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Manaus de Copas: 'Fiasco Futebol Clube' é o que rolou em 1990

Nesta terça-feira (06), a série do Craque traz o Especial Copa da Itália de 1990, com muitos lamentos e poucos gritos de gols no Brasil. Confira

Depois do fracasso Parte dos jogadores que disputaram o Mundial da Itália participaram da conquista nos Estados Unidos

Depois do fracasso Parte dos jogadores que disputaram o Mundial da Itália participaram da conquista nos Estados Unidos (Arquivo AC)

Uma Seleção Brasileira dominada pela vaidade... Um Rio Negro arrasador conquistando o quarto título consecutivo. Uma cidade com uma saúde caótica e com um cenário aterrador para a infância e juventude, com centenas de crianças e adolescentes morando nas ruas, enquanto outros jovens se matavam na guerra das “galeras”. A Manaus de 1990 viu tudo isso e um pouco mais.

Em março de 1990, Fernando Collor de Mello assumiu a presidência da República. Ele foi o primeiro presidente eleito pelo voto direto desde o golpe Militar de 1964.

Collor era o presidente “galã”, o “esportista”, o “caçador de marajás”... Em sua primeira visita oficial como presidente a Manaus ele se vestiu de militar e passou um dia no Centro de Operações de Guerra na Selva. Aprendeu a se desvencilhar de armadilhas e, dizem, comeu até tapuru - algo comum na Operação Boina.

O governo de Collor contava ainda com um ministro da Justiça amazonense, o então deputado federal Bernardo Cabral. Ele foi o primeiro a ser indicado e deixou o governo no final de 90.

O governador do Estado era Amazonino Mendes – que entre os programas de governo, patrocinava a famosa distribuição de ranchos no estádio Vivaldo Lima. Ele deixou o cargo para Vivaldo Frota e partiu para a candidatura ao senado.

Mendes chegou ao governo apoiado por Gilberto Mestrinho, quatro anos antes, mas a “gentileza” não foi devolvida. Amazonino lançou Mário Frota para o executivo Estadual, mas ele acabou derrotado pelo próprio Gilberto Mestrinho, que voltou ao governo aos 62 anos. Amazonino se elegeu senador.

A prefeitura era comandada por Artur Neto e, em dezembro daquele ano, uma verdadeira batalha aconteceu no Centro da cidade com a retirada dos camelôs, que produziu cenas que ecoariam na cena política até os dias atuais.

Galeras

A juventude de Manaus vivia momentos delicados. Mais 100 jovens deixavam o lar por mês na cidade. A maioria, vítima de violência doméstica acabavam indo morar na rua.

Outra parte dos jovens da cidade se juntava às galeras e tocavam o terror pela cidade. Nos bairros periféricos prevalecia a lei do terçado. Muitos morreram e os sobreviventes desta guerra formaram um exército de mutilados.

Saúde

Um dia antes da final da Copa do Mundo morria o poeta e ídolo da música brasileira, Cazuza, vítima da síndrome da imunodeficiência adquirida: AIDS. A doença se tornara uma epidemia e as campanhas em favor do uso da camisinha tomavam todos os meios de comunicação.

E por falar em saúde, a capital sofreu com uma grande crise na saúde pública em 1990. Só no hospital Doutor Fajardo cinco crianças chegaram a morrer, por dia, devido a falta de estrutura.

A volta dos mortos-vivos

Manaus viveu um caso bem singular. O taxista Raimundo Nonato Soares da Silva sofreu um acidente de carro e foi decretado morto depois de dar entrada no Hospital Getúlio Vargas.

Em seguida, o corpo dele foi levado para o Instituto Médico Legal (IML). Eis que aconteceu a grande surpresa. Lá, ele “voltou à vida” e quase matou todo mundo de susto. Em seguida, “morreu” de novo, agora, em definitivo.

