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Espaço especial no Curralzinho da Baixa, do Garantido, se torna ponto de tradição

Preservação de diversas atividades culturais e educativas voltadas para a criançada é foco de projeto do bumbá encarnado

Parte do acervo encontrado no Ponto de Cultura reconta a história e a tradição do Garantido

Parte do acervo encontrado no Ponto de Cultura reconta a história e a tradição do Garantido (Antônio Lima)

Transmitir às novas gerações os valores e tradições dos fundadores do Boi Garantido está entre os objetivos do projeto “Garantindo a tradição cultural de Lindolfo Monteverde”, realizado no Curralzinho da Baixa, o nascedouro do bumbá vermelho e branco. Desde novembro de 2013 o espaço funciona como Ponto de Cultura e integra o Programa Cultura Viva, implementado pelo Governo Federal, através do MinC, com o apoio do Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

A iniciativa é da Associação Regional Lindolfo Monteverde, que destinará um orçamento de R$ 180 mil para a realização de diversas atividades culturais e educativas com as crianças da comunidade nos próximos três anos. O local também preserva fotografias e instrumentos de trabalho originais de Lindolfo.

A coordenadora do Ponto e neta de Lindolfo, Cleumara Monteverde, comemora os resultados alcançados em seis meses de projeto, idealizado por ela durante o curso de Pedagogia realizado na Universidade Federal do Amazonas.

“O nosso trabalho acontece em duas etapas: começa com as oficinas de dança, batucada, toada, produção textual e teatro que realizamos com as crianças e culmina com as apresentações que elas vêm realizando desde janeiro, quando comemoramos o aniversário do meu avô. Tudo contextualizado com a história do Garantido, o que desde sempre fez parte da nossa proposta”, conta.

DINÂMICA

Realizadas sempre aos sábados, as atividades são acompanhadas de perto por cinco oficineiros (a maioria pertencente à família Monteverde), que procuram transmitir os conteúdos da forma mais lúdica possível. “A intenção é que os meninos aprendam brincando, de preferência fora da sala de aula”, acrescenta a coordenadora, fazendo referência à sede das oficinas, realizadas na casa réplica que remete ao local em que viveu o Mestre Lindolfo.

De acordo com ela, cerca de 60 crianças, entre 5 e 14 anos, participam da batucada do Ponto de Cultura, que preza pela valorização das toadas à moda antiga, em ritmo mais cadenciado. Os instrumentos são produzidos pelos próprios alunos, que transformam latas e pinchas em chocalhos e xeques-xeques.


“É uma forma que encontramos de aproximar as crianças de temas como preservação e meio ambiente. Os instrumentos são artesanais, mas todo o processo é importante para que elas entendam que esse material não vai para o lixo”, destaca Cleumara. Pensando nessa ideia de sustentabilidade, criou-se até um novo item que se apresenta nos dias de culminância das oficinas de dança e batucada: é a Garota Ponto de Cultura, que se soma aos outros itens mirins.

Com a transferência dos ensaios do Garantido para o Curralzinho, ocasionada pela cheia do rio, os participantes também conquistaram uma plateia maior.

“Foi um encontro ótimo, ainda que tenha sido por conta da força da natureza. Para as crianças já não é mais nem um ensaio, e sim um verdadeiro show, porque elas se realizam em mostrar para os pais e à comunidade o fruto do trabalho delas”, ressalta Cleumara.

DIFICULDADES

Com a realização dos ensaios do bumbá vermelho no Curralzinho da Baixa, o local passou por algumas melhorias capitaneadas pela Associação Folclórica Boi-Bumbá Garantido. Ainda assim, Cleumara se ressente da falta de apoio do “boi grande” ao projeto.

“Nossa dificuldade ainda é a estrutura física. A casa réplica, por exemplo, até hoje não tem energia elétrica própria. Mas, como diz o poeta, ‘faz escuro mas eu canto’. A intenção é fazer com que o projeto aconteça”, conclui a coordenadora, esperançosa.

Toadas guardadas a sete chaves podem estar em CD. “Queremos  resgatar a nossa  história  e começar a ensinar para as crianças”. Essa é a intenção da herdeira do mestre Lindolfo Monteverde, criador do Garantido, Maria do Carmo Monteverde Carvalho, 76, que adiantou para A CRÍTICA a vontade de lançar um CD especial com toadas escritas pelo pai e que ainda não são conhecidas pela nova geração.

De acordo com ela, existem 25 toadas que são guardadas a sete chaves pela família. Essas músicas serão repassadas para as 50 crianças que compõe o projeto “Garantindo a tradição cultural de Lindolfo Monteverde”, criado exclusivamente com essa finalidade. “O projeto está funcionando há seis meses e contamos com pelo menos quatro oficinas, sendo  oficina de texto, dança, história e batucada. Queremos que desde pequenos as crianças já entendam a nossa história e que eles possam levá-la adiante, para não se perder”, explicou Maria do Carmo Monteverde, demonstrando uma certa preocupação com o futuro do Bumbá.

Mesmo já em uma idade avançada, Maria do Carmo ainda apresenta bastante vigor, inclusive para entrar na arena, coisa que ela não abre mão. Todos os anos a filha da Lindolfo faz questão de se apresentar na linha de frente da Batucada. Ela incentiva os torcedores fiéis. “Eu vou para a arena e esse  ano vou tocar o ‘xeque-xeque’. Espero que o meu Boi faça uma boa apresentação e traga mais um título para essa nossa história centenária”, aposta a herdeira de Lindolfo.

Sobre o tema  que o Garantido vai defender nas três noites do festival, Maria do Carmo afirmou que a “Fé” está diretamente relacionada com a história do pai. “Meu pai sempre teve vontade de ter um boi para brincar, mas a minha avó dizia que isso era coisa de gente grande. Mas ele acreditava que um dia ele ia poder ter um boi e dizia que garantiria cuidar de um. E foi por isso que o boi começou a se chamar Garantido”, recorda.