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Torcedores ‘azuis’ do Caprichoso invadem ruas de Parintins para tradicional brincadeira de bumbá

No "Boi de Rua", eles saíram da Praça da Catedral N. S. do Carmo e desfilaram pela avenida Amazonas e Cordovil na companhia do bumbá até a arena do Bumbódromo, onde aconteceu um ensaio técnico

A caminhada que resiste há 101 anos, desde a fundação do boi, é manifestação da cultura local

A caminhada que resiste há 101 anos, desde a fundação do boi, é manifestação da cultura local (Euzivaldo Queiroz)

A tradicional “brincadeira de boi” do Caprichoso pelas ruas de Parintins ocorreu mais uma vez na noite desta quarta-feira (25), na ilha Tupinambarana, a 369 quilômetros de Manaus, o chamado “Boi de Rua”. Torcedores vestidos de azul e branco invadiram a Praça da Catedral N. S. do Carmo, local de concentração, e desfilaram pela avenida Amazonas e Cordovil na companhia do bumbá até a arena do Bumbódromo, onde acontece a disputa entre os bumbás.

De cima de um trio elétrico estacionado na avenida Amazonas, onde fica a Catedral, um cantor anunciou o início da caminhada. A avenida é principal via da cidade e concentra comércios e bares, que ali ficaram tomados por torcedores “azulados”. Barracas com vendas de comidas, bebidas e vestuário referente ao boi transformaram o local num grande arraial. A caminhada, que resiste há 101 anos, desde a fundação do boi, é manifestação da cultura local.

“Eu vim buscar alegria e a vitória do meu boi. Parece que eu estou com 20 anos de novo. O corpo mexendo, afasta as doenças”, disse Maria Creuza da Costa, 67, acompanhada dos dez netos. Nascida em Uricurituba, município a 192 quilômetros de Manaus, ela passou a morar em Parintins desde os 17 anos, e desde então se apaixonou pelo Caprichoso. “Eu gostei da beleza, do gesto, e o escolhi. Sou Caprichoso e meus filhos também. Caprichei e fiz dez filhos”, brincou.


Parte da origem do Festival Folclórico de Parintins, o “Boi de Rua” do Caprichoso acontece desde quando havia briga entre os torcedores do “boi azul” e do “contrário”, o Garantido. Desfilando nas ruas para “brincar de boi”, eles acabavam se encontrando na Catedral e brigando para defender o espaço e o amor ao próprio boi. “Eles jogavam lata, pedra e até gelo uns nos outros. Virava caso de polícia”, lembra Maria Ribeiro Rodrigues, 67.

Outro antigo torcedor que compareceu ao desfile foi Hernandez Nascimento, 60. Ele estava com os amigos da confraria “Calçada da Fama”, do bairro Palmares, formado por “juízes, compositores, advogados e funcionários públicos”. Todos empurravam um carrinho que, no teto, estava enfeitado com tochas de fogo. “Isso aqui representa antiga lamparina, usada ma época que não tinha energia elétrica na cidade”, disse apontando para o fogo alimentado por querosene e morrão.

No meio dos torcedores jovens, que dançavam as coreografias oficiais do Caprichoso, o pároco emérito de Parintins, o italiano Benito Di Pietro, 78, também brincava de boi. Ele foi às ruas para ver o desfile, hábito que mantém desde 1990, quando veio viver na cidade. “Escolhi o Caprichoso porque ele tem essa cor bonita, legal, a mesma cor do time italiano, da polícia italiana, que são azuis. Já o vermelho (Garantido) é opressor”, disse.


A festa, apesar do pequeno percurso, que teve como ponto final também a Catedral N. S. do Carmo, levou dezenas de moradores da “Cidade Caprichoso” à frente das casas para esperar a passagem do boi negro. No fim, uma multidão “azul e branca” tomou a Praça para uma grande festa, bem como uma multidão invadiu as arquibancadas do Bumbódromo para assistir o último ensaio técnico do Caprichoso antes do 49º Festival Folclórico, que inicia na sexta-feira (27), onde há a disputa.

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