Para completar os casos inusitados, em março daquele ano, o operário José Raimundo de Oliveira Lima esfaqueou o juiz Lairton Veloso, da Sétima Junta de Conciliação. O motivo? O juiz deu causa favorável à empresa que demitiu o operário por justa causa. Ele teria atirado um copo de suco no rosto do chefe.

Como não ganhou a causa, descontou no magistrado, que ficou em estado grave, mas não morreu.

E para finalizar a sessão esquisitices de 1990, um grupo assaltou um ônibus da empresa Rondomar, com 30 passageiros. Os bandidos roubaram todos os e depois obrigaram os ocupantes do coletivo a tirar a roupa. Eles foram abandonados, nus, na estrada do Tarumã e, a polícia, quando viu aquele monte gente pelada chegou a dar voz de prisão pensando que se tratava de um grande bacanal...

Quatro vezes Rio Negro

O Atlético Rio Negro Clube encerrou em 1990 aquele que foi o ciclo mais vitorioso da história do clube. Em 1986, ano da Copa do Mundo no México, o Nacional deu as cartas. De lá até 1990 só deu o Galo, que conquistou o inédito (para o clube) tetracampeonato.

Que fez parte daquela geração de ouro foi o volante João Carlos Cavalo, 46. João, que hoje vive em Brasília, foi revelado para o futebol depois de disputar o Peladão (torneio de futebol amador promovido pelo jornal A CRÍTICA) com o time do Limotrigo, equipe do bairro Colônia Oliveira Machado, Zona Sul.

“Eu tinha acabado de sair do Peladão e cheguei ao Rio Negro em dezembro de 1987. Fui campeão em 1988, 1989 e do tetracampeonato em 1990”, recorda o ex-volante e hoje treinador.

Cavalo lembra a emoção de sair da condição de torcedor para ídolo do clube. “Eu acompanhava o Rio-Nal como garoto e tinha visto o (Paulo) Galvão e o Fernandinho jogar, o Marinho Macapá... Aí de repente eu comecei a jogar com eles”, lembra.

“Eu sou muito grato ao Rio Negro. Eu desejo que o clube possa encontrar o caminho e voltar a ser uma grande equipe”, comentou.

Rionegrino, o historiador Francisco Carlos Bittencourt, 66, lembra de cabeça toda a escalação do Galo tetracampeão. “O time era formado por Luiz Roberto, Beto Pastor, Ednaldo, Edvaldo e Carlão; Kleber, João Carlos Cavalo, Carlos Alberto Silva, Bismark; Marcão e Beto Andrade. O técnico era o Elias Hadadd”.

O tetra foi conquistado em cima do Nacional que tinha jogadores como Luiz Florêncio, Marinho Macapá entre outros. O time era treinador por Iane Gebber. O único gol da partida foi marcado aos 30 minutos do segundo tempo por Bismark.

Para o historiador dois jogos marcaram aquela campanha. “Foram as partidas contra o São Raimundo. Por incrível que pareça foram duas goleadas por 4 a 0, no primeiro e no segundo turno. Foi uma aula de futebol”, recorda.

No jogo da “entrega” de faixas, o Rio Negro disputou um amistoso contra o Flamengo. Neste confronto, o Galo da Praça da Saudade ganhou um reforço de peso: Roberto Dinamite.

O maior ídolo da história do Vasco marcou dois gols com a camisa do Barriga-Preta, mas a partida foi vencida pelo Fla por 3 a 2. Os gols do urubu foram marcados por Nelio (2) e Bobô.

‘Oktoberfest’ na Itália

A camisa amarelinha se tornou célebre nos quatro cantos do mundo como um símbolo de excelência futebolística. Nomes como Pelé, Garrincha, Tostão se encarregaram de dar ao Brasil a fama de ter o melhor futebol do planeta. É, mas em 1990 a equipe que defendeu a Seleção Brasileira não honrou nenhum pouco esta tradição.

