pois não quer saber de sair daqui. Antes de comer o famoso peixe amazônico, Paulo passou todos os tipos de privações.

Não tinha dinheiro pra comer. Não tinha equipamentos para os treinos, transporte, muito menos campo. Mas ele superou as adversidades e caiu no gosto dos clubes do futebol baré.

Depois do Galo passou pelo Fast Clube (em duas ocasiões) e chegou a comandar o Penarol no Campeonato Brasileiro da Série D de 2011.

Hoje, atual campeão da série B do Campeonato Amazonense à frente do Manaus Futebol Clube, Morgado é o “bola da vez” na série de entrevistas que o CRAQUE faz com os comandantes das equipes que disputarão o Amazonense de 2014. Sem papas na língua ele falou sobre os times que dirigiu nos últimos quatro anos, bem como o trabalho que desenvolve para o Manaus F.C.

Como você avalia o Manaus Futebol Clube para a estreia?

Hoje é um time pronto. Já fizemos quatro amistosos, vencemos dois por 3 a 0, um por 4 a 1 e empatamos o último com o São Raimundo (1 a 1). Bons jogos serviram para dar ritmo ao time e ver o que precisa ver. Resumindo, fez bem para a nossa equipe.

O Manaus FC é o atual campeão da Série B. Até onde esse time pode chegar?

Ao título. Podemos ser campeões. Principalmente se a diretoria tiver paciência. O time está muito forte. Assimilou bem tudo o que eu queria e agora é enfrentar tudo. O campeonato em si não é fácil. A competição é curta e a margem para erro é pequena. Como disse, é preciso paciência. Vão ter jogos que vamos jogar muito bem e não vamos vencer. Outros, vamos estar jogando mal e ganharemos. Queremos é estar na semifinal e depois ver até onde vamos.

Você falava muito em estrutura quando desembarcou em Manaus. Hoje você tem isso?

Ainda está a quem. Mas com os estádios do Coroado e da Colina somado a Arena da Amazônia vai melhorar muito. Mas alguns clubes tem melhorado muito como o Fast que está construindo seu próprio estádio. Penso que em 2015 Manaus terá um bom nível técnico em se tratando de futebol, pois melhoraremos a estrutura. Assim, melhoraremos a qualidade dos treinos e logo, os jogos serão melhores ainda. E com os estádios, teremos mais gente. Sem dúvida 2015 será a afirmação do futebol amazonense.

Falando sobre Copa do Mundo, você já comprou o ingresso para assistir Portugal em Manaus?

Sinceramente, ainda não. Estou na esperança de que a Federação Portuguesa cumpra a promessa que me fez quando veio aqui e me dê um ou dois ingressos para assistir. Eles me prometeram quando nos encontramos aqui em 2013. Mas vamos aguardar. Itália e Inglaterra era um dos jogos que eu queria ver mais ainda não consegui os ingressos.

O campeão da Série B Amazonense é favorito?

Não. Os candidatos aos títulos são Princesa do Solimões, Fast e Nacional. Eles tem dinheiro e estrutura. Provavelmente o time que montaram custam o dobro do que investimos. Eu penso que não temos a obrigação de vencer. Vamos correr por fora e trabalhar muito para estar no mesmo nível. Só que mais tranquilos, mais organizados e sem tanta pressão. Mas ser campeão da Série A em um espaço de 11 meses depois da conquista da Série B seria sem ótimo para nós. Vamos correr atrás desse título.

Agora falando um pouco sobre a sua chegada no futebol amazonense. Em 2010 você chegou para revolucionar o Rio Negro...

Pois é. Foi difícil e eu fui enganado. Achava que o clube estava em outro nível, e quando cheguei, vi onde me meti. Um clube com pouca estrutura e desorganizado. Mas logo o meu trabalho apareceu e eu tive a oportunidade de ir para o Fast Clube, que está em outro nível.

Mas você falou quando assumiu o Fast que ficar na fila durante 40 anos não impediria a equipe de vencer um campeonato. E você saiu sem título de lá duas vezes. O que aconteceu?

Esse é outro ponto. A ansiedade. Lá existe a ansiedade para ser campeão há mais de quarenta anos e isso prejudica a equipe. O clube é estruturado e tem organização. E o melhor, paga em dia. E também as pessoas lá se colocam muito no lugar do técnico. Constantemente atrapalham o treinador. Mas tem a ver com a ansiedade, e faz com que a diretoria cometa erros básicos. Agora é um clube que tem toda uma estrutura. Tem poder financeiro, gente de caráter e tudo para ser um dos grandes clubes do Amazonas. Só que não é campeão porque pensam errado. Pensam com a emoção ao em vez da razão e assim fica difícil. A emoção que fique para os torcedores.

