O presidenciável José Serra declarou, na tarde desta sexta-feira (20), ser contrário a uma solução rápida para definir a questão da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, capital de Rondônia. As declarações de Serra foram dadas em coletiva à imprensa, na tarde de hoje, depois de encontrro com o Grupo de Líderes Empresariais do Amazonas (Lide-AM).
O asfaltamento da BR-319 é uma promessa nunca cumprida do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A rodovia, atualmente intransitável, é a única ligação terrestre do Amazonas com o resto do Brasil. As questões ambientais são o principal imbróglio para a reforma da estrada. "Não sou contra a BR", disse José Serra. "Sou contra equacionar a solução para a BR", sustentou.
O tucano também afirmou que não conhece o assunto a fundo e que não teria uma alternativa para a definição da questão. "Não é fácil. Você imagina o tráfego que terá nela...", comentou.
Fronteiras
José Serra também disse que, se eleito, irá criar uma "guarda nacional" para combater o desmatamento e o tráfico de drogas nas fronteiras. Para ele, é preciso haver mais fiscalização para coibir o desmate e o narcotráfico.
"Nós temos que ocupar as fronteiras. Temos que criar uma força do tipo guarda nacional para defender fronteiras e meio ambiente. As fronteiras estão vazias de controle por parte do Brasil", sustentou.
"Vamos criar uma força permanente, em entendimento com as forças armadas, com a Polícia Federal e com os Estados que fazem parte das fronteiras. Isso tem que ser resolvido no Brasil para efeito de segurança nacional e por causa da droga", afirmou.
Segundo ele, a guarda nacional vai atuar inclusive na defesa do meio ambiente. Conforme Serra, é preciso compatibilizar a defesa do meio ambiente com a oportunidade econômica para as pessoas.
"Nós temos que ter essa compatibilidade. Nós temos 10% do estoque mundial de biodiversidade. Temos que turbinar as pesquisas. Nós vamos turbinar as pesquisas com biodiversisade como em nenhum lugar do mundo se fez. Isso é barato para fazer. Investir em pesquisa é barato. Nós vamos investir muito aqui", prometeu.
Campanha
Péssimo nas pesquisas de intenção de voto no Amazonas, José Serra disse acreditar que pode crescer entre o eleitotado do Estado. Ele também afirmou que a rede de intrigas que envolve seu nome é o que mais lhe traz prejuízos.
"Creio que nós vamos crescer aqui, inclusive se contrapondo a essas ondas do mau em matéria de intriga, de mentira. Hoje o rumor do dia era que eu ia acabar com o Prasamim (Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus), que é um programa interessante de moradia, como tem em São Paulo e no Brasil", comentou Serra.
Censura
O tucano sustentou que a rede de intrigas responsável pela disseminação de boatos contra seu nome, no Amazonas, é uma forma de censura. De acordo com ele, o PT tem vocação para fazer intrigas.
"Tem muita intriga e é uma coisa impressionante. Acho, inclusive, que a intriga é uma outra vertente da censura à imprensa, do controle da informação, que o PT tem vocação para querer exercer".
"O que se diz a meu respeito é mentira. A minha vida foi esquadrinhada como a de niguém por meio de dossiês. Se alguém tem alguma coisa, que prove, que traga à tona", afirmou.
Zona Franca
Durante sua palestra no encontro do Grupo de Líderes Empresariais do Amazonas, José Serra refutou outra acusação que o antipatiza ante ao eleitorado amazonense: a de que, se eleito presidente, acabaria com a Zona Franca de Manaus (ZFM).
"Estou convencido de que é necessário preservar esse patrimônio, valorizar e ao mesmo tempo fortalecer a Zona Franca, que já se firmou como o principal pólo produtor e motocicletas do mundo", disse.
"Nós temos muito a esperar da Zona Franca e o meu empenho será fortalecê-la para gerar emprego na Amazônia, no Brasil e ajudar a manter esse patrimônio ambiental (floresta amazônica) extraordinário que nenhum País tem".
Durante a reunião do Lide, José Serra se disse um aliado dos empresários. "Sou um aliado dos empresários por um motivo: eles geram emprego. Quem gera emprego é um aliado do desenvolvimento social", afirmou.
Promessas para o Amazonas
José Serra ainda prometeu que, se eleito, fará um novo porto em Manaus e transformará o antigo em espaço cultural. Ele também garantiu que aplicará recursos na cidade para as obras da Copa de 2014. "A Copa do Mundo aqui precisa de investimentos altíssimos e não foi feito nada nessa matéria".
Serra sustentou que vai investir em saneamento no Estado. "A situação de saneamento no Estado do Amazonas é muito crítica. O próprio governo federal havia anunciado investimento de mais de R$ 800 milhões e não fez praticamente nada. Cidades como Manaus, com a importância toda que tem, tem 30% de água tratada e uma rede de coleta de esgoto de 10%, 15%. Isso é um absurdo".
O tucano ainda reclamou do funcionamento da Internet em Manaus. "Um problema em Manaus é que a comunicação digital é feita via satélite e não por fibra de vidro. Eu acho incrível isso, com a importância que tem a região. Banda larga no Brasil é ruim em geral. Aqui deve ser um horror total".