A década de 90 ficaria marcada pela evolução (ou involução para os amantes do futebol arte) dos esquemas táticos. O futebol defensivo e de força dominava a cena e a Copa de 1990 foi o espelho disso. Foi o Mundial com a pior média de gols 2,1 por partida (115 gols em 52 partidas).

A Seleção Brasileira, antes famosa por seu futebol arte, colaborou e muito para a “falta” de gols. O técnico da época era Sebastião Lazaroni e ele resolveu montar um time à imagem e semelhança do futebol europeu praticado na época. Um líbero (Mauro Galvão) á frente da zaga, prioridade para os volantes em vez dos meias. Um dos volantes, Dunga, se tornaria o símbolo daquele time. Daí o nome “era Dunga”.

O volante gaúcho era duro. Carrinhos, pancadas, chutões. Nada parecido com a escola brasileira. O futuro capitão do tetra, aliás, era um dos alvos preferidos dos críticos.

Para completar aquela Seleção se transformou em uma verdadeira fogueira de vaidades. O grupo brigou por conta de premiação, os jogadores negociavam transferências para o futebol europeu dentro da concentração e a união inexistia.

O resultado? Um futebol pífio. No primeiro jogo da primeira fase uma partida dura contra a Suécia. O centroavante Careca marcou duas vezes e Tomas Brolin descontou.

No segundo jogo um adversário sem muita tradição pela frente, a Costa Rica. Mesmo assim, o Brasil sofreu para ganhar. Muller garantiu a vitória pelo placar mínimo aos 33 minutos do primeiro tempo. No último jogo da primeira fase mais um sufoco. Desta vez contra a fraca seleção da Escócia. Outra vez Muller salvou a pátria aos 37 minutos do segundo tempo. O Brasil estava nas oitavas de final. O grande problema? A Argentina de Maradona, a atual campeã do mundo, cruzaria o caminho de nossa Seleção.

Por incrível que pareça, mas, apesar do Brasil ter sido eliminado, foi a melhor partida de um grupo que até então apresentava um futebol medíocre. O time criou e mandou três bolas na trave.

O problema era que o rival tinha Maradona. Em uma das poucas boas jogadas que os “Hermanos” fizeram, Dieguito deixou Dunga na saudade e armou uma jogada perfeita para Claudio Caniggia, que driblou Taffarel e marcou o único gol da partida. Brasil eliminado. Foi a pior participação nacional desde a Copa do Mundo de 1966.

Apesar de tudo, aquela derrota vexatória traria muitas lições para os jogadores que permaneceriam no grupo até o Mundial de 94, nos Estados Unidos. Dos 23 jogadores que atuaram na Copa do Mundo de 1990 dez seriam convocados para o time de 1994. Aldair, Bebeto, Mazinho, Romário, Taffarel, Ricardo Rocha, Dunga, Branco, Muller e Jorginho foram campeões nos Estados Unidos. Vale lembrar que em 90, Bebeto e Romário eram reservas. Bebeto por opção de Lazaroni e Romário porque se recuperava de uma cirurgia e sequer deveria ter sido convocado.

A vida seguiu para os “Hermanos”. Nas quartas eles bateram a Iugoslávia por 3 a 2 nos pênaltis. Na semifinal passaram pelos donos da casa (Itália) também nos pênaltis. Depois de um 1 a 1 no tempo normal a Argentina venceu nos pênaltis (3 x 4). Nos dois jogos brilhou a estrela do goleiro Goycochea.

A final foi uma reedição da final de quatro anos atrás contra a Alemanha Ocidental. Na Copa de 86 a Argentina levou a melhor, mas os alemães riram por último. O único gol da partida foi marcado pelo volante Andreas Brehme de pênalti aos 40 minutos do segundo tempo. Vingança é um prato que se come frio. Foi a consagração da geração alemã que tinha nomes como os atacantes Rudi Völler, Jürgen Klinsmann e de Lothar Matthäus.