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Amazonenses oferecem a própria casa para desconhecidos e conquistam os turistas

Desde o início da Copa do Mundo, algumas famílias de amazonenses estenderam a mão e ofereceram a própria casa para completos desconhecidos, que chegaram à capital sem falar nada de português

Luciano hospedou quatro ingleses que se encontraram na Argentina, passaram pelo Uruguai e chegaram a Belo Horizonte depois de caminhar 800 quilômetros para acompanhar a seleção inglesa

Luciano hospedou quatro ingleses que se encontraram na Argentina, passaram pelo Uruguai e chegaram a Belo Horizonte depois de caminhar 800 quilômetros para acompanhar a seleção inglesa (Evandro Seixas)

Os gestos de solidariedade de amazonenses e de brasileiros que adotaram Manaus como lar mudaram a imagem que estrangeiros tinham da cidade. Desde o início da Copa do Mundo, algumas famílias de amazonenses estenderam a mão e ofereceram a própria casa para completos desconhecidos, que chegaram à capital sem falar nada de português.

A atitude quebrou estereótipos e qualquer preconceito que estrangeiros tenham trazido na bagagem, principalmente, os ingleses, que figuraram a relação mais atribulada com Manaus desde as declarações do técnico da seleção da Inglaterra, Roy Hodgson, antes do Mundial e das publicações de tablóides ingleses criticando a cidade.

Um destes exemplos de solidariedade foi do amazonense Luciano da Silva Nogueira, 18. Um estudante de 18 anos que hospedou quatro ingleses, Adam, Ben, David e Pete, durante cinco dias na casa onde mora com os pais, na Zona Sul. Ele teve o desejo imediato de ajudar ao ver pela televisão a história dos jovens ingleses que se encontraram na Argentina, seguiram para o Uruguai e chegaram à cidade brasileira de Belo Horizonte depois de caminhar 800 quilômetros para acompanhar a seleção inglesa.

Luciano sabia que eles vinham para Manaus e que não tinham onde ficar. Ele compartilhou a ideia de hospedá-los com os pais, que toparam depois de uma resistência inicial. Luciano entrou em contato com o grupo por meio do Facebook, rede social onde os ingleses mantêm um diário de bordo da aventura no Brasil. Os amigos aceitaram e agradeceram o gesto.

O grupo tinha conhecimento dos episódios que colocavam Manaus como uma cidade nada hospitaleira, no entanto, ficaram surpresos com a simpatia, hospitalidade e solidariedade do manaurara, que derrubaram tudo o que tinham ouvido sobre a capital amazonense. “Eles (ingleses) ficaram encantados com a cidade e o que ela tem a oferecer. Não tenho dúvida que só têm a falar bem de Manaus onde forem. Foi bom para eles e para a minha família, em uma troca de cultura mútua”, disse. O grupo chegou à cidade no último dia 13 e partiu para São Paulo na terça-feira. “Fica o sentimento de ter ajudado. A comunicação não foi difícil porque falo inglês e meus pais entendiam o espanhol que eles falavam”, disse.

Laços voluntários

Outro caso é o do paulista Jonas Silva Matos, 18, que, junto com os pais, adotou Manaus como lar há três anos. Jonas é um dos voluntários da Federação Internacional de Futebol (Fifa) na Copa do Mundo e foi trabalhando na Arena da Amazônia Vivaldo Lima que conheceu o chinês Liu Geyu, 21, que se inscreveu para ser voluntário em Manaus porque queria conhecer o Amazonas.

Liu saiu de Beijing, na China, até Munique, na Alemanha, seguiu para São Paulo e, enfim, Manaus, para onde foi destacado pela Fifa, numa viagem de 30 horas. Jonas e Liu se conheceram no primeiro jogo na Arena. “Ele estava num hotel que não gostou e ofereci minha casa seguindo os ensinamentos do meu pai para sempre ajudar o próximo”, explicou.

Liu é hospede de Jonas há uma semana, mas já provou jaraqui, açaí, tucumã, guaraná e cupuaçu e gostou de tudo. Ele ficará na cidade até o próximo dia 1º e, por meio da tradução de Jonas, disse que se sente manauara e, inclusive, está aprendendo as primeiras palavras em português. “Para mim está sendo uma grande experiência que vou levar para o resto da vida e nunca vou esquecer. Manaus é uma cidade fantástica”, disse o chinês Liu Geyu.

Guias, professores e companheiros

 

Os manauaras foram os guias, professores e, principalmente, amigos dos estrangeiros na cidade. Falando apenas o idioma de origem, ficaria difícil conhecer toda a cidade sem orientação. No caso dos ingleses e do chinês, beneficiados pela hospitalidade local, foi diferente. Os ingleses puderam conhecer todos os pontos turísticos e históricos de Manaus com a ajuda de Luciano. O mesmo ocorreu com o chinês Liu Geyu que ainda conta o amparo de Jonas. A dupla costuma sair todos os dias sempre com uma nova experiência para Liu, que procura aproveitar ao máximo a permanência na cidade.

Os ingleses que ficaram com Luciano colecionam histórias por onde passam. Uma das que mais chamou atenção é a que inclui o cachorro Jefferson. Os britânicos se depararam com o cachorro no Uruguai que passou a seguir o grupo que se deslocava a pé para o Brasil. O cão passou a fazer parte da aventura e das fotografias do diário de bordo, recebendo o nome de Jefferson. Quando chegaram ao Brasil, após cinco semanas caminhando, receberam uma mensagem do dono do cachorro querendo reavê-lo. Eles promoveram o reencontro em Porto Alegre.

Personagem – Advogado colombiano

Daniel Francisco Moreno-Luiz

“Fiquei encantado com Manaus”

O colombiano Daniel Francisco Moreno-Luiz, 23, mora no Canadá há quase uma década e foi mais um estrangeiro que escolheu Manaus para assistir à Copa do Mundo de Futebol. Ele é advogado e está em Manaus há 14 dias, tempo suficiente para provar e aprovar os sabores locais. O que ele mais gostou foi do açaí e tacacá. Daniel também contou com a hospitalidade dos manauaras que o ajudam no que tem sido necessário para sua estadia na capital amazonense. Ele disse que sempre sonhou em conhecer a cidade, motivado pelo fascínio que têm pelo verde da floresta, o Encontro das Águas e pelo Teatro Amazonas.

“Fiquei encantado com Manaus. É uma cidade muito acolhedora, cheia de flores rodeada pela floresta e com gente bem animada. As pessoas são muito gentis e hospitaleiras. A mistura da natureza de Manaus associada ao futebol  a torna a mais bela e diferente da Copa do Mundo. Pretendo voltar mais vezes a Manaus depois da Copa. Gostei da tapioca e do açaí, mas o que mais gostei foi do tacacá, que é muito bom. Outra coisa que gostei muito foi do forró bate-bate, mas não aprendi a dançar. Por enquanto, estou só aprendendo a falar português”, declarou o turista.