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Pessoas de fora do Amazonas exaltam a paixão incondicional pelos bumbás de Parintins

Mineiros, cariocas e até japoneses se encantaram com os bois Garantido e Caprichoso desde o primeiro contato com os bois protagonistas do 49° Festival Folclórico

O carioca Tom até adotou o Caprichoso como seu sobrenome

O carioca Tom até adotou o Caprichoso como seu sobrenome (Antônio Lima)

A paixão move montanhas e diminui distâncias. Pelo menos essa foi a definição encontrada pela psicóloga Ana Regina de Souza Martins, 26,  para explicar a dimensão do amor pelo bo-bumbá Garantido, que ela  conheceu aos nove anos. E por mais incrível que pareça, todo o fanatismo foi sustentado por muito tempo apenas pelas transmissões de TV e as postagens na Internet. Isso porque apesar de ser apaixonada pelo Vermelho, Ana Regina não é amazonense.

“Atualmente moro em São Paulo, mas sou mineira. A minha história com o boi começou em 1996, quando eu e minha família morávamos em Roraima. Mas eu só acompanhava o Boi pela TV, ou lia e assistia algumas coisas que eram postadas na Internet”, contou.

O grande sonho de pisar no Bumbódromo só foi concretizado  em 2011, quando pela primeira vez a jovem psicóloga veio assistir ao Festival Folclórico de Parintins ao vivo e em cores. “Foi lindo! Chorei que nem uma louca porque quando estamos longe, sonhamos em fazer parte dessa história. Aí eu fui para o meio da Galera para dar a minha contribuição ao Bumbá”, disse ela.

Mais do que estar na torcida, o que mais importante para Ana Regina é poder estar no meio dos trabalhos do Garantido. Por esse motivo, desde 2011 a fã de carteirinha do Boi do Povão precisa até  cancelar as suas consultas agendadas para o período, para conseguir  viajar para a Ilha Tupinambarana.

Não bastasse esse esforço, este ano ela também teve que superar o estresse  causado pela companhia aérea que alterou os horários dos voos mais de 15 vezes. “Eu comprei passagem em agosto do ano passado, mas por causa da Copa, a companhia mudou os voos várias  vezes. Só na vinda foram sete vezes e na passagem de volta, outras 15. Mas nada me fez desistir de voltar à Parintins”, frisou.


“Eu gosto de estar no meio dos ensaios. Cheguei aqui no dia 15 de junho para aprender as coreografias e ter a chance de fazer parte de algum item. Faço tudo isso por amor mesmo”, reforçou a psicóloga, que no ano passado teve a chance de fazer sua estreia na Arena, quando participou de algumas encenações como lamparineira. Desta vez, Ana vai dar mais uma passo: foi convidada  pela diretoria do Garantido para participar dos rituais das tribos indígenas.

Para Ana Regina, a chance de estar tão perto do boi ficou mais evidente desde quando o atual levantador, Sebastião Junior, que é paraense, começou a defender as cores vermelho e branco. “Acho que isso foi sim um divisor de águas e abriu as portas que outras pessoas de outras regiões pudessem ter a mesma chance de fazer parte da história do Garantindo”, conclui.

De acordo com o diretor Artístico do Garantido, Fred Góes, o Bumbá Garantido sempre esteve de portas abertas para abraçar pessoas de outros estados. Tanto que, atualmente, dos seus mais de 2,5 mil integrantes, 360 artistas são de outras regiões do Brasil. “Temos até uma japonesa que todo ano vem pra cá (risos). A nossa única preocupação é não perder a identidade do festival. E por isso a grande maioria é amazonense, parintinense. Além disso, é importante também que as pessoas de fora sejam inseridas no processo e participem dos ensaios, direção cênica, para estarmos impecáveis na Arena”, afirmou Góes.

Ana Regina contou ainda que o fanatismo pelo Boi Garantindo já rompeu barreiras e até na hora de dormir ele está presente na vida e nos sonhos da psicóloga. “Olha, confesso que até para dormir eu tenho que ouvir as toadas.  Amo todas elas e é uma mais bonita que a outra”, afirmou. 

ENCONTRO ESPECIAL

Do lado do azul e branco também é possível encontrar torcedores fanáticos. E a paixão azulada não escolhe nem faz distinção de cor ou raça: o que realmente importa é ser tocado pelo Bumbá e levar parte da cultura para qualquer lugar do País.

Foi assim com o carioca Márcio Dias, 36, mais conhecido como “Tom Caprichoso”, apelido que aderiu devido a paixão pelo touro negro, descoberta em 2010. “A história é engraçada. Em 2008 eu conheci um grupo de amazonenses em uma fila para entrar no Maracanã, onde ia acontecer um show da Madonna. E assim como os amazonenses, o carioca também é muito comunicativo, receptivo. Nós trocamos contatos e eles passaram a me convidar para vir à Parintins, mas só dois anos depois que pude vir e me rendi de cara”, destacou.

UMA ESCOLHA NATURAL

“Tom Caprichso” conta que a escolha pelo boi da estrela foi natural. “Eu fui para os ensaios dos dois bois, só que quando eu vi o Caprichoso pela primeira vez, fiquei mexido, emocionado. Desde então, não deixou de vir um ano se quer. Já me sinto um verdadeiro amazonense”, confessa. O gerente comercial afirma que o fanatismo pelo Bumbá Caprichoso é um casamento perfeito. “Eu  sempre gostei das cores azul e branca, então quando o Caprichoso surgiu para mim eu uni o útil ao agradável”, contou.

E mais que “louco” pelo Caprichoso, Tom se declara apaixonado pela Amazônia. “Eu compro todos os produtos do Boi e até a farinha e o baré eu levo daqui, ou as pessoas me mandam. Eu sou tão Caprichoso que decidi carregá-lo no nome, nos cabelos, e até os meus olhos são azuis e faço questão de chegar dias antes do festival para acompanhar cada passo do meu boi! Definitivamente, eu tenho o sangue azul”,  afirmou ele, que pediu até para mudar o mês das férias do trabalho só para não ficar de fora da festa.

“O que mais chama minha atenção é que apesar de algumas pessoas acharem o festival semelhante ao Carnaval, eu acho que não tem nada a ver. O ritmo é diferente, durante as apresentações são cantadas várias toadas com histórias marcantes, sem contar que foram os artistas daqui que enriqueceram o Carnaval”. Para o presidente do Caprichoso, Joilto Azedo, o carinho vindo de fora do Estado mostra que as manifestações culturais aproximam as pessoas e ajudam a divulgar os Bumbás. “Nós ficamos muito felizes com tamanha repercussão”, disse.






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