Polícia já tem suspeitos de morte de líder comunitário em Manaus

O pistoleiro Janderson Vieira Honorato, o “Gordinho”, e outro homem identificado como “Rodriguinho”, são procurados

Enterro de Rômulo José Mesquita da Silva,, no cemitério São Francisco, Zona Sul, causou comoção na comunidade

Enterro de Rômulo José Mesquita da Silva,, no cemitério São Francisco, Zona Sul, causou comoção na comunidade (Bruno Kelly)

O pistoleiro Janderson Vieira Honorato, o “Gordinho”, 24, e outro homem identificado como “Rodriguinho”, são os principais suspeitos de serem os autores dos tiros que mataram o presidente do Conselho de Segurança Pública da Zona Leste, Rômulo José Mesquita da Silva, 48, na noite de quarta-feira, 8, no bairro Monte Sião, Zona Leste. Ele foi morto com sete tiros, a maioria na cabeça. Até esta quinta-feira (9), a informação da polícia era de que ainda não havia nenhum dos acusados presos.

Durante o dia de ontem, policiais civis e militares procuraram pelos assassinos. De acordo com o comandante do Comando de Policiamento Metropolitano (CPM), coronel George Chaves, a busca começou logo depois que aconteceu o crime. “Nós só vamos cessar as buscas depois que conseguirmos prender os suspeitos”, disse.

O delegado geral de Polícia Civil, Mário César Nunes, disse que três delegados: a titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Cristina Portugal; o adjunto, Antônio Lara Marialva Rondon Júnior; e o diretos da Seccional Leste, Clóvis Leite, estão no comando da investigação. “Já temos dois suspeitos e ainda não posso dizer se estes já estão presos”, disse Mário César. Ele não revelou o motivo que levou a polícia a suspeitar de “Gordinho” e “Rodriguinho”.

A polícia trabalha com a hipótese de que o crime tenha sido motivado por vingança e a mando de traficantes de droga da área, já que Rômulo os havia denunciado à polícia. Segundo o coronel George, Rômulo era um líder atuante, que colaborava muito com a segurança pública, fornecendo informações sobre a ação de traficantes e assaltantes na Zona Leste.

Ele morava na rua B do bairro Monte Sião, considerado pela polícia como área vermelha. O velório de Rômulo, que ocorreu na casa onde morava, aconteceu sob um esquema proteção policial. A família dele temia a ação de traficantes e não quis falar sobre a autoria do crime.

O velório foi marcado por comoção de familiares e comunitários que tinham Rômulo como uma pessoa do bem. Ele era casado e deixou quatro filhos e dois netos. Para a polícia, Rômulo foi um grande colaborador  da segurança e parceiro dos policiais porque não se intimidava. Ele foi sepultado no final da tarde de ontem, no cemitério São Francisco, bairro Morro da Liberdade, Zona Sul.

Suspeito confessou crimes

O pistoleiro Janderson Vieira Honorato, o “Gordinho”, concedeu entrevista exclusiva para a reportagem de A CRÍTICA nas dependências da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), no dia 4 de agosto do ano passado. Ele confessou ter matado três pessoas e ter sobrevivido a duas tentativas de homicídio. Em uma delas, ele chegou a perder uma das costelas e ficou internado 51 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Gordinho” também disse já ter perdido as contas de quantas residências e estabelecimentos comerciais arrombou para furtar e que, atualmente, traficava droga. Ele confessou que pretendia matar o sobrinho da ex-mulher, conhecido como “Mister”, que lhe devia R$ 600. “Ele estava me enrolando e o traficante que me deu a droga estava me cobrando. Ou eu o matava ou o traficante me matava”, justificou.

À reportagem, “Gordinho” revelou que  ingressou no crime aos 13 anos de idade como membro de “galera”. Ele afirmou, ainda, demonstrando um certo orgulho, que “por pouco” não chegou à liderança do grupo. Sua primeira vítima de homicídio, segundo ele, foi um adolescente identificado como “Cocadinha”, que foi morto a pauladas e degolado, disse sem demonstrar arrependimento.

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