Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Na linha de frente, novos artistas de ponta se destacam no Azul

Kennedy Moraes e Ney Meireles tiveram a oportunidade de assumir este ano o comando de uma alegoria do Boi Caprichoso e não desperdiçaram a chance de surpreender

À frente Os artistas Kennedy Moraes e Ney Meireles agora estão na linha de frente. Embaixo, obra de Emerson Brasil

Os artistas Kennedy Moraes e Ney Meireles agora estão na linha de frente. Embaixo, obra de Emerson Brasil (Euzivaldo Queiroz)

São nos galpões que toda a potência criativa dos bois de Parintins começa a ganhar forma. Batalhões de artistas são mobilizados para materializar alegorias e adereços que, durante o Festival Folclórico, vão abrilhantar as performances no Bumbódromo. Na linha de frente, estão os chamados artistas de ponta, que coordenam todo o processo. No Caprichoso, Kennedy Moraes e Ney Meireles são estreantes nesse grupo.

Eles comandam uma equipe de 23 pessoas (entre soldadores, pintores, aderecistas e escultores) que trabalham na alegoria “Acalanta”, a segunda a entrar na arena na primeira noite de festival. “Ela representou um mundo de seres encantados”, explica Moraes. Em 2014, o boi azul traz o tema “Táwapayêra”, retrato de uma Amazônia cheia de misticismos.

“Sou artista do galpão do Caprichoso há uns 15 anos e já passei pela equipe do Rossy (Amoedo, vice-presidente do boi) e Juarez Lima, mas esse é o meu primeiro ano como artista de ponta. Fomos para a arena mostrar um bom trabalho e espero que a gente saia vitorioso”, apostou ele, que ingressou no galpão como ajudante, aos 16 anos.

Kennedy também faz parte do grupo de artistas parintinenses que tem história no Carnaval do Rio de Janeiro. Há sete anos ele faz a ponte aérea entre a Ilha Tupinambarana e a Cidade Maravilhosa para atuar no setor de pintura artística da Beija-Flor de Nilópolis.

“Acredito que foi a partir da minha trajetória na escola de samba que surgiu a oportunidade de coordenar a produção da minha primeira alegoria aqui em Parintins. Sou um dos coordenadores da equipe, mas também gosto de estar junto com meus ajudantes metendo a mão na massa”, acrescenta.

Ney Meireles é outro que viu no Carnaval do Sudeste a chance de trocar conhecimento para aprimorar a sua arte. “A oportunidade de atuarmos hoje como artistas de ponta com certeza foi merecida. O espaço surgiu e nós abraçamos”, comenta.

Ele dedicou 18 dos seus 36 anos ao Caprichoso, onde começou como soldador no setor de tribos. “Trabalhei com grandes artistas como Ozéas Bentes, Rossy e Juarez. Hoje coordeno uma linha de frente na Império de Casa Verde, em São Paulo”, finaliza Ney, para quem o 49º Festival de Parintins será um marco.

SONHO REALIZADO

Quem também realiza um sonho este ano é Emerson Brasil, 40, que tem oito anos de serviços prestados ao boi azul. É dele a concepção do ritual “Myrakãwéra”, oportunidade que o artista aguardava ansiosamente há anos. “É o sonho de todo artista parintinense fazer um trabalho dessa magnitude. Minha vida sempre foi focada na arte, e acredito que esse ritual marca o ápice da minha carreira até aqui”, declara ele, que coordena uma equipe de 26 pessoas.

Segundo ele, ter um ritual no currículo sempre foi uma meta pessoal. “’Myrakãwéra’ me repassou muita energia desde a primeira vez que ouvi a toada. Pensei assim: ‘Tenho fé em Deus de que vou fazer esse ritual’. Quando comuniquei esse meu desejo ao Rossy, que é presidente do Conselho de Artes, ele assinou embaixo e disse que o projeto estava em boas mãos”, conta.

Com 30 metros de boca e 15 de altura, a alegoria representa um ritual amaldiçoado em que pessoas são devoradas por formigas de fogo. “Sempre curti muito rock e caveiras, e esse ritual retrata plasticamente tudo isso, algo meio gótico e sombrio. Acho bonito, embora as pessoas encarem a imagem da caveira como o fim de tudo, por estar associada à morte, enquanto vejocomo o começo de tudo”, acrescenta Brasil, que também assina duas indumentárias de Pajé, uma de Cunhã-Poranga e uma de Rainha do Folclore nesta edição do festival.