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Parintins exaltada: Cultura cabocla e indígena reverenciadas pelos bois-bumbás no Festival

Segunda noite do Festival de Parintins: Caprichoso homenageia seu Pajé e Garantido a fé do ribeirinho

Bumbódromo de Parintins, reinaugurado em 2013

Garantido e Caprichoso em mais um confronto que divide a cidade e os turistas que vêm a Parintins (Euzivaldo Queiroz)

A força dos pajés é o ponto de partida para a apresentação do Caprichoso na segunda noite do 49º Festival Folclórico de Parintins. Hoje, o boi azul leva ao Bumbódromo a sua “Aldeia Xamânica”, onde serão exaltados o poder de cura e a sabedoria ancestral dessas figuras, que têm papel de destaque na vida social e espiritual dos povos indígenas.

“Os pajés lutam desesperadamente para suas crenças não morrerem. É uma luta da crença contra a crendice”, destaca o membro do Conselho de Artes do bumbá azul, Gil Gonçalves. Segundo ele, durante a segunda noite, o Caprichoso vai homenagear alguns pajés que se tornaram referência na Amazônia, como a pajé cabocla Zeneida Lima, da Ilha do Marajó (PA).

“Cordel Caboclo” (alegoria de Teco Mendes) é o enredo da Exaltação Folclórica, quando o Caprichoso apresentará o seu auto tendo o Teatro Amazonas e o Ciclo da Borracha como pano de fundo. Num mesmo momento, o boi reafirma a importância de caboclos e nordestinos para a economia amazônica e a projeção de uma brincadeira que ganhou o mundo. Nessa pegada, o bumbá elegeu “O Seringueiro da Amazônia” como a Figura Típica Regional desta noite. A concepção também é de Teco Mendes.

Colhida junto ao povo Wayana-Apalai, “Karamanaé, a fúria da profecia” é a Lenda Amazônica a ser apresentada. A figura central desta alegoria é uma criatura que, segundo os índios, tinha feição de mapinguari e, por uma punição de Tupã, levou o filha do tuxaua Dununawá.

“Myrakãwéra” (assinada pelo artista Emerson Brasil) é o tema do Ritual Indígena, que remete ao início da colonização de Parintins. Antes de ser almadiçoado, este rito era praticado somente por pessoas do bem. A maldição se veio pelas mãos do temido pajé Wãkantin, que transformava seus inimigos em mortos vivos e fazia pessoas serem devoradas por formigas de fogo, em sacrifício.

VIVA PARINTINS!

No lado vermelho, hoje é dia de enaltecer a “Parintins da Fé Cabocla”. Nesta segunda noite, o Garantido elege o caboclo como figura central – ao absorver costumes ancestrais, ele reinventa a sua arte e dá identidade à Ilha que cede lugar ao maior espetáculo folclórico a céu aberto.

Por isso, nada mais justo que a Celebração “Sou Parintins” (alegoria do artista Jonathan Marinho) seja uma homenagem à terra do boi-bumbá. “Vamos focar no processo de formação cultural de Parintins, que começa pelo índio”, destaca o coordenador da Comissão de Artes, Fred Góes.

Na Lenda Amazônica, o Garantido apresenta “Fera de Fogo”, inspirada na Cobra-Grande (também conhecida como Boiúna, Boiaçu, Mãe D’Água e Boi-Tatá), que protege matas e florestas das queimadas. A concepção é da dupla Amarildo Teixeira e Roberto Reis. Conhecidas por seus dons de cura pela fé, as benzedeiras são as protagonistas da alegoria Figura Típica Regional, criada por Ito Teixeira.

O espetáculo chega ao ápice com o Ritual Indígena “Kupen Diepes”, da tribo Apinajé, que habita a confluência entre os rios Araguaia e Tocantins. O Garantido promete recriar a luta da tribo contra índios-vampiros com forma humana e asas de morcego.

Neste ato, o pajé invoca os poderes do Sol para benzer as flechas dos guerreiros apinajé, que derrotam as terríveis criaturas. “Este é mais um ritual de prevenção contra qualquer mal que possa se abater sobre a tribo”, explica o coordenador de teatralização e coreografia do Boi da Baixa, Chico Cardoso. Quem assina a alegoria é o artista Junior de Souza.