Depois disso, veio uma passagem de dez dias sobre o comando do Penarol. O que aconteceu lá?

Pois é, passei apenas dez dias. Acho que foi mais a vontade de trabalhar do que qualquer outra coisa. É um clube estruturado e organizado. Mas que quando vence é um time com tranquilidade e isso facilita o trabalho. Mas no momento que fui, eu perdi mesmo foi uma oportunidade de ficar em casa.

Ué, como assim? O Penarol era o time do momento, bicampeão amazonense.

Era. O Penarol não estava estruturado e além de tudo não tinha poder financeiro nenhum. Não sabiam se iam ter a ajuda do governo, não sabiam nada. Me chamaram há três dias de começar a Série D. Fui, fiz um trabalho sério, conversei com os jogadores mas não deu.

Como assim não deu? O que de fato aconteceu?

Foram uma série de fatores. Cometi um erro grave de não ter levado a minha comissão técnica. Os jogadores que estavam lá também não eram os que eu queria trabalhar. Digamos que era um time com jogadores que não queria trabalhar. Logo, fui empurrado a trabalhar com um time cheio de problemas que não tinha vontade de conquistar o acesso. Assim é difícil. Fiz o que podia. Se não bastasse, perdi o primeiro jogo e depois fui até Belém enfrentar a equipe mais forte do grupo, que era o Remo. Perdemos por 4 a 2 e acabei demitido.

Então a decisão de ir para o Penarol foi por motivos puramente econômicos?

Não. Fui pela vontade de trabalhar. Sou profissional. Fiquei esses dias lá e ainda tinha contratado com o Fast. Poderia ficar em casa recebendo pelo Fast. Mas rompi o contrato para assumir o Penarol e deu no que deu. Esse é um daqueles momentos que você olha para a sua carreira e consegue reconhecer o erro. Eu errei. Mas foi mais uma experiência que vai ficar marcada. Paciência.

Na sua saída de lá você chegou a dizer que os jogadores não eram profissionais. Foi isso ?

Na verdade, eu disse que com aquele time, o Penarol não iria chegar a lugar algum. E eu estava certo. Tanto é que o que prova o que falei foi que, quando o Aderbal Lana assumiu a equipe logo em seguida, encostou sete jogadores e mandou buscar mais sete. Nesse momento também a equipe já tinha firmado o apoio do Governo do Estado, o que ajudou nas contratações. Essa atitude dele só provou que eu estava certo, que eles não tinham condições nem de disputar a Série D. Mas hoje, sem aquele calor do momento, penso que não deveria dito isso. Mas já falei, agora, paciência.

Você falou em organização e estrutura várias vezes durante a entrevista. O que mudou no seu conceito depois da experiência no Rio Negro?

Todas as experiências que temos influenciam na nossa vida. Nunca pensei que iria esperar até meia noite para jantar, que era o que acontecia comigo quando estava lá (no Rio Negro).
Tirava várias vezes dinheiro do meu bolso para pagar comida para os jogadores. Não sei se já falei isso outras vezes, mas várias vezes não tinha meião. Faltava bola. Nunca tinha campo disponível para treinar. Mesmo assim, nenhum dos jogadores deixou de acreditar no trabalho. Isso é uma experiência de vida. Hoje, valorizo ainda mais certas atitudes. Em Portugal tive estruturas melhores que tive no Rio Negro e no Fast e as que tenho no Manaus. Mas conheço as dificuldades do futebol amazonense. Cheguei até mesmo a pensar que estava no meio de índios quando me vi no meio de tanta desorganização. Hoje, valorizo mais o que eu tenho.

Para encerrar. Em quatro anos você já passou por Rio Negro, Fast e Penarol. Tem algum clube que gostaria de dirigir?

Sim. Se tem um clube que tenho vontade de trabalhar é o Nacional. Acredito que seja devido toda sua história e também pelo tratamento que a torcida tem comigo. Eu costumo dizer que pela estrutura que existe lá, o Nacional deveria ser campeão todos os anos. Sem falar na força financeira. O problema deles não deveria ser o acesso à Série C e sim, ser campeão todos os anos. Pois com a base vitoriosa, a vaga viria normalmente. Hoje, se tivesse o convite da Série C ou D e do Nacional, ficaria no Nacional. Com essa estrutura, eles podem voar alto.