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Igarapé da Zona Centro-Oeste de Manaus tem águas limpas mesmo próximo a esgoto

Pequeno igarapé cruza a avenida Dublin, na Zona Centro-Oeste, e desperta a curiosidade porque de um lado as águas são límpidas, mas de outro ele recebe esgotos e todo tipo de resíduo sólido, numa realidade comum a todos os igarapés de Manaus

Após cruzar a avenida Dublin e desembocar num igarapé maior, o pequeno curso d´água recebe esgotos e uma grande carga de lixo e materiais como pet

Após cruzar a avenida Dublin e desembocar num igarapé maior, o pequeno curso d´água recebe esgotos e uma grande carga de lixo e materiais como pet (Euzivaldo Queiroz )

Com águas transparentes, próximo de uma área verde e com a tranquilidade que contrasta com o barulho da rua movimentada. Essa poderia ser a descrição de um igarapé limpo, como os antigos balneários naturais de Manaus, que nos fins de semana abrigavam milhares de famílias em busca de diversão, porém a limpeza escondida é apenas aparente.

No conjunto Campos Elíseos, bairro Planalto, Zona Centro Oeste, um igarapé sem nome corta a avenida Dublin e de um lado aparentemente não está poluído, mas logo em seguida está tomado por garrafas pets, latas, sacos plásticos e esgotos. De acordo com o especialista em recursos hídricos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Sérgio Bringel existem em Manaus cerca de 600 igarapés e todos estão poluídos.

Ainda de acordo com o pesquisador, do Puraquequara ao Tarumã não é possível encontrar nenhum corpo de água, bacia ou micro bacia que não esteja contaminada na cidade.

A dona de casa Auréa da Silva Souza, 65, que mora próximo à área ‘limpa’ do igarapé da avenida Dublin lembra que os oito filhos tiveram a oportunidade de brincar no igarapé, mas que ao longo dos anos viu o acumulo de poluição no local. “Eu lavava roupa na beira do igarapé, nos fins de semana minha família se reunia para tomar banho nele, mas isso acabou”, disse Auréa.

Segundo Auréa a morte do igarapé aconteceu aos poucos e tudo iniciou com a ocupação das áreas próximos, pois a população começou a jogar lixo e a construir as fossas das casas. “Durante algum tempo nós continuamos utilizando a água do igarapé, mas depois não era mais possível”, acrescentou.

A dona de casa explica que em alguns dias a água parece limpa, mas em outros o mau cheiro e o lixo incomodam a toda a família. Apesar da poluição a dona de casa diz que o igarapé ainda é abrigo para jacarés e alguns peixes. “Eu ainda gosto de morar aqui e acordar com o canto dos pássaros”, disse a Auréa.

De acordo com Sérgio Bringel quando se evita o uso indevido do solo é possível eliminar 40% das chances de poluição. Para o pesquisador não adianta preservar a bacia se dentro dessa bacia são realizadas atividades que não está de acordo com o que se pretende para a preservação desse local.

O pesquisador alerta que não só a ocupação, mas atividade industrial contribuiu para a morte dos igarapés. “A bacia não é só o local por onde a água passa e sim um todo e se não preservamos o todo claro que o meio ambiente sofre as conseqüências”, explicou o pesquisador.

Monitoramento

O pesquisador Sérgio Bringel lembra que há dois anos foi realizado o monitoramento das águas de toda a região transfronteiriça do Brasil pela bacia do Rio Negro, mas não existe um programa municipal, estadual ou federal para o monitoramento das águas na região amazônica de forma contínua.

Solução

Segundo o pesquisador Sérgio Bringel, a única forma de mudar a situação atual dos igarapés é com investimento em educação das gerações futuras, pois pouca coisa pode ser feita para modificar a realidade forma rápida. Ele diz que para destruir não demorou, porém para recuperar os igarapés é necessário muitos anos, demandaria investimento, tratamento, limpeza. De acordo com o pesquisador ainda existem algumas nascentes preservadas em Manaus como as da Reserva Adolpho Ducke e escola Agrotécnica Federal de Manaus, mas isso não significa que elas não estejam contaminadas.